qua 27 out 2021
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Artistas reclamam: atual gestão da Fundação Cultural peca nos editais de incentivo à cultura

A esquerda Marcos Cordiolli e a direita Gustavo Fruet. 
Foto: Alice Rodrigues [Cordiolli]/Divulgação [Fruet]

A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) em setembro o nono mês sob a gestão de Marcos Cordiolli. Com a data, vieram também reclamações por parte da classe artística. O que mais se critica é a falta de projetos e o atraso nos editais da Fundação. Em contrapartida, a FCC pede mais integração dos artistas e consistência na apresentação das propostas.

Quando assumiu o cargo em janeiro deste ano, o atual presidente da fundação comprometeu-se a aprimorar os mecanismos de fomento à cultura e estimular uma maior visibilidade da produção cultural curitibana no resto do país.

Frederico Neto, um dos fundadores do combinado Seiva Cultural e membro da Delegacia da Cultura contesta essas promessas: “O que se percebe é um discurso com propostas progressistas que ainda não tiveram efetividade.” Ele também não se esquece da participação do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, na demora em executar propostas passadas. “Eu não enxergo nenhuma proposição da campanha de 2012 do prefeito posta em prática.”

Com relação à verba destinada à Cultura, Frederico Neto denuncia que a atual gestão não defende o 1% do orçamento de 2014 para a cultura. “A FCC não vê viabilidade em exigir esse orçamento tendo em vista as dívidas que a gestão Ducci deixou”, afirma.

Ele acredita que os produtores culturais e movimentos artísticos da cidade estão à procura de uma perspectiva radical, uma postura de ruptura por parte da administração Cordiolli. “Dessa gestão ainda se espera uma atuação transparente e um diálogo franco do que pode e do que não pode ser feito. Não um discurso que quer agradar a todos. Isso não existe no plano prático.”

Postura da instituição

De acordo com o superintendente da Fundação Cultural de Curitiba, Igor Cordeiro, a instituição enfrenta dificuldades como a falta de recursos financeiros vindos da prefeitura, desfalque de funcionários – o último concurso público foi realizado em 1994 – e ainda um revés advindo dos artistas, que dialogam pouco.

Para ilustrar melhor a relação dos artistas com a FCC, Cordeiro os compara a padeiros, apontando a importância de brigar por um espaço no mercado.“Não basta ter um pão gostoso, é preciso apresentá-lo da forma correta. Pouquíssimos projetos foram encaminhados quando o edital da Petrobrás foi lançado, por exemplo”, conta.

Ulisses Galetto, músico e integrante do Grupo Fato, concorda com essa posição. Ele avalia ser necessário que os artistas se apropriem do que os distinguem. “Nós artistas temos a responsabilidade de aparecer, chamar atenção.” E questiona: “O mercado vive de novidade. Se não as apresentamos, como queremos ser consumidos?”.

Todavia, o músico contesta algumas posições da FCC. Ele afirma que o grande problema não é apenas falta de recursos, mas as falhas que ocorrem durante os processos. Galetto alega que a Fundação Cultural de Curitiba deixou de investir cerca de 40 milhões de reais por causa de retardos nos editais. “São, pelo menos, quatro editais atrasados. O último foi aberto em dezembro de 2011 e seu resultado não saiu até agora”.

Como funciona a Lei e os editais de Incentivo

De uma maneira geral, os editais de incentivo seguem os mesmos padrões e são regidos a partir de uma lei de 1991. São diretos e subsidiados pelo Fundo Municipal de Cultura. A outra forma de angariar incentivos é através de empresas. O artista manda o projeto, que será avaliado e, depois de aceito, receberá recursos privados.

Uma terceira forma de buscar incentivos é a Lei Municipal de Cultura. O superintendente da Fundação Cultural de Curitiba, Igor Cordeiro aponta para a necessidade de uma reforma na Lei, no sentido de aprimorar o modo digital do procedimento, dando maior clareza para quem procura o benefício. “A humanização é a característica mais forte da gestão Cordiolli”, afirma o superintendente.

Quem está começando

Vitor Carvalho é estudante de música da Universidade Federal do Paraná e vocalista da banda Shall Be the Last. Ele acredita ser extremamente significativo o incentivo cultural para os artistas. De acordo com ele, têm faltado oportunidades para o produtor de cultura curitibano divulgar sua arte.

Segundo ele, o artista precisa de duas coisas: Espaço pra mostrar sua arte (espaço físico – shows e workshops) e dinheiro para gravar e divulgar o trabalho na mídia. “Essa oportunidade que é trazida através de incentivos monetários é muito diferente de divulgar o material através da internet. E é muito importante.”, comenta.

A banda Shall Be the Last (foto: Vitor Carvalho)

 

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