seg 18 out 2021
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SUS pode ter dificuldade de realizar cirurgia de reconstrução da mama imediatamente após a retirada do seio

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo. No Brasil, 52.680 novos casos foram esperados só em 2012. Além disso, as taxas de mortalidade continuam elevadas no país. No entanto, as chances de cura ainda são consideradas grandes, desde que o câncer seja diagnosticado nas fases iniciais.

Já é garantida por lei a cirurgia de retirada do tumor realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 1999, é garantida, também pelo SUS, a cirurgia de reconstituição do seio buscando melhorar a qualidade de vida das pacientes que passaram pelo câncer. Seguindo esse intuito, no dia 24 de abril foi criada uma nova lei que garante que essa cirurgia deve ser feita imediatamente após a da retirada do câncer, desde que a paciente esteja em condições e que haja aparato técnico. Se a plástica reparadora não for feita em curto prazo, a paciente pode reclamar seus direitos legalmente.

O objetivo disso é amenizar o sofrimento das mulheres e otimizar o processo de cura da doença. O problema é que a fila de espera é muito grande. Segundo dados do Inca, menos de 10% das pacientes conseguem fazer a plástica reparadora imediatamente após a cirurgia de retirada do câncer.

 

Cirurgia é fundamental para recuperação emocional da paciente (Foto: divulgação)

“A normatização de tornar um procedimento de liberação obrigatória no SUS e nos planos de saúde permitiu que mais mulheres tivessem acesso à reconstrução”, declara o cirurgião plástico Renato Pianowski. Segundo ele, a procura aumentou desde a criação da lei, mas alguns cuidados devem ser tomados para a realização da cirurgia. “A reconstrução deve ser de indicação médica. Não deve limitar e também não atrapalhar o tratamento adequado do câncer da mama.”, diz.

O chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Clínicas/UFPR e cirurgião plástico, Renato da Silva Freitas, diz que essa a cirurgia reparadora já era realizada pelo hospital em todas as pacientes com condições clínicas. “O problema ocorrerá em hospitais onde não há cirurgiões plásticos trabalhando pelo SUS. E há muitos. Os pacientes têm o direito, mas não há condições para sua realização”, afirma.

As operações podem ser realizadas uma imediatamente após a outra, a não ser em casos específicos, em que a paciente esteja sem condições de saúde. Entretanto, é necessário que o hospital disponha de equipamentos e de profissionais capacitados para fazer as cirurgias. Essa fator é que atrasa e alonga a espera de muitas pacientes.

Redução do sofrimento

Os planos de saúde tornaram-se a alternativa para quem tem condições de pagar. Sem muito tempo de espera, Marisa Lago, funcionária pública, diz ter tido um processo de reabilitação menos traumático graças a cirurgia de reconstrução. “A reconstrução das mamas reduz o sofrimento, preserva a auto-estima da mulher”, afirma.

Maristela Gavelaki, também realizou a cirurgia de reconstrução de mama logo em seguida a da retirada do tumor, sem utilizar o SUS. “Embora necessária para salvar a vida, a retirada da mama é uma mutilação no corpo da mulher. E de uma parte de sua feminilidade. Ficar sem um dos seios acaba com a auto-estima”, diz. A plástica reconstrutora, segundo ela, é muito importante para todo o processo de recuperação do câncer.

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