ter 06 out 2026
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Corrida eleitoral acelera produção em gráficas de Curitiba

Em cerca de 40 dias de campanha, pedidos de materiais eleitorais têm impacto positivo no lucro das empresas

Por Maria Beatriz Knopki

Em cerca de 40 dias de campanha eleitoral, a demanda das gráficas em todo o Brasil cresce e faz empresas organizarem suas rotinas. Exemplo disso é a gráfica Express, no centro de Curitiba, que viu sua produção mais que dobrar em relação a um período normal. Para o proprietário Alberto Gonçalves, o movimento provocado pelas eleições representa, no faturamento anual da empresa, o equivalente a um 13º, 14º e 15º mês de atividade.

Proprietário da gráfica desde 2001, Gonçalves conta que o período eleitoral concentra uma variedade de pedidos em um intervalo curto. Entre os materiais produzidos estão santinhos, cartões, folders e bottons, além de itens de comunicação visual, como adesivos e materiais perfurados. Neste ano, porém, a empresa optou por priorizar a papelaria devido à falta de mão de obra para o acabamento dos produtos.

Apesar do aumento na procura, o limite da gráfica não está na capacidade dos equipamentos. As máquinas conseguem imprimir grandes quantidades em pouco tempo, mas etapas como corte e acabamento dependem de trabalho humano. Em uma das máquinas da empresa, por exemplo, são impressas de 10 mil a 12 mil unidades por hora, dependendo do formato do material.

A produção também é marcada pela urgência. Segundo o proprietário, os candidatos não costumam fazer os pedidos com antecedência, já que a campanha se concentra em cerca de 40 dias. “Ele pede agora para querer pegar ontem”, resume, ao descrever a rapidez com que os materiais precisam ser produzidos.

Mesmo com o aumento dos pedidos eleitorais, a gráfica mantém o atendimento aos clientes tradicionais. A estratégia é adaptar a produção à capacidade das máquinas e da equipe, sem assumir serviços que possam comprometer os trabalhos já contratados. Isso porque o movimento provocado pelas eleições é intenso, mas temporário.

O avanço das campanhas digitais, por outro lado, não significou o fim dos materiais impressos. Gonçalves afirma que, nesta eleição, não percebeu redução nos pedidos da gráfica por causa das redes sociais. Na avaliação dele, as diferentes formas de comunicação cumprem funções distintas e continuam sendo utilizadas pelos candidatos.

Para o proprietário, a comunicação digital tem a vantagem de apresentar um custo muito menor, mas não produz o mesmo efeito que o contato presencial proporcionado pelos materiais físicos. Ele compara a chegada das redes sociais ao surgimento de outras tecnologias, como o rádio e a televisão, que também foram apontadas como possíveis substitutas da mídia impressa. Na avaliação dele, as novas plataformas acabam dividindo espaço com os meios anteriores, em vez de eliminá-los.

Nesta eleição, a gráfica atende principalmente candidatos a deputado estadual e federal. A quantidade de material solicitada, porém, não depende apenas do tamanho da campanha. Segundo Gonçalves, fatores como as coligações e o acesso a recursos partidários ou doações também influenciam o volume de impressos encomendados.

Apesar de concentrada em poucas semanas, a movimentação eleitoral já faz parte da rotina da gráfica. Gonçalves afirma que mantém clientes que o procuram há cerca de cinco eleições, mesmo com mudanças de partido ao longo do período. Para ele, o aumento da demanda exige equilíbrio entre a capacidade de produção e o compromisso com os clientes que permanecem depois que a corrida eleitoral termina.

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