seg 17 ago 2026
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Crime organizado desafia a segurança pública e exige novas estratégias de enfrentamento  

Por Heloísa Duarte 

Com ataques coordenados, tráfico, domínio de cidades e novas formas de atuação, as facções estão desafiando diariamente as forças de segurança pública com inovações na forma em que operam. O crime organizado se diferencia pela maneira como ele opera. São grupos que muitas vezes funcionam de maneira hierárquica, com divisão de tarefas e foco em lucro sistemático, mas atualmente estão deixando de ser grupos de criminosos locais e se tornando grandes redes estruturadas. 

Além da nova organização, os tentáculos das facçoes também estão expandindo o comando para novas cidades e estados. Em alguns casos, como o do PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior organização criminosa do Brasil, já expandiu até mesmo para outros países. 

O tema foi um dos mais debatidos no III Fórum Internacional de Ciências Policiais (FICP 2026), que aconteceu na última semana, em Curitiba. O evento reuniu pesquisadores e profissionais da área para discutir os desafios atuais da segurança pública. Um dos palestrantes do fórum foi Marcos Corrêa de Moraes, major da polícia militar de São Paulo, que alertou sobre a ampliação do crime organizado atualmente.

Domínio de Cidades e os novos desafios 

Uma das formas mais complexas de atuação das organizações criminosas são ações coordenadas contra cidades. O domínio desses municípios é realizado por  dezenas de criminosos com táticas militares, armamento de guerra e uso de civis como reféns para dificultar a resposta das forças de segurança. 

A ação, frequentemente associada ao chamado “novo cangaço”, foi tema da pesquisa do policial militar Samir de Oliveira Rodrigues, especialista em gerenciamento de crises. Rodrigues relata um dos principais obstáculos das forças para combater esses domínios. 

Segundo ele, a resposta não deve se concentrar no confronto imediato dentro da cidade. O especialista argumenta que o chamado Plano de Defesa busca isolar a atuação dos criminosos e conduzi-los para um ambiente mais seguro, reduzindo os riscos para a população e para os próprios agentes de segurança. 

Rodrigues também defende que o enfrentamento ao crime organizado depende de planejamento, integração entre instituições e do uso da inteligência para antecipar as ações dos criminosos. Segundo o especialista, a preparação das forças de segurança deve ir além da resposta imediata às ocorrências. Nesse sentido, ele entende que a “preparação das forças de segurança deve se apoiar em três pilares fundamentais: inteligência policial integrada, doutrina de planos de defesa e segurança pública baseada em evidências”. 

Na avaliação do policial militar, com o planejamento e a atuação integrada das forças de segurança é possível construir a resposta ao crime organizado antes mesmo de uma ocorrência acontecer. 

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