Por Mariú Buso

O 34º Festival de Curitiba contou mais um ano com o babilônico Milton Cunha para comandar sua abertura. Escalado na edição passada como Mestre de Cerimônias, nesse ano o carnavalesco trouxe um espetáculo idealizado especialmente para a ocasião, no maior palco do evento e com companhias de peso em duas noites de apresentação.

Cercado de nomes como Mestre Ciça, o homenageado da Viradouro, escola campeã do carnaval carioca este ano; Nilce Fran, reconhecida passista e vice-presidente da Portela; e Luara Bombom, passista do Salgueiro e rainha de bateria da Unidos de Santa Marta, Milton lecionou uma ‘aula-show’ sobre os segmentos das escolas de samba e suas narrativas.

Sobre a escolha da atração, o organizador do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz, explica que “a escola de samba é o maior espetáculo de artes cênicas do mundo, então se a gente puder ter isso dentro do festival, tem que ser no maior espaço.” A obra foi oferecida por Milton, e a viabilidade foi confirmada já próximo da venda dos ingressos, devido às logísticas com patrocinadores e grande número de convidados.

“As pessoas não sabem que aquilo é uma linguagem estruturada, que se repete nesse modelo de ritual, ano a ano”, justifica Cunha sobre a importância de contar a história desses componentes e apresentar seu esplendor no palco. Ele conduz o público ao longo da história, ressaltando a importância da ancestralidade e religiosidade afro-diaspórica ao abrir os trabalhos com Exu, representado por Demerson D’alvaro, que foi destaque interpretando a entidade na comissão de frente da Grande Rio em 2022.

O espetáculo logo apresenta o baluarte dos sambistas ali reunidos, Mestre Ciça no comando de seus ritmistas. Milton se diz sortudo, porque “nesse ano o sambista foi alçado à categoria de enredo e ganhou o carnaval”, construindo a narrativa em torno do mestre de bateria. Moacyr da Silva, o mestre Ciça, é considerado o “mestre dos mestres” por estar há 38 anos ininterruptos no apito e desfilar desde os 15 anos também como passista e mestre sala.

O palco é lotado por passistas de todas as gerações, destaques em fantasias imensas, sambistas de várias cidades e agremiações, representando toda a diversidade cultural do Carnaval. Antes de encerrar, Milton questiona o apagamento das escolas de
samba locais e chama aos holofotes a Escola campeã do Carnaval de Curitiba em 2026, a Deixa Falar. Membros de outras coirmãs curitibanas participaram também na percussão, enquanto os convidados interagiram com o público ao som dos clássicos “É hoje o dia da alegria, “Explode Coração” e “É segredo, não conto a ninguém. Sou Tijuca, vou além”.

Ressaltando a presença da cultura carnavalesca na cidade, e exaltando baluartes como Ciça, o show terminou com a bateria e o “Mestre caveira” – outro apelido do regente da Viradouro – no meio da plateia , fazendo a paradinha da campeã deste carnaval e com todos cantando o enredo que o sagrou símbolo: “Se eu for morrer de amor, que seja no samba”.

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