ter 30 nov 2021
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Ecossistema de inovação valoriza iniciativas de desenvolvimento urbano e sustentável

Projeto Vale do Pinhão ganha destaque no investimento em novos modelos de negócios e empreendedores locais, visando trazer em conjunto estratégias relacionadas ao impacto ambiental e social

Uma proposta de sustentabilidade e inovação fez Curitiba se destacar internacionalmente. No começo deste mês, a capital paranaense recebeu no México o prêmio Latam Smart City Awards 2021, que visa reconhecer as iniciativas das chamadas cidades inteligentes. 

O prêmio veio por conta do projeto do Vale do Pinhão. Criado em 2017, o projeto inicialmente foi voltado à reurbanização de Curitiba, mas, a partir do ano seguinte, teve a ampliação dos pilares do programa para cinco grandes frentes: desenvolvimento urbano, educação empreendedora e digital, tecnologia, legislação e incentivos fiscais e, por fim, articulação do ecossistema de inovação.

Os cinco pilares que servem de base do desenvolvimento no Vale do Pinhão (Arte: Izabela Morvan).

Cada uma dessas áreas desenvolve ações nos respectivos campos, liderados pela prefeitura em conexão com a Agência Curitiba, gestora do projeto. Segundo o professor e coordenador de Empreendedorismo e Incubação da Agência de Inovação na UFPR, Cleverson Cunha, a iniciativa surgiu a partir de uma conversa entre Thiago Campestrini, integrante de umas das empresas incubadas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o prefeito. A universidade possui até hoje um vínculo com a iniciativa, produzindo pesquisas, hackathons e oficinas voltadas ao empreendedor.

“O Vale do Pinhão acaba contribuindo com a universidade pelo fortalecimento do ecossistema, ao mesmo tempo em que as pesquisas e os projetos contribuem para o desenvolvimento de inovações”

Cleverson Cunha, professor e coordenador de Empreendedorismo e Incubação da Agência de Inovação na UFPR

Nesse ecossistema de fortalecimento, a Universidade estabelece presença no projeto também como participante ativa na formulação de políticas públicas, via o Conselho de Inovação de Curitiba. “Muito mais que um movimento, é uma forma de impulsionar o desenvolvimento de startups com esse olhar sobre a inovação. Acredito que a UFPR tem múltiplos papéis (no projeto), o primeiro sendo a formação de pessoas com essa visão”, reforça o professor.

Transformação Digital

Com o crescimento do ambiente digital, o mercado de inovação vem sendo fomentado com o surgimento de startups. Segundo o Índice César de Transformação Digital nas organizações em tempos de pandemia de 2020, 72,79% das empresas estão mais propensas ao investimento e à transformação digital dos negócios.

Para a presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento, Cris Alessi, esse resultado criou um suporte para quem ainda não estava preparado à digitalização. Foram iniciadas, então, capacitações sobre estratégias no mundo digital para os pequenos empreendedores e feirantes, profissionais que acabaram sendo diretamente afetados com a pandemia.

Outra iniciativa na área digital, são os cursos ofertados para estudantes, a proposta é investir na junção de startups à negócios tradicionais, com o incentivo à utilização desses programas na parceria do ecossistema, juntando o setor produtivo e público ao que está sendo produzido dentro das universidades.

“É muito importante a aproximação do ecossistema não só realizando projetos, mas planejando o que queremos para a cidade juntos, empregando na vida real, tanto do ambiente urbano da cidade como nos negócios”, conta a presidente.

Com Vale do Pinhão, Curitiba ganhou a categoria Ciudad Latam, sendo reconhecida pelos investimentos em estratégias de empreendedorismo sustentável (Foto: Izabela Morvan).

Rumo ao futuro

Tendo como um dos pilares o foco no empreendedorismo e inovação, o Vale do Pinhão mostra resultados com duas startups unicórnios, empresas avaliadas em mais de U$ 1 bilhão, desenvolvidas em seu ecossistema, Ebanx e MadeiraMadeira. 

O investimento na área de tecnologia aos novos empreendedores vem sendo feito por meio de programas de incentivo fiscal voltados à inovação, como o Tecnoparque, no qual a Prefeitura reduz em 5% os impostos pagos ao ISS para empresas de tecnologia aprovadas no Comitê de Fomento (COM).

Tais iniciativas trazem a atenção dos investidores, cada vez ganhando mais destaque como uma cidade voltada ao futuro, de forma sustentável e inteligente, diz Cris Alessi, “Os investidores enxergam esse ambiente positivo e que está crescendo, as empresas que estão aqui conseguem também se expor mais para o mercado, se tornando atrativas, não só aos investidores curitibanos, mas de todo o país”.

O reconhecimento internacional da cidade como polo de investimento – com o recebimento do prêmio de cidade inteligente pelo segundo ano -, vem através do impulsionamento do plano de sustentabilidade atual. 

O foco em novas implementações em energias renováveis, mobilidade urbana e o projeto de diminuição da emissão de carbono até 2050 são iniciativas que trazem atenção às novas produções e visam estabelecer o crescimento empresarial, junto às pautas de impacto ambiental e social.

Para mais informações, acesse o site do projeto.

Izabela Morvan
Estudante de Jornalismo pela UFPR
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