sáb 23 out 2021
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Equívocos nas pesquisas eleitorais colocam em xeque a confiança nos institutos de pesquisas

Os eleitores e especialistas perceberam uma grande discordância entre resultados apresentados por institutos de pesquisa e aqueles apresentados pelas urnas; ainda assim, a diferença não pode ser tratada como erro
Neste ano, tanto no primeiro quanto no segundo turno, foram observados vários resultados em pesquisas políticas que não se confirmaram no momento da apuração das urnas. As divergências entre estes resultados, em algumas cidades, ultrapassou muito a margem de erro prevista.

Em Curitiba, uma pesquisa divulgada pelo IBOPE no dia 6 de Outubro, véspera do primeiro turno, mostrava o candidato Gustavo Fruet com 21% das intenções de voto. O candidato Luciano Ducci, na mesma pesquisa, aparecia com 28% das intenções e era dado como certo para concorrer no segundo turno. No dia seguinte, após a apuração das urnas, o candidato Gustavo Fruet passou para o segundo turno com aproximadamente 28% dos votos.

“O caso de Curitiba foi realmente um erro na pesquisa do IBOPE, a pesquisa do Datafolha estava correta. As porcentagens de intenção de votos do Ducci e do Fruet foram publicadas invertidas, mas quanto aos outros casos, nunca vamos saber” afirma o cientista político Emerson Cervi.

Outro caso de erro, confirmado pelo próprio IBOPE, foi a pesquisa publicada com dois dias de antecedência da votação do primeiro turno em Natal. A pesquisa dava a vitória ao candidato Carlos Eduardo (PDT) já no primeiro turno. Na apuração das urnas, o candidato Hermano Moraes (PMDB) também passou para o segundo turno.

Hipóteses

A alternativa que mais se considera é a “migração” de eleitores de um candidato para outro. Tanto para Cervi quanto para o IBOPE, um dia é suficiente para que vários eleitores resolvam mudar seu voto e este fator de migração é perfeitamente aceitável quando se faz uma pesquisa.

Para Cervi, não há como saber exatamente o que leva à migração de eleitores. “Às vezes os resultados das pesquisas podem levar ao voto útil e às vezes o eleitor pode mudar de ideia por causa do próprio candidato”, explica.

De modo que, apesar de não haver certeza de quais fatores levam as pesquisas eleitorais a fugirem da margem de erro em certas situações, “não podemos chamar estas divergências de erros”, complete o cientista político.

Se forem observadas todas as pesquisas realizadas pelos institutos comercias durante as últimas eleições municipais percebemos que a quantidade das publicações que fugiram da margem de erro não ultrapassou um fator chamado de “margem de confiança” proposto pelos institutos. Para o IBOPE, por exemplo, a margem de confiança de todas as pesquisas realizadas é de 95%, ou seja, é possível que 5% de todas as pesquisas realizadas apresentem resultados que fujam da margem de erro de 6% (3% para mais ou 3% para menos) considerada individualmente nas alternativas propostas. Fato que não foi constatado se forem observadas todas as pesquisas realizadas.

Do que vemos que a pesquisa pode realmente influenciar as eleições, mas em poucos momentos os resultados divulgados podem conter erros propositais ou acidentais.

Outros casos

1- Eleições para prefeito em São Paulo, 2012 – o candidato Fernando Haddad (PT) venceu no segundo turno com 55% dos votos contra o candidato José Serra (PSDB). As primeiras pesquisas eleitorais do primeiro turno apontavam o candidato com aproximadamente 5% dos votos. O candidato favorito para disputar o segundo turno, Celso Russomano (PRB) aparecia com 34% das intenções de votos uma semana antes da votação.

2- Eleições para prefeito em Salvador, 2012 – O Candidato ACM Neto (DEM) manteve aproximadamente 40% das intenções de voto durante quase todas as pesquisas realizadas durante o primeiro turno, exceto a última, publicada pelo IBPOPE no dia 6 de Outubro, na qual seu adversário Pelegrino (PT) assumiu a liderança nas intenções. ACM Neto venceu no segundo turno.

3- Eleições para senador no Paraná, 2010 – O candidato Gustavo Fruet ficaria 20% a baixo de Requião de acordo com as intenções de voto. Na apuração das urnas: Requião com 24,8% e Gustavo Fruet com 23,1%.

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