qua 27 out 2021
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Financiamento coletivo é uma alternativa para a realização de novos projetos

A viking Lif e seu cachorro Carne, são os personagens do livro Navio Dragão, que arrecadou 20mil reais a mais do que a meta prevista (foto: divulgação).
A viking Lif e seu cachorro Carne, são os personagens do livro Navio Dragão, que arrecadou R$ 20 mil a mais do que a meta prevista (Foto: Divulgação)

Financiamento coletivo ou crowdfunding, é o que o próprio nome diz: obter investimento de pessoas que acreditaram e gostaram da sua ideia. Normalmente, é feito por meio de sites especializados em mobilizar, juntar e expor projetos culturais, tecnológicos e sociais para que um grande público tenha acesso. Essas plataformas já fazem muito sucesso no exterior e também estão crescendo no Brasil.

Ao “inscrever sua ideia” os sites pedem que se estabeleça uma meta de capital a ser arrecadado e um prazo.  A partir disso, ajudam na divulgação dela, mas muito cabe ao criador do projeto. É o que conta Daniel Dipp, Fundador da Escola Quíron, projeto de educação social financiado através do  Catarse, um dos sites de crowdfunding mais utilizado no país, “A própria rede do financiado é que normalmente ajuda, o site não necessariamente conecta você ao mundo. É muito da responsabilidade do criador”.  Daniel optou por este tipo de financiamento para ganhar visibilidade e reconhecimento nacional, mas também por ser “um bom empurrão para tirar a ideia do papel”.

São vários os exemplos de pessoas que, para colocarem seus projetos em prática, preferem este tipo de financiamento a buscar o patrocínio de grandes empresas. Um dos prós da opção é que serve de termômetro para a recepção do público, já que é necessário que ao menos se consiga a meta no prazo estabelecido ou o dinheiro é devolvido.

Mas esse não foi o caso de Rebeca Prado, que iniciou um projeto para financiar seu livro de quadrinhos, Navio Dragão. As histórias eram, desde 2013, publicadas em uma página do Facebook, e rapidamente fizeram sucesso. Assim, veio o pedido dos fãs para o lançamento de um livro com as tirinhas de Prado, estrelando a viking rabugenta Lif. Então, a autora teve a ideia de publicá-lo através de um financiamento público, e no início de 2015, criou uma página no site Catarse, que atingiu mais que o dobro da meta original estabelecida, de 15 mil reais. “Eu sempre tive o sonho de ter meu quadrinho publicado, então aproveitei a força que estava recebendo dos leitores e busquei coragem para correr atrás de formas de publicar”, explica Rebeca.  Com a grande ajuda do público, além de conseguir publicar o livro da Lif, Rebeca também conseguiu financiamento para um gibi do Carne, o cachorro da protagonista.

Os financiadores

As recompensas variam para cada projeto. No caso do Navio Dragão, vai de botons e cards, até o livro completo. (foto: divulgação)
As recompensas variam para cada projeto. No caso do Navio Dragão, vai de botons e cards, até o livro completo (Foto: Divulgação)

Para Nicholas Kochinski, financiador em sites coletivos, principalmente em projetos culturais e jogos de vídeo game, incentivar uma boa ideia é uma forma de fazer com que coisas novas sejam criadas “acho importante porque se acaba, primeiramente, patrocinando coisas do seu interesse, assim coisas que se crê que sejam boas e que a maioria das pessoas gostam são mais promovidas e desenvolvidas”, explica. Outro benefício, segundo ele, é a maior liberdade, já que não se depende de uma empresa patrocinadora específica. Mas acha que o serviço só serve para o começo do projeto, no futuro caberá ao criador buscar meios de sustentá-lo “serve mais para projetos pequenos que se tornarão grandes e, a partir daí, não irão mais precisar desse tipo de financiamento. Precisarão reunir outros profissionais, agora, para ajudar e levar a ideia adiante” afirma Nicholas.

Guilherme Jakotenski também é um financiador frequente de projetos pela internet, inclusive ajudou o “Navio Dragão”. Ele financia projetos que considera únicos. Gosta ainda mais porque, ao ajudar, normalmente recebe antes de todo mundo o livro, jogo ou quadrinho que promoveu. Conta que na maioria dos financiamentos que participou, já havia visto o trabalho em outros lugares, como foi com as histórias de Rebeca. “Conheço o trabalho e o autor antes e se acho que tem futuro e gosto, com certeza ajudo”, comenta Guilherme.

“Nossa causa”

Ligada a essa nova forma de mobilização está a empresa social de comunicação de impacto Nossa Causa que trabalha orientando e auxiliando projetos sociais que geram benefícios para a sociedade. Mas, muitas vezes, precisam de orientação para administrar suas redes sociais e para arrecadar financiamentos. Amanda Ferreira, representante da empresa, aponta a importância do crowdfunding para obter pequenas quantias e para envolver ainda mais pessoas no objetivo, ela afirma que “é a melhor ferramenta disponível para envolver pessoas na causa”.  

Um dos projetos financiados desta forma foi o da Casa do Contador de Histórias de Curitiba que, desde 1999, contava histórias para resgatar a autoestima de pessoas em situação de risco social. Em maio de 2014 sua sede no bairro São Francisco sofreu um incêndio que destruiu o telhado e o primeiro andar do prédio. Muitos computadores, documentos e mobiliários foram danificados. A agência Nossa Causa então ajudou a criar uma página de financiamento coletivo para arrecadar fundos e reconstruí-la, e a Casa foi reaberta em março de 2015.

A corrida do Pernas, pra que te quero, será realizada no dia 21 de junho e para quem não vai correr, pode ajudar com a doação, que também recebe recompensas, como camisetas e bonés. (foto: divulgação)
A corrida do Pernas pra que te quero, será realizada no dia 21 de junho e para quem não vai correr, pode ajudar com a doação, que também recebe recompensas, como camisetas e bonés. (foto: divulgação)

Agora a agência está promovendo um projeto chamado Pernas pra que te quero, que consiste na inclusão de 20 crianças cadeirantes numa corrida promovida pela prefeitura, com a ajuda de 60 corredores que se revezarão empurrando as cadeiras. A empresa conta com ajuda da ONG Associação Paranaense de Reabilitação e outras duas empresas sociais que estão arrecadando fundos por financiamento coletivo.

Um projeto inovador seja social, como o jornalismo cidadão, por exemplo, tecnológico ou artístico que não possui recursos próprios para seguir em frente pode ser financiado por uma dessas plataformas. Qualquer pessoa pode colocar seu projeto à disposição, mas o criador deve “vender sua ideia” da melhor forma possível para atrair pelo menos a meta que estabeleceu no prazo dado. O maior site de financiamento brasileiro é o Catarse.me que já teve quase dois mil projetos financiados, 200 mil apoiadores e mais de 25 milhões de reais arrecadados em projetos publicados e está aberto a novas ideias.

Caso queira saber mais sobre o Financiamento Coletivo, o Catarse tem uma pesquisa publicada no site, com um retrato do Financiamento Coletivo no Brasil entre 2013 e 2014.

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