sáb 27 nov 2021
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A um ano das eleições, conheça caminhos para ampliar participação de mulheres na política

Relatório aponta que participação feminina no Congresso é de apenas 15%. Para especialista, apesar de avanços na legislação, pandemia e estrutura patriarcal dos partidos prejudicam eleição de mulheres

A pouco menos de um ano para o primeiro turno das eleições de 2022, previsto para 2 de outubro de 2022, a questão da representatividade na política continua sendo um dos principais desafios para as mulheres. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2020, a representação feminina no Congresso Nacional é de apenas 15%. Na contramão, em um país em que 52% da população é composta por mulheres, 56,9% vivem em situação de pobreza, sem parceiros e com filhos e ganham em média 20,5% menos que os homens.

Vários são os desafios encontrados pelas mulheres para alcançarem os espaços políticos. Antes de darem início à carreira, uma mulher precisa escolher o partido por onde irá lançar a candidatura até seis meses antes das eleições, conversar sobre a pretensão eleitoral e efetivar a filiação partidária.

O primeiro desafio se encontra no interior da estrutura política dos partidos. Para a advogada e presidenta do Instituto Política por.de.para Mulheres, Letícia Regina Kreuz, os partidos são estruturas marcadas pelo patriarcado. “Via de regra, são formados por sujeitos que possuem um capital simbólico, político e econômico que reproduzem o desejo de manutenção dos grandes nomes no poder”, avalia.

A ideia é que a candidata opte pelo partido que ofereça melhores condições para a disputa eleitoral, como financiamento para a campanha, materiais de divulgação, tempo de rádio e televisão e, finalmente, agenda conjunta com candidatos influentes.

A segunda barreira rumo à eleição é a distribuição do fundo eleitoral. Em muitos casos, as candidaturas femininas sofrem com a falta de investimentos, o que dificulta a disputa. “Se a candidatura não recebe o incentivo financeiro do partido, ou recebe um valor muito aquém do que se espera, certamente essa pessoa terá mais dificuldade para se eleger”, explica a advogada.

Após a efetivação da candidatura é preciso montar uma equipe de campanha, composta por pessoas preparadas e que possuam conhecimento sobre os processos eleitorais. Além de uma equipe habilidosa, uma boa candidatura deve contar com um planejamento estratégico, que será importante para determinar quais ações serão realizadas e como os recursos serão utilizados em seu potencial máximo.

Por fim, a definição de uma mensagem de campanha clara, concisa e consistente e a construção de uma estratégia eleitoral eficaz dentro das redes sociais são essenciais para o sucesso da campanha.

Eleições de 2022 e a representação feminina

Diante dos desafios que surgiram com a pandemia, certamente as candidaturas femininas serão impactadas pelas consequências do novo coronavírus. “A pandemia trouxe um peso muito maior do chamado ‘terceiro turno de trabalho’. Com a chegada do home office, a rotina se tornou ainda mais cansativa e voltada ao lar, o que nos afastou da disputa política”, conta Letícia Kreuz.

As candidaturas fictícias também devem estar presentes nas disputas do ano que vem. Elas ocorrem quando determinados partidos buscam preencher a cota feminina de 30% com mulheres que não desempenham atividades da campanha.

Para a presidenta do Instituto de.por.para Mulheres, essas candidaturas são muito difíceis de serem identificadas. Por isso, devem ser enfrentadas a partir de medidas preventivas: “Precisamos avaliar melhor as chapas, realizar algumas vistorias e averiguar se a mulher possui materiais e recursos do partido para fazer a campanha. Já observamos casos em que mulheres não fazem campanha ou fazem para os seus companheiros”.

Nos últimos anos, algumas medidas implementadas pelo Congresso foram importantes para o avanço da representação feminina. A citada cota de candidaturas por gênero, estabelecida em 30%, a consequente criminalização das candidaturas fictícias e a criminalização da violência política de gênero, seja nas eleições ou no exercício de qualquer função política ou pública, são os principais avanços.

“Recentemente, aprovamos que as mulheres eleitas e os votos destinados a elas contam em dobro para a composição do Fundo Partidário e Fundo Eleitoral. Agora, as lideranças partidárias vão pensar duas vezes em não indicar uma mulher para concorrer às eleições parlamentares”, afirma Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).

Construção de campanhas femininas

Para quem tem interesse em dar início na carreira política, existem iniciativas que disponibilizam cursos de iniciação e formação política para as candidatas. “Não basta incentivar as candidaturas femininas, é preciso fornecer um arsenal de batalhas para que elas possam entrar nos espaços públicos da política”, reforça Letícia.

O Instituto Política de.po.para Mulheres teve início dentro um grupo de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A partir disso, a instituição buscou se expandir para além dos muros da universidade. A organização sem fins lucrativos disponibiliza cursos de formação política para mulheres, que visam ampliar a participação feminina no Congresso.

“Iniciativas como essa são importantes para a criação de espaços onde as mulheres se sintam confortáveis para dialogar sobre o cenário político e estabelecer uma troca entre as experiências de outras colegas”, afirma a presidenta do Instituto.

Quer saber mais sobre o Política de.por.para Mulheres e conhecer os cursos oferecidos? Conheça os perfis da instituição no Instagram e no Facebook . Ficou curioso sobre os passos e os procedimentos necessários para a construção de uma carreira política? Acesse o manual Campanha de Mulher.

Mayala Fernandes
Estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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