qui 21 out 2021
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História de Cora Coralina chega aos palcos durante Festival de Teatro

“Procurei a morada da Fortaleza. Ela me fez entrar: deu-me veste nova, perfumou meus cabelos… Fez-me beber de vinho. Acertei o meu caminho”. Os versos profundamente autobiográficos de A Procura são os primeiros a serem recitados na peça que conta a história de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas, mais conhecida por seu pseudônimo. Cora Coralina é uma das últimas atrações da mostra Fringe do Festival de Teatro de Curitiba. Misturando poesia, música e imagens, o espetáculo se propõe a transportar o público para o universo de uma das maiores escritoras brasileiras.

A apresentação de cerca de 60 minutos se passa integralmente na cozinha da casa em que a poetisa cresceu, em Goiás. Já no fim da vida, uma Cora saudosista – interpretada de maneira brilhante por Ana Maturano – relembra sua trajetória, mesclando o texto de Malu e Luciano Santiago com poemas da própria Coralina, que assinava textos em jornais desde a adolescência mas só conseguiu publicar o primeiro livro em 1965, aos 76 anos.

Ana Maturano dá vida à poetisa e contista Cora Coralina (Foto: Divulgação)

 

Uma cortina fina e transparente separa o palco da plateia, dando a impressão de névoa, sonho e lembrança para a peça. Em determinados momentos, o tecido é utilizado como tela, onde vídeos e fotos são projetados, ilustrando não só a obra mas também os pensamentos, epifanias e ideias da protagonista. A técnica faz com que as imagens dividam o palco com Maturano, se fundindo com a atriz, que fica no fundo do cenário. Jogos de luz e sombra também são utilizados para acentuar a intensidade e emoção dos eventos narrados durante o espetáculo.

Com um texto leve, encantador e divertido, Cora Coralina emociona na medida certa. Mais do que contar a história de uma grande poetisa, a peça foca no que a escritora foi na maior parte de sua vida: uma mulher forte e independente que contrariou todas as expectativas e, como a própria fez questão de afirmar mais de uma vez em sua obra, traçou o próprio destino à revelia do que estava previsto para ela.

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