seg 17 ago 2026
HomeCidadeIII Fórum Internacional de Ciências Policiais reúne mais de mil participantes em...

III Fórum Internacional de Ciências Policiais reúne mais de mil participantes em Curitiba

Evento sediado na Unespar reuniu mais de mil congressistas e registrou a maior produção científica desde a primeira edição do fórum

Por Emily Silveira

Mais de mil profissionais e pesquisadores da área de segurança pública reuniram-se em Curitiba nos dias 23 e 24 de julho para o III Fórum Internacional de Ciências Policiais. Sediado na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) e organizado pelo Instituto Arrecife, o evento discutiu como o uso de perícias técnicas, pesquisas científicas e novas tecnologias podem ajudar a combater o crime e melhorar a atuação policial

O FICP integrou três eventos em uma única programação: o fórum internacional, o I Encontro Paranaense de Ciências Forenses e o II Seminário de Gestão em Segurança Pública do Paraná (RESTEC-GESP). A iniciativa contou com apoio do Governo do Estado do Paraná, por meio das Secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e da Segurança Pública (SESP).

Ao todo, o fórum recebeu 1.046 participantes confirmados, de 21 estados brasileiros e de quatro países: Brasil, Estados Unidos, Uruguai e Angola. Do total de inscritos, 89 cidades brasileiras estiveram representadas, sendo 49 municípios paranaenses. A capital paranaense concentrou 620 participantes, enquanto cidades do interior como Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu também enviaram comitivas.

O perfil do público mostrou forte presença de profissionais atuantes no setor e alto nível acadêmico. Cerca de 35% dos participantes (367 pessoas) atuam diretamente nas forças de segurança do estado. Além disso, 57% do público possui pós-graduação, reunindo 181 mestres e doutores, e 27% dos presentes apresentaram trabalhos de conclusão de curso do programa RESTEC-GESP.

Ciência, residência técnica e impacto institucional

Danyelle Stringari, coordenadora do programa RESTEC-GESP e professora da Universidade Estadual do Paraná, pontuou que os estudos representam um subsídio real para a segurança pública, com reflexos diretos na revisão de protocolos, em políticas de proteção à mulher e a vítimas de violência doméstica, em estratégias de ressocialização e no uso mais seguro de tecnologias na perícia. 

A docente destacou ainda o impacto institucional da iniciativa ao apontar que, ao apresentarem trabalhos ao lado de pesquisadores internacionais, os residentes vivenciam uma experiência que transforma a atuação futura dentro de suas próprias corporações, representando profissionais formados pelo sistema que devolvem ciência para o próprio sistema.

Articulação entre forças e debates estratégicos

Para a organização do evento, o diferencial da iniciativa está na integração entre diferentes órgãos e na aplicação do conhecimento científico na rotina policial. Segundo Luiz Ramiro, organizador do FICP, a articulação entre instituições é fundamental para enfrentar os desafios da segurança pública no Brasil.

Ramiro ressaltou ainda o papel das parcerias estaduais para realizar o evento no espaço universitário. A  proposta teve apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, sob gestão do secretário Aldo Bona, o que garantiu a participação das corporações locais e a presença de pesquisadores internacionais.

A palestra de abertura foi ministrada pelo doutor Daniel J. Wescott, diretor do Forensic Anthropology Center da Texas State University, nos Estados Unidos. O especialista tratou da antropologia forense e da importância do policiamento baseado em evidências. Ao longo da programação, 56 especialistas debateram temas variados em nove mesas temáticas e cinco painéis. Entre os assuntos abordados estiveram o uso de inteligência artificial na investigação, cibersegurança, combate ao crime organizado, prevenção à violência contra a mulher, saúde mental de policiais e gestão de crises em grandes desastres.

Recorde em produção científica

O evento de 2026 registrou o maior volume de produção científica desde a primeira edição do fórum, somando 300 trabalhos acadêmicos apresentados. A maior parte esteve concentrada no II Seminário RESTEC-GESP, que reuniu 281 estudos feitos por residentes técnicos e servidores estaduais. Nesse grupo, a Polícia Penal do Paraná (DEPPEN/PR) foi a instituição com maior produção científica, somando 136 trabalhos, seguida pela Polícia Científica (47), Polícia Militar (27) e Polícia Civil (25).

As outras duas frentes reuniram 13 pesquisas no I Encontro Paranaense de Ciências Forenses, coordenado pela UFPR, abordando temas como identificação de drogas por inteligência artificial e uso de blockchain em provas digitais. Além disso, o Seminário de Pesquisa do FICP reuniu 6 estudos voltados para análise de reconhecimento facial, monitoramento eletrônico e saúde mental.

Com a consolidação dos debates e o expressivo volume de dados apresentados, o FICP encerra sua terceira edição reafirmando a relevância da produção acadêmica para o fortalecimento das instituições de segurança pública e para a formulação de políticas baseadas em evidências no Paraná.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Acessar o conteúdo