Por Emily Silveira
Mais de mil profissionais e pesquisadores da área de segurança pública reuniram-se em Curitiba nos dias 23 e 24 de julho para o III Fórum Internacional de Ciências Policiais. Sediado na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) e organizado pelo Instituto Arrecife, o evento discutiu como o uso de perícias técnicas, pesquisas científicas e novas tecnologias podem ajudar a combater o crime e melhorar a atuação policial
O FICP integrou três eventos em uma única programação: o fórum internacional, o I Encontro Paranaense de Ciências Forenses e o II Seminário de Gestão em Segurança Pública do Paraná (RESTEC-GESP). A iniciativa contou com apoio do Governo do Estado do Paraná, por meio das Secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e da Segurança Pública (SESP).
Ao todo, o fórum recebeu 1.046 participantes confirmados, de 21 estados brasileiros e de quatro países: Brasil, Estados Unidos, Uruguai e Angola. Do total de inscritos, 89 cidades brasileiras estiveram representadas, sendo 49 municípios paranaenses. A capital paranaense concentrou 620 participantes, enquanto cidades do interior como Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu também enviaram comitivas.
O perfil do público mostrou forte presença de profissionais atuantes no setor e alto nível acadêmico. Cerca de 35% dos participantes (367 pessoas) atuam diretamente nas forças de segurança do estado. Além disso, 57% do público possui pós-graduação, reunindo 181 mestres e doutores, e 27% dos presentes apresentaram trabalhos de conclusão de curso do programa RESTEC-GESP.
Ciência, residência técnica e impacto institucional
Danyelle Stringari, coordenadora do programa RESTEC-GESP e professora da Universidade Estadual do Paraná, pontuou que os estudos representam um subsídio real para a segurança pública, com reflexos diretos na revisão de protocolos, em políticas de proteção à mulher e a vítimas de violência doméstica, em estratégias de ressocialização e no uso mais seguro de tecnologias na perícia.
A docente destacou ainda o impacto institucional da iniciativa ao apontar que, ao apresentarem trabalhos ao lado de pesquisadores internacionais, os residentes vivenciam uma experiência que transforma a atuação futura dentro de suas próprias corporações, representando profissionais formados pelo sistema que devolvem ciência para o próprio sistema.
Articulação entre forças e debates estratégicos
Para a organização do evento, o diferencial da iniciativa está na integração entre diferentes órgãos e na aplicação do conhecimento científico na rotina policial. Segundo Luiz Ramiro, organizador do FICP, a articulação entre instituições é fundamental para enfrentar os desafios da segurança pública no Brasil.
Ramiro ressaltou ainda o papel das parcerias estaduais para realizar o evento no espaço universitário. A proposta teve apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, sob gestão do secretário Aldo Bona, o que garantiu a participação das corporações locais e a presença de pesquisadores internacionais.
A palestra de abertura foi ministrada pelo doutor Daniel J. Wescott, diretor do Forensic Anthropology Center da Texas State University, nos Estados Unidos. O especialista tratou da antropologia forense e da importância do policiamento baseado em evidências. Ao longo da programação, 56 especialistas debateram temas variados em nove mesas temáticas e cinco painéis. Entre os assuntos abordados estiveram o uso de inteligência artificial na investigação, cibersegurança, combate ao crime organizado, prevenção à violência contra a mulher, saúde mental de policiais e gestão de crises em grandes desastres.
Recorde em produção científica
O evento de 2026 registrou o maior volume de produção científica desde a primeira edição do fórum, somando 300 trabalhos acadêmicos apresentados. A maior parte esteve concentrada no II Seminário RESTEC-GESP, que reuniu 281 estudos feitos por residentes técnicos e servidores estaduais. Nesse grupo, a Polícia Penal do Paraná (DEPPEN/PR) foi a instituição com maior produção científica, somando 136 trabalhos, seguida pela Polícia Científica (47), Polícia Militar (27) e Polícia Civil (25).
As outras duas frentes reuniram 13 pesquisas no I Encontro Paranaense de Ciências Forenses, coordenado pela UFPR, abordando temas como identificação de drogas por inteligência artificial e uso de blockchain em provas digitais. Além disso, o Seminário de Pesquisa do FICP reuniu 6 estudos voltados para análise de reconhecimento facial, monitoramento eletrônico e saúde mental.
Com a consolidação dos debates e o expressivo volume de dados apresentados, o FICP encerra sua terceira edição reafirmando a relevância da produção acadêmica para o fortalecimento das instituições de segurança pública e para a formulação de políticas baseadas em evidências no Paraná.


