Nos dias de hoje, marcados pelo amadurecimento da tecnologia, os “games” e as redes sociais fizeram as telas tomarem o lugar da diversão e do entretenimento das crianças. O espaço que antes costumava ser palco de brincadeiras, como quadras, ruas e parquinhos, são menos procurados, o que fez as atividades físicas serem cada vez mais deixadas de lado pela população jovem.
De acordo com os estudos da pesquisadora Renata Maria Silva Santos, em sua tese defendida no Programa de Pós-graduação em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG, o uso excessivo de telas pode ser associado à piora no quadro da saúde mental das pessoas, independentemente da idade, podendo causar uma piora no rendimento escolar, problemas de sono, ansiedade, depressão e falta de foco. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que se deve praticar no mínimo 60 minutos diários de atividade física na faixa etária de 5 a 17 anos, mas as estimativas mundiais de 2010 mostram que 81% dos adolescentes não atendem a essas recomendações, com quase nenhuma melhora observada durante a última década.
Brincadeiras ao ar livre e que estimulem o desenvolvimento motor dos jovens são benéficas para a socialização, favorecendo na convivência das crianças e na saúde física e mental de cada um. Segundo a pedagoga e professora de educação física Patricia Alves, “o ser humano é o movimento. Se o ser humano não se movimenta, a tendência é ficar com dor e essas dores podem, futuramente, desenvolver outros problemas de saúde”.
“O ser humano é o movimento. Se o ser humano não se movimenta, a tendência é ficar com dor e essas dores podem, futuramente, desenvolver outros problemas de saúde”.
Patricia Alves
De acordo com Patricia Alves, antes da explosão da era digital, as crianças eram mais ativas. Ao longo de seu percurso na profissão como docente, ela afirma ter notado que as crianças brincavam mais, eram menos estressadas, mais pacientes e disciplinadas. Ela explica que hoje em dia nota-se nas crianças uma agressividade que acaba sendo levada para as escolas, cenário que não se observava quinze atrás. “Conforme a tecnologia avança (…), você percebe que as crianças hoje em dia são muito agitadas e não conseguem prestar atenção por dez minutos. Difícil.” afirma ela.
Nesse cenário, é visível a importância que o profissional acadêmico, os educadores e especialistas carregam. Estratégias pedagógicas inovadoras nascem para provar que a tecnologia não é de todo má, e que pode ser benéfica quando bem utilizada. É importante, portanto, que sejam feitas adaptações de currículo. A pedagoga Patricia Alves afirma integrar essa ideia, ela trabalha com brincadeiras tradicionais como pega-pega, roda-cutia, ciranda-cirandinha e queimada, e as adapta para formatos que chamem o interesse da nova geração. Esse tipo de adaptação é difícil, continua ela, e pode ser bem trabalhoso, mas mesmo nos dias de hoje, é também possível.



