Por Natali Schovarts e Amábili Gomes
A gestão de desastres naturais no Paraná enfrenta obstáculos estruturais que comprometem o atendimento à população e geram perdas financeiras. Levantamentos do Ministério Público de Contas do Paraná (MPC-PR) indicam que falhas administrativas e a ausência de planejamento nos municípios têm dificultado a resposta a eventos climáticos extremos. A situação explicita a necessidade de integração de dados e do suporte de tecnologias avançadas para aprimorar os sistemas de alerta.
Um dos problemas identificados é o descompasso de informações entre as esferas de governo. Segundo os relatórios do MPC-PR, a perda do prazo máximo de dez dias para o registro de ocorrências no sistema federal resultou num prejuízo estimado em R$ 52,5 milhões aos cofres públicos num grupo crítico de 16 municípios. Sem o reconhecimento federal, as prefeituras ficam impedidas de receber repasses do Fundo Nacional de Proteção e Defesa Civil, o que afeta diretamente a reconstrução de infraestruturas locais. A falha também impede os cidadãos mais vulneráveis de levantarem benefícios sociais, como o Saque Calamidade do FGTS e a antecipação do Bolsa Família.
O déficit técnico municipal agrava este cenário. O levantamento revela que 78,6% das prefeituras avaliadas não possuem um engenheiro civil na sua estrutura de Defesa Civil, sendo este o profissional responsável pela emissão dos relatórios exigidos pela União. O pesquisador Wagner Rocha assinala que os pequenos municípios operam sem orçamento próprio para desastres e sofrem com o abandono estrutural e o sucateamento. Rocha refere que existe um “foco excessivo na resposta e burocracia emergencial” que se sobrepõe à prevenção, destacando ainda que 62% destes municípios não incluem o registo de famílias residentes em áreas de risco.
Para superar estas fragilidades, a Defesa Civil Estadual presta suporte técnico contínuo. O Capitão Marcos Vidal explica que a presença de um corpo técnico estadual qualificado procura suprir as limitações das equipes locais na elaboração de planos de contingência e na captação de recursos. O Fundo Estadual de Calamidades Públicas já investiu mais de 100 milhões de reais em obras de recuperação e prevenção. Deste montante, cerca de 18 milhões de reais foram destinados nos últimos oito meses para ações de drenagem e desassoreamento. A emissão de alertas diretos aos cidadãos, via SMS ou WhatsApp, é outra medida implementada para antecipar a adoção de medidas protetivas.
A transição para um modelo preventivo beneficia também de recentes inovações tecnológicas. Um estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) introduziu um modelo de inteligência artificial para tornar as previsões de enxurradas mais seguras. A ferramenta tem a capacidade de incorporar as incertezas presentes nos dados hidrometeorológicos captados. Desta forma, o modelo informa o grau de confiança de cada previsão por meio da geração de faixas probabilísticas, conferindo maior robustez aos sistemas de alerta precoce e garantindo um suporte mais preciso às decisões operacionais da Defesa Civil durante eventos extremos.
A busca por soluções integradas, o emprego de tecnologia no monitoramento e os caminhos para fortalecer a governança ambiental no estado estão entre os principais temas do III Fórum Internacional de Ciência Policial, realizado em Curitiba. Para acompanhar os debates sobre o fortalecimento das estruturas de prevenção, confira o episódio “Planos de redução de risco e a previsão de catástrofes no Paraná”, produzido por Natali Schovarts e Amábili Gomes, como parte da cobertura especial do evento para o Jornal Comunicação e Rádio UniFM.
Serviço
- III Fórum Internacional de Ciências Policiais (FICP 2026)
- Data: 23 e 24 de julho de 2026.
- Local: Unespar – Campus Curitiba I – Auditório Mário Schoemberger.
- Endereço: Rua Barão do Rio Branco, nº 370 – Centro – Curitiba.
- Inscrições gratuitas no site do evento.


