seg 18 out 2021
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Metrô de Curitiba volta para a fase de planejamento

O projeto do metrô em Curitiba foi considerado “inconsistente” pela Comissão de Revisão do Projeto do Metrô.  Depois de uma década e de mais de 11 milhões de reais gastos com estudos e planejamentos, o projeto agora volta ao início e vai precisar de novas análises. O trajeto permanece o mesmo, ligando, em uma primeira etapa, a Cidade Industrial ao centro.

Segundo o representante da Comissão de Revisão, Cesar Rissete, as falhas do planejamento não são novidades e o Tribunal de Contas havia feito alertas em 2011. “Já havia algumas sinalizações de falha no material, então, com a mudança de gestão do governo, resolvemos reanalisar a viabilidade do projeto”, explica.

Novos estudos mostraram que um número menor de pessoas vai utilizar o meio de transporte, contrapondo as estimativas do projeto antigo. Outro aspecto revisto foi o orçamento para os métodos construtivos. Apesar dos equívocos, segundo a prefeitura, o projeto não mudará por completo.

 

Depois de dez anos, metrô curitibano volta para fase de planejamento.
Foto: Reprodução

Métodos de escavação

A forma de execução é um dos tópicos que deve ser revisto. São três métodos possíveis: Cut and Cover, NATM e Shield. O primeiro é um método que cava o espaço, retira os entulhos, e depois cobre novamente.

O método NATM é mais recomendado para lugares com muitas curvas e também para construções de estações. Funciona melhor em profundidas maiores que 15 metros.

O Shield é uma máquina tuneladora. É o método mais caro dos três. A máquina, ao perfurar, não interfe na superfície e simultaneamente instala o revestimento da área. A escavação pode alcançar 30 metros abaixo do solo.

Rissete explica que, com a revisão, os três métodos podem ser empregados simultaneamente. “É preciso verificar o melhor método para cada parte da construção, como curvas, terreno, entre outras características, para que a reforma seja completamente viável”, afirma.

 

Metrô não é a única opção

 

Para o especialista em trânsito e transporte coletivo Garrone Reck, o metrô não é a única opção de transporte alternativo em Curitiba. “Há boas possibilidades de ampliação de capacidade e melhoria do sistema já conhecidas, como o BRT (Bus Rapid Transit), VLT (veículo leve sobre trilhos) e VLP (veículo leve sobre pneus)”, reforça.

O importante, para ele, é estudar as necessidades da demanda urbana e metropolitana, para depois de uma avaliação da viabilidade técnica, financeira e ambiental, selecionar qual a melhor opção de transporte.

“Precisamos de soluções de transporte coletivo de alta capacidade e nossa primeira opção foi o metrô. Porém, as empresas podem sim mandar outras formas, contanto que seja justificado e esteja dentro das condições governamentais”, explica Rissete.

Rissete também reforça que o objetivo da nova obra é estimular o uso e dar mais qualidade ao transporte coletivo. “Hoje, as pessoas valorizam o transporte individual em detrimento do coletivo. Estamos tentando inverter essa lógica, melhorando a mobilidade em Curitiba”, completa.

 

Projetos de empresas terceirizadas podem diminuir os gastos

 

A solução que o governo encontrou para diminuir os gastos e ter novos resultados foi lançar um procedimento de pesquisa para empresas terceirizadas, o chamado Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Sem gastos de dinheiro da prefeitura, as empresas propõem projetos. Caso sejam aceitos, haverá um reembolso incluído na licitação governamental.

As empresas têm até o dia 10 de agosto para enviar propostas. Após o prazo, o poder público tem vinte dias para analisar e decidir se aceita integrar as novas ideias ao projeto anterior. Até lá, o governo estadual precisa confirmar a obra para o governo federal para garantir um repasse de R$1 bilhão.

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