sáb 16 out 2021
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Novos ventos sopram na política paranaense

No final do último mês de outubro, Curitiba elegeu seu novo prefeito, Gustavo Fruet (PDT), como todos bem sabemos. O jogo político dentro de Curitiba oficialmente mudou. E mudou pois os partidos mudaram suas atitudes. Fruet saiu do PSDB, pois o partido preferiu a candidatura de Ducci à de Fruet. Trocou para a oposição: PDT aliado ao PT. O PT, aliado político do PDT, finalmente tem seu lugar ao sol dentro da capital paranaense, pela primeira vez desde a redemocratização do Brasil. Enquanto isso, o atual governador Beto Richa (PSDB) que tinha, desde 2008, uma aliança forte e consolidada (PSDB – PSD – PSB – PPS – DEM) dentro do Paraná e de seus principais órgãos públicos, como a Câmara de vereadores da capital e a Assembleia Legislativa teve seu monopólio político rompido com a derrota de Luciano Ducci. Nas palavras do vereador Paulo Salamuni, Beto Richa “tinha o Neymar e escalou o Adriano depois da balada”.

Gustavo Fruet alcançou a prefeitura de Curitiba ao se aliar a um antigo adversário, o PT

Em se tratando de 2014, a eleição de Fruet pode ser preocupante para Richa, que deve tentar a reeleição. O apoio de Fruet deve ir para Gleisi Hoffmann (PT), atual Ministra Chefe da Casa Civil, que foi um de seus cabos eleitorais de maior peso durante o processo político que se passou. Gleisi, que foi eleita em 2010, para o cargo de senadora é do time de elite da presidente Dilma e, apesar de nenhuma confirmação sobre as pretensões da ministra, é um nome forte para o governo do Paraná. Complicando ainda mais a situação de Beto Richa, Roberto Requião (PMDB), atual senador da república, pode sair para o governo do estado, novamente. Requião é conhecido por sua força política grande no interior do estado. Sendo assim, Richa perde não só o apoio da capital, mas perde força de voto no interior, prejudicando suas pretensões.

Apesar da vantagem da aliança de Fruet no âmbito estadual, na Câmara as coisas podem se complicar para o novo prefeito. Dos 38 vereadores eleitos, apenas oito são da coligação PT-PDT-PV. As coligações de Ratinho Júnior e Luciano Ducci elegeram, respectivamente, seis e treze vereadores. Apesar de Ratinho já ter afirmado que não fará oposição ao novo prefeito e que a bancada do PSC, a maior de todas, irá fiscalizar a gestão, Fruet é minoria na casa e pode ter dificuldade de alavancar propostas e conseguir verba para projetos da prefeitura.

Ratinho Júnior

Não poderíamos deixar de falar da candidatura de Ratinho Júnior. O candidato do PSC veio para a briga com a bandeira das novas ideias e um certo apelo popular. Não se deu bem nas redes sociais, principalmente no segundo turno, quando mais bateu em Fruet, minando sua popularidade entre quem mais usa as redes: jovens de classe média alta. Ratinho lançou mão de uma prática, de certa forma, inédita: o populismo de direita, que, como podemos constatar, não lhe beneficiou como pensava.

Ratinho Junior conquistou um reconhecimento grande durante o pleito de 2012 e tudo indica que será cabo eleitoral disputado nas próximas eleições. No entanto, manteve uma porcentagem de votos parecida nos dois turnos das eleições, podendo indicar que existe um nicho de seus partidários. Se disputará algum cargo no Senado ou mesmo para o Executivo nas próximas eleições, é difícil dizer.

Mudança

Fruet, em si, não é a mudança da política paranaense, pois já foi de partidos que dominam a política local há anos e, como ele mesmo afirma, foi difícil fazer as alianças que fez para ganhar as últimas eleições. Porém, sua coligação traz uma frente de transformação ao Paraná. Nas próximas duas eleições, o panorama político do estado deve mudar ainda mais, principalmente em decorrência das alterações que tivemos este ano.

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