seg 17 ago 2026
HomeCidadeO lucro ilegal por trás do mercado bilionário de fraudes e falsificações 

O lucro ilegal por trás do mercado bilionário de fraudes e falsificações 

Segundo o relatório “Estado dos Golpes no Brasil” realizado pela GASA em 2024, já somam perdas estimadas em aproximadamente 298 bilhões de reais

Por Isabelle Hoffmann e Kelly Cano

Fraudes, falsificações e contrabando fazem parte de um mercado ilegal que movimenta bilhões de reais e provoca impactos econômicos e sociais no país. Segundo o anuário de falsificações, em 2025, o contrabando e a pirataria gerou um prejuízo de mais de 514 bilhões de reais. Nesse cenário brasileiro, a busca por lucro ilícito e a driblagem dos custos tributários se tornaram uma fonte lucrativa para grupos criminosos. 

Com a expansão da internet, além dos benefícios advindos da tecnologia, como a facilidade de acessar serviços e a possibilidade de comunicação com pessoas de diversos locais do globo, vieram também os malefícios. Muitos golpes acontecem por meio do ambiente digital. Um dos mais comuns ocorre através do aplicativo Whatsapp: o golpista obtém a foto de perfil da vítima e utilizando um número desconhecido entra em contato com os amigos e familiares se passando pela pessoa e pedindo ajuda financeira emergencial. 

Segundo uma pesquisa realizada pelo DataSenado e FSB Holding, um em cada quatro brasileiros já sofreram com danos financeiros devido a delitos praticados de modo online. Esse é o caso de G.A, que optou por não revelar sua identidade e foi afetado pelo esquema fraudulento. O jovem relata como aconteceu a fraude. 

O artigo 171 do Código Penal brasileiro, define o crime de estelionato como: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. Ou seja, enganar com o intuito de adquirir dinheiro, bens ou qualquer outra vantagem em cima de outra pessoa. 

Somado às perdas financeiras, o golpe pode abalar também causar impactos emocionais na vítima. De acordo com um estudo elaborado pelo Serasa, 93% dos participantes afirmam que o golpe afetou negativamente ao menos uma área da sua vida. 

No entanto, o outro lado desse comércio proibido são as falsificações. Essa temática foi discutida na mesa “A economia circular das fraudes e falsificações: prejuízos econômicos, sociais e civilizatórios” do III Fórum Internacional de Ciências Policiais. Para o mediador da mesa Luiz Henrique Moraes da Polícia Científica, esses crimes são auto sustentados economicamente: 

Um levantamento desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) identificou que a diferença tributária entre Brasil e o Paraguai possibilitou um setor de contrabando advindo o país vizinho. Esse quadro cria estímulos e condições favoráveis ilegal para facções criminosas participarem desse mercado, principalmente por se tratar de um negócio altamente lucrativo. 

A partir disso, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organizações do crime como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estabeleceram rotas e controlaram áreas de interesse para envio de mercadorias contrabandeadas. 

A dimensão desse mercado também pode ser observada através dos dados. As cargas apreendidas de cigarro correspondem a 34% de todo material confiscado pela Receita Federal. Os eletrônicos também não ficam de fora: no ano de 2025 a Polícia Federal interceptou 1 bilhão de reais em aparelhos celulares e outros dispositivos digitais. 

Para o combate a essas práticas criminosas, necessita de uma ação integrada entre os poderes federais, estaduais e municipais, é o que destaca o presidente do IDESF, Luciano Stremel. 

Para saber mais informações sobre o assunto na reportagem acesse a reportagem abaixo, produzida por Isabelle Hoffmann e Kelly Cano como parte da cobertura do Fórum Internacional de Ciência Policial para o Jornal Comunicação e Rádio UniFM. 

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Acessar o conteúdo