seg 17 ago 2026
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Os desafios da segurança pública no Paraná além dos indicadores  

Apesar dos avanços, a violência policial segue como um dos principais desafios da segurança pública no Paraná

Por Amábili Gomes e Natali Schovarts  

Conhecido pelos avanços na área da segurança pública, o Paraná vem registrando redução em diferentes indicadores de criminalidade e se consolidando como uma das referências nacionais na área. Entre as estratégias adotadas estão o fortalecimento da inteligência policial, a ampliação do uso de tecnologias e a integração entre as forças de segurança. Um exemplo é a queda nos casos registrados entre janeiro e maio: foram 519 ocorrências em 2025, contra 466 no mesmo período deste ano, de acordo com dados do Centro de Análise, Planejamento e Estatística da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). 

Para o professor de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador da área, Flávio Bortolozzi, esses resultados são fruto, principalmente, da atuação integrada entre as polícias Civil e Militar e dos investimentos em equipamentos tecnológicos. Em 2025, o Governo do Paraná anunciou o maior aporte financeiro já realizado de uma só vez para a segurança pública estadual. O investimento, superior a R$ 116 milhões, será destinado à aquisição de novos helicópteros, viaturas, fuzis, além de equipamentos ópticos e táticos de última geração, com o objetivo de reforçar a estrutura e a capacidade operacional das forças de segurança.  

Contudo, apesar dos indicadores positivos, o estado também enfrenta um cenário que tem despertado preocupação: o aumento das mortes decorrentes de intervenção policial. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, entre 2023 e 2024, o Paraná apresentou crescimento de 16,6%, passando de 341 para 400 mortes no período.  

Segundo Bortolozzi, esse aumento não pode ser explicado apenas por fatores operacionais, mas também por uma cultura historicamente presente nas forças de segurança. “Há uma cultura institucional que, em alguma medida, favorece mais o confronto e o policiamento ostensivo do que uma inteligência policial, que tende a ser mais eficaz e menos violenta. Isso é uma questão das polícias militares em todo o Brasil e, no Paraná, de forma especial”, afirma. 

No III Fórum Internacional de Ciência Policial, que será realizado nos dias 23 e 24 de julho, em Curitiba, a segurança pública surge como um dos principais temas das mesas e debates que compõem a programação. O assunto ganha destaque por estar entre os problemas mais presentes no cotidiano da população, o que reforça a importância de discutir desafios, políticas públicas e estratégias voltadas à promoção da segurança.  

Os dados evidenciam que, além do enfrentamento à criminalidade, o estado também precisa lidar com o desafio de garantir que a atuação das forças de segurança ocorra dentro dos parâmetros legais e com respeito aos direitos dos cidadãos. Para Bortolozzi, o enfrentamento da letalidade policial exige mais do que a criação de novas normas. “É preciso um investimento mais adequado na carreira policial e na formação dos policiais. Também são necessários protocolos mais claros sobre as situações em que a polícia pode utilizar a força e uma fiscalização mais adequada, tanto internamente quanto externamente, de eventuais excessos”, explica o pesquisador.  

O tema continua em discussão e traz diferentes perspectivas sobre os desafios da segurança pública no Paraná. Para saber mais sobre o assunto, confira o episódio “Segurança pública em debate: avanços e desafios no Paraná”, produzido por Amábili Gomes e Natali Schovarts como parte da cobertura do Fórum Internacional de Ciência Policial para o Jornal Comunicação e Rádio UniFM.  

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