seg 18 out 2021
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Pesquisa aponta distanciamento entre pais e filhos

Segundo a pesquisa, a falta de acompanhamento dos pais expõe os filhos a fatores de risco

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), feita pelo IBGE ao longo do ano 2012, mostrou um distanciamento dos pais em relação à educação dos filhos. Os dados, recolhidos em 2,8 mil escolas do país com 109 mil estudantes matriculados no 9.º ano do ensino fundamental, mostram que a cada dez pais brasileiros que possuem filhos entre 13 e 15 anos, sete não estão informados sobre os deveres escolares do adolescente. Além disso, 40% deles não sabem o que as crianças fazem durante o tempo livre e 25% desconhece que o filho havia faltado às aulas.

Segundo a psicóloga familiar Eneida Ludgero, os pais terceirizam a educação dos filhos, deixando a responsabilidade dela para a escola. “Muitos pais passam pouco tempo em casa, então não têm a rotina de acompanhar e conversar com os adolescentes”, complementa.

Importância do diálogo

Segundo a pesquisa, 54,2% dos pais não compreendem as preocupações e problemas dos filhos, o que pode levar a comportamentos rebeldes e perigosos. Segundo Eneida, o diálogo é essencial no relacionamento dos jovens com os pais. “A adolescência é uma época em que o filho está em transição, começando a criar uma personalidade e a almejar sua independência”, explica a psicóloga.

Há pais, no entanto, que procuram remar contra os resultados apontados pela pesquisa, e, mesmo trabalhando fora, fazem o possível para acompanhar o desenvolvimento dos filhos. É o caso da assistente administrativa Fátima Peres que apesar de trabalhar dois turnos quer estar perto das filhas adolescentes Maria Eduarda e de Natália. “Eu sou bem ‘mãezona’. Sei que não posso acompanhar 100%, ainda mais fazendo o papel de mãe e pai, mas tento dar o máximo de apoio, amor e atenção”, diz.

Já Sara El Khaitib, mãe dos gêmeos Matheus e Emanuelle,  decidiu trabalhar somente no período em que os filhos estão na escola. “A geração de hoje é mais independente, com 12 anos eles já tem conhecimento sobre várias coisas, apesar da imaturidade, mas é importante que os pais estejam presentes”, afirma Sara.

Ambas as mães ainda concordam que o diálogo é a base essencial na relação ´pais e filhos´. “Se há diálogo, acho que você tem mais chance de ensinar coisas que talvez eles aprendessem de forma equivocada em outros lugares. O diálogo deve estar presente diariamente, em diversas situações.” afirma Sara. E Fátima ressalva que, além do diálogo, é importante saber manter a autoridade”. Eu cobro bastante, elas reclamam disso às vezes, porém é o papel de mãe”, argumenta a assistente administrativa.

Outros resultados

A pesquisa também mostra que 19,6% dos jovens experimentaram cigarro (28,6% na região sul) e 66,6% provaram álcool (76,9% na região Sul). Além disso, Curitiba foi uma das capitais com um maiores índices de jovens que consumiram drogas ilícitas como maconha, cocaína, crack e ecstasy –  14,4%, 7 pontos percentuais acima da média nacional.

A psicóloga Eneida Ludgero explica que os jovens se interessam pelas drogas e pelo álcool na expectativa de se tornarem interessantes e de ter novas experiências. Quando não há diálogo com os pais, aumenta as chances deles se envolverem com essas substâncias. “Os jovens se tornam mais suscetíveis quando não há um direcionamento dos pais de que aquilo é perigoso e que há consequências com que se preocupar”, alerta.

Eneide ressalta que é importante dar atenção e manter um vínculo, apesar da falta de tempo dos pais e do distanciamento dos filhos que buscam romper sua dependência. “Pequenas coisas cotidianas podem melhorar a situação: fazer refeições juntos, ir ao cinema, são coisas simples que ajudam a resgatar o vínculo familiar”, diz.

 

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