Por Kauane Lacerda
A exposição constante à violência, a necessidade de tomar decisões em situações de alto risco e a pressão inerente ao trabalho fazem com que os profissionais da segurança pública estejam entre as categorias mais vulneráveis ao adoecimento mental. O tema tem ganhado espaço nas discussões sobre políticas públicas e gestão das instituições, reforçando a importância de ações voltadas à prevenção, ao acolhimento e ao acompanhamento psicológico dos agentes. Para se perceber a dimensão do problema que aflige boa parte da sociedade, dois eventos simultâneos, discutiram a temática no Paraná e no Rio Grande do Sul.
A saúde mental foi um dos assuntos debatidos durante o III Fórum Internacional de Ciências Policiais (FICP 2026), realizado nos dias 23 e 24 de julho, na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), em Curitiba. Nos dois dias de trabalhos, cerca de 1000 participantes – pesquisadores, representantes das forças de segurança, especialistas e autoridades – estiveram reunidos para debater estratégias baseadas em evidências científicas voltadas ao fortalecimento da segurança pública.
Muito além do que uma questão individual, o cuidado com a saúde mental dos profissionais passou a ser compreendido como parte da gestão das instituições de segurança. O fortalecimento de programas de apoio psicológico, ações preventivas e espaços de acolhimento contribuem para reduzir o adoecimento ocupacional e melhorar o desempenho dos agentes em situações de alta complexidade.
As discussões realizadas durante o Fórum destacaram que o investimento em saúde mental impacta diretamente a qualidade do serviço prestado à população. Além de favorecer o bem-estar dos profissionais, medidas preventivas contribuem para decisões mais equilibradas, redução do estresse ocupacional e fortalecimento das instituições.
Debate ganha relevância
O tema também tem recebido destaque em outros espaços nacionais. No extremo Sul do Brasil, também na última sexta-feira (24), ocorreu o seminário “Saúde Mental de Trabalhadores”, promovido pela Federação dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Fessergs), em parceria com a Central dos Sindicatos Brasileiros do Rio Grande do Sul (CSB-RS). Na ocasião, especialistas da área discutiram impactos e consequências negativas do adoecimento psicológico no ambiente de trabalho e, reafirmaram a necessidade de políticas permanentes de prevenção e promoção da saúde mental.
Ao reunir pesquisadores e profissionais de diferentes áreas, o III Fórum Internacional de Ciências Policiais também reforçou que o cuidado com a saúde mental deve integrar as estratégias de modernização da segurança pública, reconhecendo que profissionais mais saudáveis também contribuem para um atendimento mais qualificado à sociedade.


