Por Rebecca Junger
A investigação de crimes contra a vida no Brasil passa por uma transformação estrutural impulsionada pela ciência forense e pelo fortalecimento das provas materiais. Se historicamente a elucidação de homicídios dependia prioritariamente de depoimentos e relatos testemunhais — frequentemente sujeitos ao medo, à coação ou à alteração de versões durante o processo judicial — o avanço das técnicas periciais consolidou uma nova dinâmica para a atuação das polícias judiciárias e do Poder Judiciário.
O tema integrou os debates do III Fórum Internacional de Ciências Policiais (FICP 2026), realizado na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), em Curitiba. O evento reuniu especialistas para discutir a aplicação de evidências científicas e a modernização das políticas públicas de segurança.
O uso da prova técnica, que abrange desde exames de DNA, confronto balístico e análise papiloscópica até a preservação da cadeia de custódia e extração de dados virtuais, trouxe precisão científica para o esclarecimento de autoria delitiva. No Paraná, o investimento continuado em tecnologia pericial reflete-se no aumento expressivo dos índices de resolução de inquéritos e na qualidade das provas apresentadas no Tribunal do Júri.
Transição da prova testemunhal e segurança jurídica
A dependência de provas exclusivamente testemunhais sempre representou um gargalo para a conclusão de inquéritos policiais. O receio de retaliações por parte de organizações criminosas faz com que testemunhas que depõem na delegacia muitas vezes se retratem ou omitam fatos durante a fase judicial, fragilizando a instrução do processo.
Segundo a delegada titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba, Dra. Camila Cecconello, a centralidade da prova material traz segurança jurídica e convicta magistrados e jurados no momento de determinar condenações:
Redução da impunidade e impacto social
A consolidação de laudos periciais robustos reduz a vulnerabilidade das investigações a anulações judiciais e assegura o cumprimento das garantias do devido processo legal. Com a manutenção de provas materiais incontestáveis, as taxas de condenação aumentam, mantendo criminosos de alta periculosidade afastados do convívio social esquisa, dados, índicese evitando a reincidência de delitos graves.
A promoção de investigações baseadas em evidências e a modernização do aparato pericial integram o conjunto de propostas discutidas no FICP para o aprimoramento do sistema de justiça criminal. Para conferir a cobertura completa das discussões e conferências do evento, acesse as produções especiais do Jornal Comunicação e da Rádio UniFM.


