dom 14 abr 2024
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Sociedade Cultural Abranches visa se tornar o núcleo do Polo Polonês em Curitiba

Com restauro do prédio histórico, a meta é que espaço faça resgate da cultura polonesa

Fundada em 1910 pela comunidade polonesa, a Sociedade Cultural Abranches está com as portas fechadas para o público desde 2019. Há mais de 50 anos atuando como uma casa de shows e eventos no bairro, o espaço – considerado uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP) pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) – está passando por um projeto de restauração para retomar às origens.

Inicialmente batizada com o nome de Sociedade Polonesa Operária Beneficente Rei Ladislau Jaglielo, o local foi idealizado para acolher imigrantes e se tornar um ponto de lazer para a comunidade polonesa que chegou à região. Foi somente após a obrigatoriedade de nacionalização dos impostos por Getúlio Vargas que se tornou Sociedade Abranches. Segundo Marcos Vilcek, presidente do local, “ela representa uma das conquistas dos imigrantes poloneses e deve ser caracterizada como tal para o fortalecimento da cultura desse povo”. Batizada de Colônia Polonesa de Abranches, a região é a mais antiga colônia polonesa do sul do Brasil.

Majoritariamente no século XIX, durante o período conhecido como “febre brasileira”, houve uma intensificação da onda migratória polonesa, visto que o território vivenciava um contexto de perda de independência. Fruto da crise dada pela invasão estrangeira na Polônia e da propaganda do governo brasileiro para atrair mão de obra branca, foram estabelecidas colônias polonesas em determinados pontos do Brasil.

Mestre e doutoranda em Comunicação pela UFPR, Larissa Drabeski pesquisa sobre a identidade polonesa na relação com a comunicação. Ela aponta que “os locais que foram colônias polonesas, como o Abranches, possuem a tendência de terem uma preservação cultural muito forte. A localização geográfica é importante para estabelecer essa relação com a Polônia”.

Inviabilidade para a continuação das festividades

Mesmo antes da pandemia, a Sociedade Cultural Abranches já enfrentava problemas com a falta de verba e precariedade do prédio. FOTO: Reprodução/Facebook Sociedade C. Abranches

Desde o início da Sociedade, era comum a realização de bailes que visassem preservar a cultura polonesa, com base na exposição de elementos típicos do país. A partir da década de 1970, o espaço passou a investir em elementos típicos de clube, como canchas de futebol, tênis e piscinas, além de ganhar destaque por realizar saraus e festas de rock, que reuniam as famílias do bairro. Até que em 2012, o antigo casarão efetivou-se como uma casa de shows, comportando mais de 2 mil pessoas e recebendo artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, como as bandas Titãs e Nazareth. Considerada a única danceteria da zona norte da cidade.

Com o tempo, em razão do declínio de verba, a Sociedade se distanciou das raízes e seguiu alugando o prédio para a realização de eventos esporádicos, voltados para bailes funks e festas com músicas eletrônicas.

Porém, desde 2019, devido ao estado precário das instalações, as portas do edifício foram fechadas, e Vilcek lembra que “Por se tratar de uma UIP, isso impossibilita a adequação da mesma às exigências da legislação para a realização de shows”.

Idealização de restauro

Projeto de reforma do casarão é de longo prazo, mas reinauguração está prevista para ocorrer ainda este ano. FOTO: Reprodução/Facebook Sociedade C. Abranches

Em colaboração com o Consulado Geral da República da Polônia de Curitiba, Ministério das Relações Exteriores da República da Polônia e da Fundacya Pomoc Polakom na Wschodzie -fundação criada pelo governo polonês para facilitar a cooperação com comunidades polonesas mundo afora-, o telhado original do prédio histórico foi recentemente restaurado, “A próxima etapa será na seguinte ordem: restauração do piso; telhado do salão lateral; portas, janelas e pintura externa”, atualiza o presidente do local.

Em novembro deste ano, o bairro Abranches celebra 150 anos. Com o intuito de tornar-se a atração central do Polo Polonês na região, a ideia é que seja instalada uma parada da linha de turismo em frente a Sociedade. O projeto, inclusive, vai além de melhorias externas, o objetivo é que o local seja voltado também para eventos sociais, reuniões, salas de aula, encontros, gastronomia e ações beneficentes. “A Sociedade tem uma importância muito grande na formação e construção de nossa comunidade. Sempre prestou grandes serviços, colaborando muito para o crescimento da região. Um centro cultural trará mais serviços e cultura para a região, também resgatará a cultura polonesa, tão importante quanto todas as outras”, reitera Vilcek.

Para Drabeski, “A importância desses projetos culturais é para que as pessoas se sintam pertencentes e deem novos significados ao que é ser polonês, reforçando a noção de pertencimento a essa comunidade. A cultura é o que mais importa, a identidade não é só preservada, ela também é construída, não por ter descendência, mas ao fazer parte da comunidade e ter trocas que ajudam a dar o censo de pertencimento”. Com a aprovação pela Câmara Municipal de Curitiba de um projeto que visa implementar o Polo Polonês na capital paranaense, será consolidada a Rota Polonesa da cidade, interligando atrações turísticas numa área que contempla desde o Portal Polonês e segue pela Mateus Leme, passando pelos bairros Abranches, Barreirinha, Pilarzinho, Santa Cândida e Taboão.

Reportagem produzida para a disciplina de Redação II, ministrada pela professora Myrian Regina Del Vecchio de Lima.

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