Por: Ana Hemke

Desde o início da propaganda eleitoral autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia 16 de agosto, o centro de Curitiba tem sido tomado por pessoas de diferentes partidos que distribuem panfletos, santinhos e outras mídias físicas, além de conversar com eleitores. Nesse ato, os panfleteiros têm a função de convencer a população a aderir ou reforçar seus princípios junto a seus candidatos. 

Madalena Antunes faz trabalho voluntário. Foto: Ana Hemke.

O trajeto que liga a Praça Santos Andrade à Praça Osório é o epicentro comercial da cidade e também local estratégico para a divulgação de candidatos e candidatas à eleição de 2026. É nesse calçadão que Madalena Antunes, de 21 anos, panfleta para o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A estudante de psicologia faz isso de modo voluntário. “Eu não considero que esteja trabalhando, eu tô fazendo realmente parte da militância e é voluntária. […] o que eu recebo é a minha satisfação pessoal”. Cleuza Lourenço, de 61 anos, aposentada, também acredita que seu trabalho com a panfletagem é um modo de divulgar ideias com as quais compactua. Ela trabalha para a mesma candidata desde as eleições de 2018 e esse ano panfleta a favor do Partido Social Democrata (PSD). “Eu conheci a candidata já tem muitos anos e daí, na eleição municipal, eu achei que ela era a melhor candidata. Aí comecei a me envolver com as pessoas junto dela e comecei a pegar material, divulgar, distribuir material. […] Eu trabalhei pra ela quando não tinha verba, essa é a primeira vez que estou ganhando“. 

Cleuza Lourenço sempre fez trabalho voluntário, mas esse ano recebe remuneração. Foto: Ana Hemke.

Ao contrário delas, há quem se vincule aos ideais mas priorize a recompensa monetária. Esse é o caso de Ana Carolina, de 18 anos, que não vê na panfletagem apenas um meio de difundir ideias. A panfleteira presta serviços nessas eleições para o “Movimento Democrático Brasileiro MDB).” Ela já trabalhou com panfletagem antes, sem ser vinculada à política, e entende o trabalho como uma forma de gerar renda complementar. “Foi por indicação né? Meu tio é amigo dele (candidato) e daí ele me indicou. Eu vejo como uma taxa”.

Ana Carolina trabalha com Maurício e faz campanha para ter um renda extra. Foto: Ana Hemke.

Agressões

Esses trabalhadores exercem uma carga horária que varia entre cinco e oito horas diárias. A convivência com os comerciantes é pacífica, mas muitos já sofreram algum tipo de agressão, seja ela física ou verbal. Evandro Castagna, que tem 50 anos, é voluntário desde 2001 e panfleta pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ele diz já ter sofrido agressões verbais. “Eu já fui ameaçado por grito no ouvido, gritaram ladrão três vezes no meu ouvido. Tentam ofender a gente, dizendo que somos burros, ou coisa assim”. Marcelo Lourenço, de 36 anos, que não é novato na função, diz ter sofrido assédio físico pela primeira vez nessas eleições, quando foi agredido em meio a uma manifestação política de outro candidato, opositor ao político  que divulga. “Tava na rua, balançando  a minha bandeira e um opositor chegou e me agrediu, ele bateu em mim”, conta o panfleteiro colaborador do Partido Liberal (PL).

Evandro Castagna já foi ameaçado verbalmente enquanto trabalhava. Foto: Ana Hemke.
Marcelo Lourenço foi agredido durante a campanha na rua. Foto: Ana Hemke.