seg 18 out 2021
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Abram alas para a novinha, ela quer passar!

Mc Mayara, a novinha do eletrofunk, prepara-se para lançar seu segundo disco em maio. O empresário e a cantora escolheram pontos turísticos de Curitiba, como plano de fundo de seus clipes, para ressaltar o fato de Mc Mayara ter nascido aqui. Foto: divulgação.

Ela chegou com um salto quinze e uma micro saia daquelas que faz a Madonna parecer virgem. Uma rápida subida no olhar e a cara de novinha é capaz de desconstruir qualquer uma daquelas imagens das funkeiras cheias de malícia e sensualidade. Sim, Mayara Juliana, a “novinha” do eletrofunk, tem cara de menina ao vivo também. Pode não parecer, mas o rosto é apenas um sintoma de uma ingenuidade, que nem 19 anos conseguiram varrer da personalidade de Mayara.

Autora das músicas “Ai como eu tô bandida” e “Minha primeira vez”, Mc Mayara considera-se uma personagem interpretando as letras das músicas. Quem ouve os versos “É a minha primeira vez/ Calma que chegamos lá/ Primeira noite na balada eu só quero é rebolar”, mal sabe que Mayara é uma menina caseira e as únicas baladas que frequenta atualmente são as que ela mesma se apresenta.

Na vida real, quando entrou pela primeira vez em uma balada, Mayara tinha 17 anos. Apaixonou-se. Durante um ano ela podia ser vista todo o fim de semana nas baladas curitibanas. Faltando um mês para seu aniversário de 18 anos, entrou em contato com o empresário Alexandre Alves e pediu uma oportunidade no grupo Eletrofunk Brasil. Conseguiu. “Eu via os outros cantores no palco e pensava, se eles conseguem porque eu não? Sempre tive muita vontade de fazer isso tudo dar certo”.

Nem mesmo os pais frearam o desejo da filha. “Meu pai sempre conversou comigo e os dois foram bem liberais, me apoiaram e foram meus amigos quando eu disse que queria cantar funk”, diz. Segundo Mayara, foi o próprio pai que despertou o desejo de cantar na garota. Antes de ser zelador, ele tinha uma banda e levava as duas filhas para dançar no estúdio e assistir as gravações.

Em um ano e meio de carreira, a Mc coleciona um disco, prepara-se para gravar o segundo e não para de lançar clipes. Só o seu canal no Youtube chega a 332 mil visualizações. Se ampliarmos para o canal Eletrofunk Brasil, as visualizações beiram os 11 milhões, dois milhões só em “Minha primeira vez”. Engana-se quem acha que Mc Mayara não passa da nova piada da internet. Pode ser que você não conheça, mas ela tem um público fiel.

Com ritmo mais agitado e letras menos apelativas, o eletrofunk é o estilo que vem competindo com o sertanejo em cada evento universitário. Só Mayara faz cerca de dezoito shows por mês em todo o Brasil, sendo o mais recente em Salvador. “Essa é a parte que eu considero mais pesada na rotina de cantora. O pessoal acha que é fácil, mas fazer show até às cinco da manhã e acordar às 7h para pegar avião, dá um cansaço físico e mental muito forte”, diz Mayara.

Entretanto o cansaço não desmotiva. Muito menos os comentários ofensivos que lançam sobre sua idade. Quando “Minha primeira vez” foi lançada o empresário Alexandre Alves chegou a ser intimado pelo Ministério Público para comprovar que Mayara era maior de idade. “Muita gente fala: olha que menina safada, se fosse minha filha eu batia. Eu só dou risada, essas coisas não me afetam em nada. Na verdade eu acho até engraçado, quando eu tiver 40 anos vou ter cara de 20”, brinca.

Mayara fala isso com uma verdade absoluta e num tom completamente diferente dos famosos “sua inveja faz minha fama”, que ilustram o perfil social de centenas de adolescentes loucas por uma briga. Mayara não se importa mesmo com as críticas, caso contrário nem teria começado a cantar.

Outra coisa com a qual ela não se importa é a possibilidade do seu sucesso repentino virar pó. Para Mayara, na vida tudo passa e ela só quer aproveitar o momento. “Nunca perdi o sono pensando que é passageiro, eu confio que eu posso ir muito além”. “Além” para ela significa levar o eletrofunk para todos os lugares que ele ainda não pegou. Aos poucos o ritmo vai adentrando nas rádios e até nas boates gays. E Mayara adora. Para a cantora, o público LGBT é o favorito para se apresentar. “Eles não tem preconceito nenhum, só uma energia muito boa, colocam o show lá em cima. Eles me deixam muito feliz com toda aquela empolgação”.

Mc Mayara canta em São Paulo, na festa Squat Party. O assédio masculino não assusta a cantora de apenas 19 anos. Foto: divulgação.

Já o público hetero, recheado de homens loucos para levar alguma parte de Mayara como souvenir, também não a assusta. Com toda a ingenuidade que lhe cabe, ela responde que as passadas de mão, os puxões no cabelo são normais. “Querer encostar em quem está no palco é normal, eu não ligo muito. A maioria pede beijo no rosto, mas são poucos os que passam dos limites. Mesmo assim, se chega a esse ponto,  tento tratar numa boa o cara”. É assim, com a maior naturalidade que Mayara não vê malícia e nem tempo ruim.

“Cada um tem um gosto, só não podemos julgar ninguém antes de conhecer”. Mas Mayara não quer aprovação de ninguém. Ela está tendo sua chance e está fazendo acontecer.  No fim, a Mc Mayara não possui aquele tipo de ingenuidade que deixa as pessoas ignorantes, e sim aquela ingenuidade que dá coragem de não se importar com a avaliação que o outro possa fazer do seu trabalho. É aquela ingenuidade que a faz acreditar piamente que o poder de ir mais longe só depende dela. E quem somos nós para dizer que não?

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