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Um papo com a Prefs: ouça o Jornal Rádio Comunicação!

Na edição dessa quinta-feira (22.10.2015) o Jornal Rádio Comunicação bateu um papo com o jornalista Álvaro Borba, diretor de Mídias Sociais da Prefeitura de Curitiba, mais conhecida como Prefs pelos internautas. O jornalista nos contou o desafio de fazer a comunicação de um órgão público de uma forma informal e inovadora.

Além disso, o jornal traz também uma matéria sobre livro que investiga e pesquisa a imagem da mulher nas campanhas eleitorais latino americanas. E um bate-papo com o colunista de política, o jornalista Ney Hamilton, para falar sobre a representação feminina na política.

Universidades: Partido Acadêmico Renovador da UFPR realizou o III Seminário UFPR fora do Armário. Os convidados e participantes debateram questões da vivência e da política da comunidade LGBT, dentro e fora da universidade.

Saúde: na onda do Outubro Rosa, Curitiba realiza a Pedalada Rosa como forma de conscientizar a população.

Economia: em tempos de crise, os alunos de economia da UFPR decidiram dar palestras sobre investimentos, para que as pessoas se informem e invistam com segurança.

Comportamento: projeto Entre Olhares veio com uma proposta diferente: conectar estranhos através do olhar. Conheça melhor essa iniciativa.

Esportes: domingo passado o estádio do café ficou em festa. O Londrina venceu o confiança e após 11 anos realizou o sonho de subir para a série B do campeonato brasileiro. Os quase 30 mil torcedores que estavam no estádio comemoraram antes, durante e depois do jogo.

E mais: meteorologia, trânsito, opinião, agenda cultural e boletim esportivo!

Jornal rádio Comunicação 22-10 by Radiocomunicacao on Mixcloud

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A mídia brasileira não mostra a realidade da Colômbia

Quem possui internet com certeza já ouviu falar da série Narcos. A série, produzida pelo Netflix, conta a história de Pablo Emílio Gaviria Escobar (Wagner Moura) e do narcotráfico na Colômbia dos anos 80. Muito bem produzida e com um ótimo roteiro, é considerada por alguns uma das melhores séries dos últimos tempos. Porém, ela peca em um quesito fundamental onde tantos outros programas da mídia pecam: a representação da Colômbia e o reforço de estereótipos.

A professora de comunicação social da Universidad Santa Fe e doutoranda em sociologia na UFPR, Claudia Gordillo, é colombiana e ficou assustada quando uma amiga aqui no Brasil perguntou se todos na Colômbia amam Pablo Escobar. ‘’Não, nós não amamos Pablo Escobar. Ele fez algumas coisas boas para Colômbia como construir bairros para populações carentes, mas criou milícias e gangues que continuam matando inocentes mesmo depois que ele já morreu’’, explica.

Normalmente, as únicas referências que os brasileiros têm da Colômbia são as que adquirem na escola – onde os principais assuntos estudados são os europeus, a Colômbia não é abordada por mais de um tópico –  e os que vê na mídia -onde os jornais só retratam as guerrilhas colombianas e as inúmeras vítimas.

A mídia brasileira é muito voltada para questão dos Estados Unidos e Europa e acaba deixando a América Latina de lado. Em telejornais, não faltam notícias desses outros continentes, mas nossos países vizinhos – Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Venezuela – passam despercebidos.

E não se resume apenas a coberturas midiáticas. ‘’Na academia [universidade] brasileira temos um contato enorme com autores europeus e alguns norte-americanos, enquanto os ótimos trabalhos latinoamericanos que estão sendo realizados são ignorados’’, afirma Gordillo.

Política na Colômbia

A situação política na Colômbia é muito mais estável que na época de Pablo Escobar. Segundo o professor Fernando Diaz Colorado, os anos 1980 e 90 ficaram conhecidos como a época do terror. ‘’Existiu uma guerra frontal contra o partido político UP (Unión Patriótica), de tendência esquerdista, feita pelos narcotraficantes e militares corruptos, o que ocasionou a morte de quatro candidatos à presidência’’, explica Colorado.

Atualmente a situação política está centrada pelo confronto de posições do presidente Santos de negociar com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), e do ex-presidente Alvaro Uribe, que não apoia a negociação. Segundo o professor, os guerrilheiros não tem exercido influência política de importância na Colômbia. ‘’Suas ações tem sido mais de ordem militar, com ações de violação dos direitos humanos e de caráter terrorista’’, afirma.

Diaz ainda complementa que ‘’ existem alguns municípios em que as autoridades são as FARC, mas sua ação política tem sido muito pobre. o povo colombiano, na sua maioria, não considera as FARC como um representante político válido’’.

Representação em imagens

A tese de doutorado da professora Claudia Gordillo disserta sobre a representação do fotojornalismo sobre as vítimas do conflito armado na Colômbia. Segundo a professora, a preferência pelo tema veio porque as fotos mostram muito mais do que o texto quando descrevem uma vítima. ‘’Muitos pesquisadores na Colômbia pesquisam a matéria, o textual, e se esquecem da imagem, acham que ela está lá só para decorar. A imagem contém o que o texto não poderia descrever’’, afirma.

A professora está moldando um novo conceito, o conceito de ‘’vítima-objeto’’. Esse conceito serve para mostrar como os registros fotográficos podem reforçar certos estereótipos e contribuírem para a perpetuação da violência. A vítima, do confronto armado, é vista como um mero objeto pela mídia que precisa vender a notícia. Não há uma discussão e nem um uso consciente da foto, a pessoa é usada como um objeto ilustrativo e decorativo. ‘’É colocar a vítima porque é do meu interesse, para promover a venda do jornal’’, explica Gordillo.

Uma das hipóteses levantadas pela pesquisadora diz respeito ao motivo dessa representação pelos fotógrafos. Na primeira etapa da pesquisa, ela conversou com 10 fotojornalistas e descobriu que os principais motivos para esse tipo de representação são a falta de tempo e a linha editorial dos jornais. ‘’Eles produzem um recorte da realidade,acrescentam e usam elementos para deixar a imagem mais triste ou mais impactante. Organizam a imagem de acordo com o queestão imaginando ideologicamente que o editor do jornal precisa, que o dono do jornal precisa’’, conclui Gordillo.

Identidade judaica é reforçada em Curitiba pelo Centro Israelita do Paraná

No Brasil há cerca de 108 mil judeus, mais de quatro mil deles localizados no estado do Paraná. Em Curitiba, jovens, crianças e adultos desempenham diversas atividades culturais no Centro Israelita do Paraná (CIP) – espaço com mais de 20 mil m² no Bom Retiro que hospeda a Escola Israelita Brasileira Salomão Guelmann, a Sinagoga Beit Yacoov, o clube esportivo, o espaço folclórico e o Museu do Holocausto.
Na memória coletiva, o povo judeu ocupa um espaço de luta e sofrimento. Tal qual é relatado no Museu, milhões foram perseguidos e executados na Shoá (denominação hebraica para o mundialmente conhecido Holocausto; significa “catástrofe”, “calamidade”).
Apesar dos fantasmas do acontecido, a comunidade judaica mantém hoje uma forte estrutura para resgatar suas origens. “É essencial a nossa preocupação com a cultura e com a educação, e a importância da manutenção de uma escola que seja geral e que possa manter as nossas tradições.”, afirma Charles London, presidente da Comunidade Judaica de Curitiba. “Este é um dos tripés da manutenção da própria comunidade: a educação judaica e a educação geral como um todo”, ressalta.

Habonim Dror

O Habonim Dror é um movimento juvenil judaico de corrente sionista e socialista, presente em 18 países, incluindo o Brasil, onde comemora 70 anos em 2015. Ele funciona dentro do sistema de ensino não-formal. Os jovens mais experientes trabalham com crianças a partir de 7 anos, que aprendem desde cedo sobre os costumes judeus, falam o idioma hebraico e comemoram as datas festivas típicas do calendário lunar gregoriano.

Equipe de monitores do movimento jovem Habonim Dror durante atividade neste ano. Foto: acervo pessoal
Equipe de monitores do movimento jovem Habonim Dror durante atividade neste ano. Foto: acervo pessoal

“Eu entrei no final de 2002, com nove anos. Faz muito tempo”, conta Henrique Burkinsky, que hoje tem 21 e é responsável pela liderança educacional do Dror. Ele explica que o movimento não é religioso, mas social. “Nossas crianças realizam atividades que visam uma educação cultural judaica humanista. Não vemos o judaísmo somente como religião, mas como perfil do homem judeu”, explica.
A preparação jovem visa um intercâmbio para Israel, programa com financiamento parcial pelo Masa (programa do Governo de Israel em parceria com a Agência Judaica para garantir a Lei do Retorno de judeus ao país).
Em Curitiba, os encontros são realizados aos sábados, geralmente com os alunos da Escola Israelita Brasileira. “Mesmo as crianças que não têm família dentro da comunidade são bem-vindas. Acontece muito do pessoal da escola vir pra cá e acabar trazendo os amigos”, conta Raphael Casagrande, atual maskir (equivalente a presidente) do Habonim Dror.

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O Museu do Holocausto

Dentro do Centro Israelita do Paraná, o Museu do Holocausto chama a atenção por ser o único do país. Fundado há quatro anos, atrai principalmente escolas (cerca de 15 visitas por semana).

Primeira sala do Museu do Holocausto: histórias reais aproximam o visitante da tragédia mundial.  Foto: Fernanda Tieme Iwaya
Primeira sala do Museu do Holocausto: histórias reais aproximam o visitante da tragédia mundial.
Foto: Fernanda Tieme Iwaya

Diferentemente do que se imagina, o museu promove uma imersão no modo de vida judeu antes do Holocausto – e, apesar de tratar dos danos mundiais ocorridos, não busca expor números, mas sim fazer uma reflexão sobre o modo de vida atual. “Buscamos mostrar a história de forma personificada, através de relatos de pessoas que passaram por esse evento histórico”, explica Carlos Reiss, coordenador geral do espaço.
“Queremos trabalhar com os jovens questões relacionadas à intolerância, preconceito, ódio, racismo e qualquer tipo de discriminação. para que aprendam com o Holocausto aquilo que não pode acontecer de novo”, defende Reiss. “Falar do Holocausto não é falar de morte, é falar de vida”.
As visitas guiadas acontecem aos domingos, mas o museu fica aberto para exposição diariamente. Entretanto, é necessário fazer inscrição prévia – todo o Centro Israelita possui forte esquema de segurança. Medo que os fantasmas voltem ou pela preservação dos materiais históricos? Não, informou um dos guardas: “Nós precisamos zelar pela vida”.

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Cultura Celta se mantém viva entre os curitibanos

 

 

Apesar de oportunidades dentro de cooperativas, carrinheiros de Curitiba optam pelo trabalho autônomo

No dia 28 do último mês foi aprovado, na Câmara de Vereadores, o projeto de lei que impede o uso de tração animal em veículos na cidade de Curitiba. A proposta revoga uma lei de 2005 que permitia o uso de carroças e charretes no perímetro urbano. Os animais que forem apreendidos pela nova lei serão encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses e Vetores de Curitiba.

Junto ao projeto, de autoria da prefeitura, foi aprovada emenda que prevê a criação de programas sociais que reduzam o impacto da proibição às famílias de catadores de materiais recicláveis que utilizam carroças para trabalhar. A Secretaria do Meio Ambiente e a Fundação de Ação Social (FAS) estão entre as doze instituições selecionadas pela lei para desenvolver ações de amparo e atendimento a estas famílias, que, segundo dados das prefeitura municipal, somam em cerca de 150.

O programa Ecocidadão está entre os auxílios já oferecidos. “Além de oferecer alguns equipamentos para auxiliar os associados durante a coleta de materiais recicláveis, nós capacitamos a associação para que as pessoas possam ter autogestão”, explica o técnico ambiental Carlos Alberto Kalinke Júnior. Segundo Carlos, o programa trabalha em três vertentes: social, ambiental e econômica. “Na social, você tira as famílias da vulnerabilidade; na econômica, você dá um trabalho para elas e, consequentemente, a parte ambiental vem junto porque você está dando uma destinação adequada ao material que iria para aterros sanitários, rios, encostas ou terrenos baldios”, complementa o técnico ambiental. Para ele, o projeto de lei facilita o trabalho dos carrinheiros. “Primeiramente, o programa visa retirar os catadores das ruas, onde há muita vulnerabilidade, e coloca-los em cooperativas”, esclarece Carlos Alberto.

Maior lucro define a preferência pelo trabalho autônomo

O carrinheiro João Leop carrega cerca de 200kg diariamente da sua residência até a Rua da Cidadania, na praça Rui Barbosa. Imagem: Valsui Júnior
O carrinheiro João Leop carrega cerca de 200kg diariamente da sua residência até a Rua da Cidadania, na praça Rui Barbosa.
(Foto: Valsui Júnior)

João Leop é carrinheiro há quinze anos em Curitiba. No trabalho como catador, o senhor de 71 anos já não usa animais para mover o instrumento de trabalho. Ele conta que não tem planos para trabalhar em cooperativas ou associações uma vez que o trabalho individual gera mais lucro no final do mês. “Vejo muitos casos de amigos meus que já trabalharam em projetos como esse e não acharam muito vantajoso”, esclarece.

No trajeto que percorre diariamente no bairro Rebouças, João comenta que praticamente não encontra mais carroças movidas a equinos. “Antigamente você via duas ou três carroças puxadas a cavalo por dia. Ultimamente, a última vez que vi faz cerca de quinze dias”, comenta.

Para a vereadora professora Josete (PT), o caso de seu João é apenas mais um entre vários carrinheiros que não estudam largar o trabalho individual para trabalhar em associações e cooperativas municipais. A vereadora, que criou uma emenda ao projeto de lei que foi aprovado na primeira quinzena deste mês, esclareceu algumas de suas apreensões em relação à proposta em entrevista ao Jornal Comunicação. Confira:

Jornal Comunicação: No que o projeto de lei poderia ser diferente?
Professora Josete: Estamos em outro momento de discussão em relação a bem-estar animal. Portanto, entendemos que, de fato estes cavalos são muito maltratados e nós temos que buscar formas de garantir qualidade de vida para eles. No entanto, nós sabemos que existem diversas famílias que sobrevivem a partir do uso deste tipo de veículo com tração animal. Existem alguns levantamentos que variam de 120 a 300 famílias. Multiplique isto por 3 ou por 4. É um contingente enorme de pessoas que será atingida por isso. Apresentamos uma emenda colocando que o executivo deverá buscar através da articulação com diversas secretarias desenvolver políticas públicas para garantir que essas famílias tenham outra alternativa de sobrevivência. Essa emenda articula desde a FAS, que é a Fundação de Ação Social, até a Secretaria do Trabalho em programas de formação profissional.

JC: Atualmente, já existem programas na prefeitura de Curitiba que agem como uma alternativa para o ofício dessas famílias, como o Ecocidadão. Você acredita que eles poderiam atender a demanda de cidadãos que fossem afetados por este projeto de lei?
PJ: Depende, porque o programa exige das pessoas uma compreensão de um trabalho mais coletivo. Nem sempre isso é tranquilo porque normalmente essas famílias que fazem coleta de materiais recicláveis com carroças têm uma ocupação que é individual, sem depender de outras pessoas. Pode ser uma forma de inserção, só que é preciso fazer todo um trabalho preparatório uma vez que é um trabalho coletivo com várias pessoas envolvidas. Muitas vezes o que programas como o Ecocidadão garantem ao final do mês em termos de renda é menor do que essas famílias conseguem ao fazer a coleta por meio das carroças. São vários elementos que devem ser levados em consideração.

JC: O fato de o projeto de lei só proibir o uso de veículos movidos por tração animal faz algum tipo de recorte social?
PJ: É exatamente essa a nossa preocupação e por isso que nós apresentamos a emenda. Óbvio que a primeira consequência da implementação desse projeto é que essas famílias estarão sem uma fonte de renda, sem aquilo que lhes garante a sobrevivência. Portanto, o projeto tem um impacto social direto e fizemos toda uma discussão com a emenda a ser aprovada no sentido de garantir um atendimento a essas famílias. O que nos foi dito é que será uma implantação gradativa porque nós sabemos que o próprio centro de zoonoses ainda não tem uma capacidade grande para atender toda essa demanda. Não adianta somente tirar os animais do trabalho de tração animal e jogar num espaço sem condições mínimas de espaço e alimentação e para que todos os familiares que conduzem o veículo sejam encaminhados para as diversas secretarias em busca de outra ocupação no mercado de trabalho. Tudo isso demanda tempo.

Pressão na ponta dos pés

As bailarinas mais jovens têm mais chance de desenvolver distúrbios alimentares (Foto: Mariana Rosa)
As bailarinas mais jovens têm mais chance de desenvolver distúrbios alimentares (Foto: Mariana Rosa)

O ballet é uma atividade que faz parte do cotidiano de muitas crianças e adolescentes, mas, por trás de uma forma de recreação, a dança esconde uma face obscura. De acordo com o site de informações esportivas CoachUp, uma em cada cinco bailarinas sofrem de distúrbios alimentares. Ainda segundo essa pesquisa, tais doenças estão mais presentes entre meninas de classe média alta, com idade abaixo dos 25 anos.

Ana Paula* (22), estudante de Direito, sofreu por estar acima do peso. Ela começou a dançar ballet por diversão aos 4 anos e parou aos 20, porque se sentia constrangida em algumas situações. “Me incomodava ficar de collant, não queria tirar medidas para os figurinos, nem aparecer em fotografias. Também via meninas que sempre faltavam às aulas em posições de  maior destaque”, relembra a ex-bailarina.

De acordo com Ana Paula, no meio profissional da dança a imposição de um modelo corporal afeta ainda mais as bailarinas. “Para quem dança profissionalmente a pressão é muito maior e mais direta, podendo causar exclusão. Conheço bailarinas que passaram anos sem comer pão por medo de engordar”, conta.

Para a psicóloga Solange Oresten, a busca excessiva pelo corpo padrão é prejudicial à saúde da bailarina. “Quando a dança passa de uma atividade de lazer a uma profissão, existe uma exigência maior. Isso faz com que algumas pessoas percam a noção de peso. Um ou dois quilos a mais e a pessoa se sente gorda”, constata Oresten.

A psicóloga também comenta que a família tem um papel importante para evitar essa pressão. “Como são crianças e adolescentes, eles dependem que os adultos aprovem suas decisões. É importante que os pais conversem com os filhos e, se perceberem que há uma pressão, ofereçam outras atividades de lazer”, aconselha.

Pressão profissional

Dora de Paula Soares (81) é diretora da escola de dança Studio D1, em Curitiba, e conta que a exigência física das grandes companhias vai além do peso. “A bailarina tem que ter pés lindos, cabeça pequena, pescoço e membros longos. Algumas companhias ainda exigem certas medidas, tudo para que você não viaje de Curitiba até o Rio de Janeiro para uma audição que ninguém vai te aceitar”, afirma a diretora.

A administradora da escola pensa que a bailarina tem que ser comprometida à dança em qualquer situação, independente do peso. “Quem dança deve ter disciplina, mesmo se o ballet for só um hobby. Nós exigimos esforço, mas algumas bailarinas vem de qualquer jeito, faltam às aulas por três meses”, completa Dora.

Segundo Dora, cerca de 40 mil bailarinas e bailarinos passaram por suas mãos (Foto: Mariana Rosa)
Segundo Dora, cerca de 40 mil bailarinas e bailarinos passaram por suas mãos (Foto: Mariana Rosa)

 

*Nome fictício. A fonte preferiu ter sua identidade preservada.