qui 21 out 2021
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Alceni Guerra conversa com alunos de Comunicação Social da UFPR

Alceni Guerra aceitou o convite para conversar com os alunos de Comunicação Social da UFPR
Foto: Higor Lambach / Jornal Co:::unicação

 

Alceni Guerra, ex-ministro da saúde, participou de um bate-papo com os estudantes de Comunicação Social da UFPR, na última terça-feira,25. Aconversa foi realizada no auditório do Departamento de Comunicação (DECOM) da Universidade Federal do Paraná. Dentre os assuntos da palestra, ele comentou o escândalo que o tirou do Ministério da Saúde, ainda no governo Collor, envolvendo o superfaturamento de bicicletas. Posteriormente ao caso, foi provado inocente.

O ex-ministro é formado em Medicina pela UFPR, com pós-graduação em pediatria. Criador do SUS e defensor da Educação Integral. Alceni Guerra foi ministro da saúde de 1990 a1992, quando uma denúncia no jornal Correio Braziliense acusou-o de comprar bicicletas superfaturadas para os agentes da saúde no interior do Brasil. Na tentativa de se defender, o ex-ministro alimentava ainda mais a imprensa contra ele. O resultado foram 104 horas de material denunciatório na televisão e o equivalente a um campo de futebol em matérias impressas.

Durante a palestra no DECOM, Alceni Guerra comentou os impactos do escândalo na sua vida privada. Seu filho teve que deixar a escola onde estudava após uma famosa charge ser publicada no jornal O Globo, na qual o menino aparecia com uma tarja preta sobre os olhos. A filha do ex-ministro também foi prejudicada, na época com quatro anos. Uma professora fez com que ela entrasse no palco durante uma apresentação de dia dos pais, segurando um cartaz que o acusava de corrupto. “Foi uma estratégia entre a professora e a imprensa para fazer a foto do ano.”, aponta Guerra.

Após averiguação pelo Supremo Tribunal Federal, ficou provada sua inocência. Ele abriu um processo contra os jornais que o acusaram e conseguiu 45 segundos no Jornal Nacional como direito de resposta. Desses 45 segundos, 30 foram uma retrospectiva das acusações e 10 uma nota afirmando que ele havia sido declarado inocente. O ex-ministro conseguiu retomar sua carreira política em 1996 quando foi eleito prefeito de Pato Branco. Até hoje evita falar sobre o incidente para não levantar novamente o assunto na imprensa.

Alceni Guerra concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Co:::unicação e comentou sobre a sua carreira política, seu crescente interesse pela área de educação e o caso que o fez deixar o Ministério da Saúde, em 1992.

“Saí com muita dor, mas com a consciência de que eu estava certo, que o tempo me daria razão.” (Alceni Guerra sobre o escândalo das bicicletas.)
Foto: Theo Marques / G1

Jornal Comunicação – Como o senhor iniciou na vida política?

Alceni Guerra – Na universidade eu surpreendentemente fui eleito chefe dos médicos residentes do Hospital de Clínicas por 119 votos a um. Foi a maior vitória que já tive na vida. Aí eu comecei a desconfiar de que tinha uma veia política.

J.C – Como foi estar no cargo de Ministro da Saúde no governo Collor?

A.G – Foi altamente realizador. Eu pego as palavras do ministro que me sucedeu, José Serra. Em uma conferência aqui no Paraná ele disse: “Das dez principais mudanças na saúde do Brasil eu sou autor de uma, os Genéricos. As outras nove são desse tal de Alceni Guerra”. Felizmente, Deus me chamou para a educação. Depois da saúde. E é onde eu trabalho até hoje.

J.C – Em seu site, o senhor menciona o Projeto de Educação Integral. O senhor poderia comentar um pouco sobre isso?

A.G – Eu entrei para a Educação Integral puxado por alguns brasileiros extraordinários como Darci Ribeiro e Leonel Brizola, em uma época em que eles convenceram o Presidente da República que estava tudo errado na educação no Brasil. E convenceram a mim também.

Eu acho que não existe outra saída para o Brasil que não seja mudar a educação básica. A educação superior eu acho muito boa, estamos produzindo extraordinários doutores, pesquisas extraordinárias, produtos industriais à partir desse conhecimento, mas a nossa educação básica ainda é uma das piores do mundo.

Em 65 países analisados, nós tivemos, em 2013, o 58º lugar. Acredito que só conseguiremos mudar essa educação transformando o método, o que, nesse caso, significa alterar o tempo. Em três ou quatro horas de aula, como é hoje no Brasil, não há tempo necessário para fazer a revolução na educação como os coreanos fizeram, os japoneses, os russos, os ingleses, os israelenses, os americanos…

Então, nós precisamos mudar o método da educação básica no Brasil. E eu me dedico a isso hoje, assessorando quase 50 prefeituras gratuitamente para que eles mudem esse método. Mas enfrento muita resistência. Para muito inconformismo meu, até de professores.

Os professores são ruins? São ótimos. A verba é suficiente? É suficiente. 25% do orçamento do país, do Estado, dos municípios é suficiente para uma educação de alto nível. Precisamos de mais dinheiro? Claro que precisamos. Mas o que temos hoje já é o suficiente para sairmos do último lugar no mundo, ou dos últimos como nós estamos.

J.C – Quais foram os motivos que o levaram a sair do cargo de ministro?

A.G – Por brigas políticas, principalmente entre Leonel Brizola e o dono das organizações Globo, doutor Roberto Marinho. E é uma briga que a gente precisa entender, não podemos criticar nenhum dos lados, pois cada um teve seu ponto de vista. Eu fui encarregado de aproximar Brizola do governo, fiz com maestria, fiz com competência e me custou o ódio da imprensa toda no Brasil. Então saí com muita dor? Claro, saí com muita dor, mas com a consciência de que eu estava certo, que o tempo me daria razão. E me deu.

J.C – E hoje em dia sua relação com a imprensa é melhor?

A.G – Nossa! Até melhor do que era antes, porque ficou uma relação natural, sem artifícios e com críticas em ambos os lados. Às vezes sou criticado, Às vezes eu critico, quando a imprensa está errada. Mas eu tenho uma relação madura, natural, como qualquer homem público tem que ter no Brasil.

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