qui 21 out 2021
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Atletas paranaenses surdos representam o Brasil em mundiais

Time de futsal feminino comemora o título de campeãs sul-americanas. (Foto: Confederação Brasileira de Desportos Surdos)
Time de futsal feminino comemora o título de campeãs sul-americanas. (Foto: Confederação Brasileira de Desportos Surdos)

Quinze surdo-atletas do Paraná foram convocados para representar o Brasil nos Jogos Desportivos Sul-Americanos de Surdos, que aconteceu em Caxias do Sul entre 15 e 23 de novembro de 2014. Os esportes que contaram com atletas paranaenses foram o basquete, o voleibol, o handebol, o futebol, o futsal e o ciclismo. Estes atletas pertencem a Federação Desportiva dos Surdos do Paraná (FDSP) e, para eles, a convocação representa mais do que a consagração no esporte, é também uma oportunidade de divulgar a prática de atividades desportivas para surdos.

Daniele Guidugli, de 28 anos, é jogadora de vôlei e foi convocada pela primeira vez em 2014. Ela conta que realizou um sonho de infância. “No meu esporte é difícil conseguir uma oportunidade e, quando eu fui convocada, me senti uma pessoa importante, que pode contribuir para o esporte surdo”, afirma.

Federação

A FDSP busca incentivar a integração entre surdos e ouvintes por meio do esporte e o reconhecimento da prática esportiva surda. Administrada pelos próprios surdo-atletas, a Federação conta com pessoas provenientes de cinco associações filiadas no estado e busca promover campeonatos em doze modalidades com qualidade, contando com estrutura e tecnologias adequadas para que os surdo-atletas possam desenvolver o potencial e tenham a chance de competir em mundiais pela Seleção Brasileira.

Os treinos da seleção surda funcionam como os de qualquer seleção ouvinte: é necessária muita dedicação e esforço por parte do atleta, que é cobrado com muito mais exigência do que nas práticas cotidianas. Para Daniele, o grande diferencial de participar na Seleção Brasileira é a rotina que se estabelece e se faz necessária já que são atletas de vários lugares do país que precisam conciliar os compromissos com os treinos.

Falta de patrocínio

Mesmo aqueles que foram selecionados para competir pelo Brasil precisam, muitas vezes, se virar para conseguir comparecer às competições. Dos quinze atletas selecionados, apenas três são contemplados com a Bolsa Atleta do Governo Federal. Os demais precisam arcar com os custos das viagens com dinheiro do próprio bolso. “Para ir para o Sul Americano a gente pagou R$ 1,5 mil mais a passagem, para ir para o mundial paguei 5 mil. Tem vezes que não conseguimos ir”, explica Anderson Santana Júnior, diretor de esportes da FDSP.

Foi o caso de Vanderléia Gonçalves, jogadora de futsal convocada para a Seleção Brasileira em 2011. Ela teve a chance de participar de seis competições internacionais, mas conseguiu comparecer em apenas duas. “Joguei na Suécia em 2011, depois não deu mais. Esse ano eu participei do mundial no Chile e fomos campeãs. Em 2015, acredito que vou. Acho que vamos passar para a final”, diz a atleta.

Já Josiane Poleski, colega de time de Vanderléia, também foi convocada em 2011 e consegue participar de mais competições devido à Bolsa Atleta, recebida desde 2012. Ela conta que, mesmo assim, não pode confiar para sempre nesse dinheiro. “Eu recebi a bolsa ano passado e nesse ano, mas ela não é segura. Ano que vem pode ou não passar”.

Em busca de reconhecimento

Mesmo com tantas dificuldades, os surdo-atletas continuam a lutar pelo reconhecimento da sociedade. Anderson Santana Júnior afirma que, durante os jogos, tem pouca torcida e que muita gente não sabe nem mesmo que eles acontecem. Segundo ele, a falta de recursos também contribui para a menor divulgação. “A gente já quis transmitir jogo ao vivo pela internet, mas não tem quem cuide disso e também não temos como comprar os equipamentos para fazer uma transmissão com qualidade”.

No entanto, os membros da Federação têm grandes planos para o futuro. Daniele, Vanderléia e Josiane não pretendem deixar a Seleção Brasileira tão cedo, mas as três acreditam que, quando isso acontecer, ou até mesmo antes, elas devem passar os conhecimentos e experiência para as próximas gerações, ensinando crianças surdas em escolas de que é possível seguir carreira com o esporte.

É por isso que parcerias com escolas municipais e estaduais são um dos principais focos da Federação no momento. Anderson Santana Júnior, explica que elas popularizam a prática de esporte entre as crianças, sejam elas surdas ou ouvintes. “Estamos engatilhando a parceria com a prefeitura para ensinar badminton nas escolas, tanto para surdos quanto para ouvintes”, explica ele.

As crianças representam a nova geração que irá lutar por um esporte mais reconhecido e com oportunidades para todos. “Quero tentar estimular as crianças surdas, para que elas possam ter a mim como exemplo e ver que dá certo”, conta Josiane.

Serviço

Federação Desportiva dos Surdos do Paraná

Rua Coronel Luiz José dos Santos, 2685. Boqueirão.

As próximas competições serão divulgadas em: www.fdsparana.org.br ou www.facebook.com/fdsparana

Próximo evento: Prêmio Surdo Paranaense

Premiação dos melhores do ano de 2014.

Dia: 13/12/14

Hora: 19:00

Onde: Auditório do IFPR na Rua João Negrão

Custo: R$ 10,00

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