qui 21 out 2021
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Ciência Sem Fronteiras exclui alunos de Humanas do programa

“Acho que falta ao governo uma subjetivização mais ampla do conceito de ciência”, afirma o participante do movimento Ciência COM Fronteiras Igor Patrick Silva.

As ciências humanas – classificadas em indústria criativa – foram excluídas do programa Ciência Sem Fronteiras e os estudantes dessa área não poderão mais participar. A alteração gerou o descontentamento de vários estudantes, que foram indeferidos após enfrentarem todo o processo seletivo e arcarem com os custos envolvidos, como mostra a carta das alunas de publicidade e artes enviada para a diretoria da Escola de Comunicações e Artes da USP – Universidade de São Paulo. As alunas Isadora Bertolini Labrada e Thiara Veloso Cavadas alegam que “muitos estudantes já haviam se inscrito e arcado com os custos dos exames de proficiência e passaporte, que somam ao total mais de R$500,00, e agora se tornaram inaptas a participarem do programa”. A mudança, que excluiu a maior parte das subáreas de Indústria Criativa, teria sido firmada após o prazo de encerramento das inscrições.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, alega que a exclusão se deve à maior deficiência das engenharias e áreas tecnológicas no país. Para Mercadante, o país já teria uma expressão bastante grande nas humanidades, que então não teriam tanta necessidade na participação do Ciência Sem Fronteiras.

O participante do movimento criado para criticar o programa federal ‘Ciência COM Fronteiras’, Igor Patrick Silva, tem outra visão do caso. “Nossas escolas, ao contrário do que o governo afirma, estão sucateadas e formam profissionais com pouca competitividade em um mercado que já não é lá tão promissor”. Protestando contra essa posição adotada pelo governo, o Ciência COM Fronteiras é composto por diversos alunos insatisfeitos. “Acho que falta ao governo uma subjetivização mais ampla do conceito de ciência. O atual vigente no programa é extremamente tecnocrata e não contempla as deficiências do país, que vão além da máquina”, diz Igor. Segundo ele, seria impossível convencer os órgãos responsáveis pelo Ciência Sem Fronteiras sobre a importância das humanas, se o governo do país continuar vendo desenvolvimento apenas como um produto de inovação material.

Na UFPR, porém, os únicos alunos indeferidos foram de economia e administração. “O que eles deixam claro é que vão privilegiar a área de inovação tecnológica”, diz o chefe de assessoria das relações internacionais, professor Carlos José Mesquita Siqueira. Ele afirma que não houve alunos indeferidos por cursar artes ou outras áreas criativas dentro da Universidade.

Ciências Sem Fronteiras

O programa Ciência Sem Fronteiras, do governo Federal, visa dar bolsas para estudantes de graduação e pós-graduação seguirem com estudos no exterior. É um esforço para estimular o crescimento do país, produzindo profissionais qualificados. Os estudantes aprovados pelo programa são enviados para às melhores instituições estrangeiras, de acordo com rankings internacionais.

A meta é conceder 101 mil bolsas até o ano de 2015, número que ainda parece pequeno se comparado ao total de estudantes contemplados até agora, que somam apenas pouco mais de 19 mil. A maioria dos quais são estudantes de engenharia e áreas ligadas à tecnologia. Essas áreas alcançam o primeiro lugar no ranking dos alunos que mais recebem bolsas, ficando na frente de Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde por uma diferença de cerca de 4 mil estudantes.

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