qua 20 out 2021
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Com sete mil confirmados na internet, Farofada mingua com 200 participantes

A Farofada no Granito, manifestação que surgiu em um evento do Facebook, ganhou espaço nesse domingo (5) na Rua Bispo Dom José em frente ao número 2186. A ação tem raízes em movimentos como Marcha das Vadias, Marcha contra a corrupção e Marcha da Liberdade, tendo como objetivo a fiscalização do poder público.

Pouco mais de cem pessoas estavam presentes perto das 14 horas. A Farofada começou fria como o clima, fragmentada, com grupos distribuídos pela calçada de granito. Ao som de um saxofone, conversas paralelas dispersavam a atenção dos aderentes sobre o foco do protesto.

O ativismo de algumas personalidades conhecidas nos movimentos sociais acendeu a manifestação. Uma das organizadoras, Kaley Michelle, cobriu grande parte do seu corpo com folhas do jornal Gazeta do Povo. Kaley começou com um discurso fervoroso explicando os objetivos da Farofada e deixando claro a sua desaprovação à censura da mídia, principalmente da Folha de São Paulo, quanto às origens do protesto.

Uma das organizadoras do protesto, Kaley Michelle faz uma apresentação contra a forma como a Farofada foi retratada nos jornais. Foto: Lucas Panek

Chik Jeitoso, ex-candidato a vereador, foi o próximo a subir no simbólico púlpito, os famosos bancos do Batel. Com um prato de farofa na mão, discursou contra a falta de políticas públicas em relação às minorias e à Curitiba pobre. E como bruxo, não deixou de fazer suas previsões.  “Vamos acontecer, o Brasil inteiro vai copiar”, afirmou.

Considerada uma das maiores manifestações virtuais desta década, o movimento só ganhou as ruas perto das quatro horas da tarde. Começaram, então, os olhares tortos. Não foram poucos os motoristas que passaram reclamando do bloqueio parcial das ruas. Os comerciantes locais também não gostaram. “Movimento horrível, sem legitimidade. É uma palhaçada, uma dúzia de pessoas atrapalhando o movimento”, diz um funcionário de um estabelecimento que prefere não se identificar.

 

Organizadores falam sobre o evento

André Feiges auxiliou na organização do evento desde o princípio. Ele explicou que a ideia do manifesto surgiu como uma resposta a duas situações. A primeira é o alto investimento, do governo, em calçamento numa região já privilegiada, mesmo a legislação atribuindo a construção de calçadas ao dono do estabelecimento em frente. O outro motivo é “a segregação do espaço público caracterizada pela expulsão de jovens do local pela Guarda Municipal, quando solicitada pelos lojistas”, diz Feiges.

Para Kaley Michelle, a Farofada é a voz da população contra obras e licitações injustas. “É nosso compromisso fiscalizar melhor nossa câmara daqui pra frente”, ela ressalta.

 

Farofada do Busão

A data e o foco da próxima Farofada foram votadas hoje, durante o protesto. Ficou decidido que acontecerá no dia primeiro de junho, na Praça Rui Barbosa.

O foco do evento seguinte será o aumento da passagem de ônibus que, para os participantes, interfere na vida de todos os trabalhadores curitibanos. O nome será Farofada do Busão.

 

Problemas

No evento compartilhado no Facebook, o encontro estava marcado para acontecer em frente ao número 2515 na Rua Dom Bispo José. Antes das duas, alguns manifestantes perambularam pela quadra onde estava combinada a reunião e não encontraram movimento. Amanda Pires, 20, conta que voltou para casa por acreditar que haviam cancelado a farofada por causa da chuva. “Meu pai me levou até o local. Quando não encontramos ninguém, ele me falou que era um ato restrito à internet”, relata.

O movimento passou por alguns momentos de dispersão ao longo das horas. Veio então uma sugestão no grupo da rede social: a criação de um cronograma da tarde do protesto.

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