seg 25 out 2021
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Curitiba recebe a primeira edição do FIDÉ no Brasil

Pocket show com Ana Larousse durante o intervalo de domingo (2)
Créditos: Ana Paula de Moura

Curitiba foi sede, no último fim de semana, da primeira edição brasileira do Festival Internacional do Documentário Estudantil (FIDÉ). O evento existe na França desde 2008 e busca valorizar a produção documental feita em escolas, universidades e cursos livres em todo o mundo. A mostra, que aconteceu na Cinemateca, difunde produções com formatações diferentes às dos meios tradicionais sem promover competição entre os participantes.

Do dia 30 de novembro ao dia 2 de dezembro foram exibidos 27 documentários de vários países, legendados em português, com destaque para uma seleção especial de filmes apresentados nas últimas edições do festival na França.

Além de ser uma maneira de mostrar ao público obras com temas bem variados entre si, o FIDÉ também abriu espaço para outras formas de arte. A programação incluiu debates, bate-papos com profissionais, pocket shows e até escambo cultural. Durante o intervalo dos filmes, os espectadores puderam levar livros, DVDs ou outros objetos que promovessem cultura para trocar com quem estava por lá.

De Paris para Curitiba

O evento foi trazido ao Brasil por Demian Garcia, coordenador geral do festival. Ele voltou para a cidade no início do ano depois de concluir o mestrado em Cinema e Audiovisual na Nouvelle Sorbonne e quis trazer o FIDÉ consigo, apesar de não ter nenhuma verba para financiá-lo. “Fizemos tudo na raça. Falei com o pessoal da organização, que topou ajudar, com os alunos da FAP (Faculdade de Artes do Paraná), que ficaram na recepção, conseguimos apoios e a Cinemateca nos cedeu o espaço”, conta.

O evento privilegiou diversos filmes brasileiros. Alguns deles foram, inclusive, produzidos por alunos da FAP, como o documentário “Senhores”, de Guilherme Delamuta. O estudante de cinema de 23 anos diz que a obra foi feita para um exercício de aula. “Fiz tudo praticamente sozinho. Filmei, editei e tratei o som. Só tive a ajuda de um amigo meu, que ficou com uma câmera reserva”, revela.

Seleção

Os filmes exibidos durante o FIDÉ Brasil participaram de uma pré-seleção para a mostra francesa e tiveram a possibilidade de fazer parte da programação das duas edições do festival, que aconteceram em novembro. Com isso, o objetivo da organização é de que o FIDÉ atue tanto local quanto internacionalmente e crie uma programação comum entre as edições brasileira e francesa.

Na França, o FIDÉ (sigla para Festival International du Documentaire Étudiant) é o único festival dedicado exclusivamente às produções documentais estudantis. Cerca de cem filmes e documentários sonoros de mais de 20 países foram exibidos nos últimos quatro anos. Já entraram para a seleção filmes de países como Bulgária, Inglaterra, Rússia, Marrocos, Líbano, República Tcheca, Eslovênia, Birmânia, Espanha, entre outros.

Durante o FIDÉ Brasil, a diversidade entre as produções chamou a atenção do público. A atriz de teatro Graziela Braz, que foi à mostra no sábado e no domingo, conta que percebeu diferenças entre documentários nacionais e internacionais. “Tem diferença de qualidade, de domínio de linguagem. Acho que, no geral, os europeus são bem melhores”, opina.  Ela também diz ter ficado impressionada com a densidade dramática de algumas produções. “Por mais que o documentário tente se aproximar do real, sempre quem está na frente da câmera acaba interpretando um pouco no começo. Mas quando se passa muito tempo com a pessoa entrevistada, ela até acaba esquecendo que a câmera está ali e começa a ser ela mesma. Isso torna o real muito mais fantástico que o fictício”, opina.

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