qua 20 out 2021
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Diretoria eleita da APUFPR aposta em momento de avaliação das greves

Na última quinta-feira (2) foram às urnas 542 professores da UFPR para votar na diretoria que estará à frente da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR-SSind) durante os próximos dois anos. A chapa única, encabeçada pelo professor do Setor de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT) João Francisco Ricardo Kastner Negrão (ou apenas “João Negrão”, como é conhecido no movimento docente), levou às urnas cerca de 15% dos 2.997 associados ao sindicato. Isto significa que a nova gestão está respaldada pelos professores? “Tranquilamente”, é a opinião do presidente da comissão eleitoral, professor Tibiriçá Kruger Moreira.

Com 49 votos, urna da reitoria foi a segunda mais votada na eleição da APUFPR
Crédito: APUFPR

Apenas um nome da atual diretoria, o da representante dos aposentados Márcia Costa Itiberê da Cunha, figura entre os que assumem a diretoria da entidade no próximo dia 10, data da posse. Mas ninguém esconde que esta é uma gestão de continuidade. Pelo contrário, João Negrão orgulha-se de presidir um grupo que se esforçou para “fazer um resgate da APUFPR há duas gestões atrás, fazer um movimento para trazer o associado à participação política ou mesmo recreativa”.

O atual presidente, Luis Allan Künzle, que liderou a entidade durante a greve local, em 2011, e nacional, em 2012, diz sentir uma “felicidade extrema” em passar o bastão para o colega. Ele resume o ponto fundamental com o qual o grupo tem tentado trabalhar nos últimos quatro anos: “discutir as especificidades do trabalho, da realidade docente, as dificuldades que o professor tem, mas sem perder de vista que este processo que se vive hoje é fruto de uma tentativa de imposição de um novo modelo de sociedade”.

Greve

“Avaliar o movimento de greve de 2012 e a greve local que nós fizemos aqui, praticamente sozinhos, em 2011”. Essa é a tarefa do sindicato para o próximo período, na opinião de João Negrão. Na prática, significa que o sindicato dá um voto de confiança à reitoria e ao Ministério da Educação (MEC) e irá aguardar, para avaliar se os órgãos irão cumprir com as promessas realizadas na negociação para a saída da greve, antes de pensar em medidas mais drásticas.

No plano local, a implementação do limite de 12 horas em sala de aula para os professores com contrato de 40 horas e em regime de dedicação exclusiva, considerada principal conquista da greve docente, é prioridade para a nova diretoria.  “O Brasil inteiro está discutindo limite mínimo para 12 horas e temos uma resolução de limite máximo com essa carga horária. Somos a única universidade que tem isso no país”, ressalta Luis Allan.

Já para as negociações entre o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e o MEC, a readequação da carreira (pauta do acordo estabelecido em 2011, cujo não cumprimento resultou na greve nacional um ano depois) é um tema iminente. O reenquadramento dos aposentados, que hoje não têm possibilidade de atingir o topo da carreira – salvo tenham chegado a ele antes da aposentadoria – é apontado por João Negrão como um dos itens que carecem de regulação. Com a Lei 12.772 de 28 de dezembro de 2012 a carreira do magistério superior federal passou a ser composta por cinco classes, que vão de “auxiliar” a “titular”.

Além de debater questões mais corporativas, o diretor eleito aponta que há um modelo de universidade a ser defendido pelo sindicato. Para ele, há a necessidade de as universidades federais investirem em estrutura de forma a garantir uma “condição digna de trabalho” para os profissionais que as instituições já possuem. Além disso, elas devem abrir vagas para incorporar uma mão-de-obra qualificada que já existe no mercado. “A gente tem que mostrar para o governo que a universidade deve ser gerida por políticas de Estado e não por políticas de governo, temporárias, que mudam a cada gestão e a cada governo de plantão”. O nome escolhido para a nova gestão, em sua opinião, resume o lema político que o sindicato irá seguir: Universidade pública, valorização docente e compromisso social.

APUFPR apostou em cédula autoexplicativa em sua eleição, com lema da chapa e nominata
Crédito: Naiady Piva
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