qua 20 out 2021
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É dos barbados que elas gostam mais

Cadeiras, armários e objetos denunciam a longa existência da Barbearia Oásis, no centro de Curitiba. Foto: Flávia Bianchi

Loiros, morenos ou ruivos, isso já não importa mais. Quem tem vez agora são os homens barbados. A barba voltou com tudo nos últimos anos, seja para compor o visual “hipster”, adotado por parte dos jovens, ou complementar o estilo dos “retrossexuais” – homens que vão contra a tendência metrossexual e defendem o visual machão e descuidado.

Enquanto para alguns os pelos faciais significam desleixo, para outros é sinônimo de confiança. O ator Johnny Leal, 21 anos, garante que se sente diferente perante aos outros, quando adota uma barba imponente. “Me sinto muito mais respeitado quando estou de barba. Acho que a auto confiança muda, e pra melhor”, garante o ator.

As diferenças, segundo Leal, podem ser sentidas também no psicológico de quem a usa. “De barba, eu me sinto mais maduro. Quando estou sem barba, me sinto um moleque, e até parece que minha voz fica mais aguda”, finaliza.

Barbearias: onde o ritual acontece

Para aderir ao visual barbado, as opções são diversas. Há quem prefira os salões de cabeleireiros tradicionais, mas ninguém resiste ao charme das barbearias. Frequentados apenas por homens, esses locais se tornam verdadeiros pontos de encontro do sexo masculino.

Sem a presença feminina, homens feitos e meninos se sentem livres para falar sobre o que bem entenderem, sem preocupação. Bruno Murakami, 20 anos, estudante universitário e frequentador assíduo de barbearias, explica que o ambiente reservado garante a liberdade nos bate-papos.  “Os homens podem baixar a guarda, e tudo fica mais descontraído, mais leve. Dá pra falar de tudo sem se preocupar com o que vão pensar de você”, conta ele.

Outro motivo para preferir esse tipo de estabelecimento aos demais é a presença do tradicional barbeiro. Experiente e com um convívio amplamente diverso entre diferentes homens, essa figura caracteriza uma fonte de conhecimento – e não apenas em questão de barbas e cabelos. Bruno encontra essas características no barbeiro Milton Araújo. “A presença do Milton é altamente necessária. Pela profissão dele, acaba conhecendo de tudo um pouco, mostrando pontos de vista diferentes ou fatos que a gente nem imagina”, explica o estudante.

Não é raro encontrar dentro das barbearias grupos de amigos que se reúnem, de tempos em tempos, para ir juntos fazer barba e bigode. A presença dos grupos completa, finalmente, o ritual da virilidade. “Começou com indicação de amigo pra amigo, e no final percebemos que era uma boa desculpa para trocarmos umas ideias, ainda mais com a presença do barbeiro. Para mim, passa o mesmo sentimento de ir num bar com os amigos”, completa Murakami.

Nada muito moderno. O que conta nas barbearias tradicionais é a própria tradição e a experiência do barbeiro. Foto: Flávia Bianchi

Tradição x modernidade

Tradicionais e cheias de charme ou modernas com diversos atrativos, as barbearias estão por toda parte, com diferenciais claros e investimentos distintos.

A Barbearia Clube é um dos principais exemplos de barbearias conceito da cidade. Com a primeira franquia aberta em 2007 e a segunda inaugurada esse ano, o estabelecimento é modelo quando o assunto é deixar os homens à vontade e em um ambiente “só seu”.  Especialmente para a barba, duas opções são ofertadas aos homens: barba completa ou desenhada, que sai por R$ 35, e a apenas a passada de máquina, que custa R$ 10.

Entretanto, outros serviços, além dos referentes à barba, são disponibilizados, como cuidados com as mãos, com os pés e com o corpo em geral. Acupuntura, massagens terapêuticas e relaxantes, assim como depilação (axilas, sobrancelha, peito, íntimas), também são oferecidas aos frequentadores da casa, que possui um ambiente bastante amplo e decorado no maior estilo “casa do macho”.

Meire Pinto, diretora da Barbearia Clube explica como surgiu a ideia da decoração do estabelecimento.  “Como a casa recebe pais que trazem os filhos e vice-e-versa, colocamos uma mesa de futebol de salão – brincadeira antiga, mas bem bacana pra interagir em família”.

Os convidados especiais foram aprimorando o serviço oferecido. “Como recebemos noivos com padrinhos todos os sábados, acrescentamos mesa de bilhar e de pebolim, para entretenimento dos convidados”, completa a diretora. A estratégia acertada garante um ambiente totalmente masculino que deixa qualquer homem à vontade. “A barbearia fica com a cara deles: TV ligada sempre em canais esportivos ou jornais, revistas masculinas, jogos de mesa, docinhos de mercearia como cortesia, amendoim e cerveja de vários tipos”, finaliza Meire.

Mesmo com a forte concorrência, as barbearias tradicionais persistem firmes na capital paranaense. O motivo é claro: a própria tradição. Uma das barbearias clássicas de Curitiba, a Barbearia Oásis, está localizada no centro da cidade. Com aproximadamente 4X3 metros, o cubículo conta com duas cadeiras, uma estreita bancada, pouco espaço e muita memória.

Aberta há cerca de 50 anos, a Oásis conta com Silvino Tafner como seu único barbeiro. O senhor de cabelos brancos trabalha há 19 anos no local e garante que já chegou a atender cinco gerações de uma mesma família. Embora os desavisados pensem que barbearia tradicional é lugar de gente mais velha, Tafner conta que além dos senhores de idades, que querem reviver seus tempos de glória, a clientela também é composta por jovens adultos e universitários. De acordo com o barbeiro, os clientes são renovados “conforme vão morrendo”.

Apoio para os pés das cadeiras antigas da Barbearia Oásis, uma das mais tradicionais de Curitiba. Foto: Flávia Bianchi

A peça principal

A figura central de todo o processo, no entanto, é o próprio barbeiro. Milton Araújo, profissional digno da confiança do estudante Bruno Murakami, trabalha a sete anos focado apenas no público masculino. Ele diz que, embora a maioria dos clientes seja composta por barbados de meia idade, a clientela tem se renovado a cada ano. “Homens de 20 a 40 anos são maioria, mas o público mais jovem, com estilo já definido, tem procurado as barbearias devido ao diferencial do estabelecimento”, esclarece.

Para Araújo, a barba não representa apenas um punhado de pelos no rosto, e pode ser de grande valia para compor um visual elaborado. “A barba contribui na composição estética do rosto, parte importante na construção da imagem pessoal. Por suas características, possibilita inúmeras mudanças ressaltando pontos interessantes e disfarçando ou corrigindo os indesejáveis”, afirma o barbeiro.

Além de corrigir incômodos estéticos, o barbeiro garante que ter uma barba vai muito além da aparência. “Ela expressa a personalidade de quem a usa e influencia bastante em sua psicologia. Quando o cliente fica satisfeito com o design de sua barba, é possível notar diferenças em sua confiança e autoestima”, completa. Exemplo vivo, o ator Johnny Leal assina embaixo das palavras de Araújo. “A sensação de estar de barba é indescritível”, assume o barbado convicto.

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