sáb 18 maio 2024
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Festival de Curitiba ressalta trabalho das mulheres na produção e no palco

Grupos e mostras de maioria feminina compartilham suas experiências e trazem ao Festival de Curitiba a representatividade na cultura

Dentro de uma programação diversa, o Festival de Teatro de Curitiba 2024 traz 14 dias de atrações para divertir, emocionar, refletir e inspirar — tanto o público, quanto quem está na produção do evento. Foi essa a proposta da roda de conversa “Mulheres Produtoras – um olhar sobre Festivais”, que trouxe uma troca de ideias entre quatro mulheres e um homem drag performer, todos produtores de festivais culturais.

O bate-papo, organizado no sábado (30/03) no Teatro Novelas Curitibanas, compõe as produções da Telúrica Palhaçaria no Fringe, mostra aberta e sem curadoria do festival. A diretora de produção da Telúrica, Yara Rossatto, conta que é sua primeira participação no festival com o grupo. “Tínhamos o desejo de conversar com outros ‘fazedores de festivais’ e saber como as pessoas estão se organizando”, explica.

Equipe da Telúrica Palhaçaria, formada inteiramente por mulheres | Imagem: Biaflora Lima

Na experiência de Yara, tanto o universo da palhaçaria, quanto o da produção no teatro, são ainda muito masculinos, e as mulheres nesses meios ainda enfrentam diversos desafios e questionamentos. “Acreditar que de repente uma mulher não pode carregar tal coisa, dar conta de tal coisa ou não pode mandar em você, ou não tem autoridade, ou entendimento para dizer como tem que ser”, comenta.

Mesmo que as mulheres representem pouco mais da metade da população brasileira (51,5%, de acordo com o Censo 2022), em toda a estrutura econômica do País, são os homens que têm maior participação. A área das artes cênicas, segundo dados de 2020 da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), tem apenas 36,5% de suas posições ocupadas por mulheres.

A produtora Priscila de Morais compartilha diversas experiências na produção de festivais e incentiva quem está iniciando na área.

A produtora e coordenadora do Fringe, Priscila de Morais, também participou da roda, e comenta que sentiu-se inspirada ao se identificar com as experiências das colegas de profissão. “Trabalhamos juntas em alguns projetos e a gente quase nunca, enquanto produtoras, temos tempo para conversar sobre o nosso fazer criativo, como a gente falou hoje na conversa.”

“O problema de uma é o problema de todas”, brinca. Os assuntos discutidos em uma hora e meia de conversa foram trocas de experiência sobre início de carreira e estágios, os editais de cultura e questões financeiras da produção e como lidar com a organização das tarefas, da equipe e cuidar da saúde em momentos de muito trabalho, como um festival.

Sobre a sua experiência como mulher na produção, Priscila explica que há uma diferença entre os setores: enquanto na executiva e na coordenação as mulheres são maioria, o ambiente da técnica de montagem de eventos ainda é muito masculino.

“Ainda é um desafio, porque a gente tem que se bancar e se provar o tempo inteiro. A gente tem que fazer o dobro do que um homem faz para acreditarem: ‘nossa, ela é boa de verdade!’

 Priscila de Morais
A peça “Histórias de Princesas Guerreiras” foi realizada no domingo (31/03), na Praça Generoso Marques.

Também com objetivo de trazer representatividade, o grupo teatral AsLucianas, composto em sua maioria por mulheres, trouxe um de seus espetáculos de rua direto do Rio de Janeiro para o Fringe: a peça infantil “Histórias de Princesas Guerreiras”

A diretora e produtora, Luciana Ezarani, explica que a temática do empoderamento é sempre trabalhada nas produções do grupo, que completa 21 anos em 2024. “A gente trouxe pra cá uma história que fala sobre o calar, outra sobre o apanhar, e a terceira história a gente fala sobre inteligência, porque por muito tempo a mulher foi vista como do lar, de casa e a incapacidade do pensar”, comenta.

Apaixonada por espetáculos de rua, Ezarani conta que esta área do teatro tem poucas mulheres. “A mulher sempre foi muito silenciada, inclusive nas artes. Às vezes a mídia dá mais atenção para um espetáculo masculino, ou que tem um homem na direção, um homem à frente do que quando tem uma mulher”, comenta.

Confira as falas das produtoras e um pouco das duas atrações:

https://drive.google.com/file/d/1rqfASUqvuo_LJToIAI86eSOiMETZqCBW/view?usp=drive_link

Reportagem por Leticia Negrello e Victor Schultz

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