dom 21 abr 2024
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Festival de Curitiba: Democratizando o Mundo das Peças

Fringe, traz a região 285 espetáculos divididos em dez mostras temáticas, além dos espetáculos de rua e do circuito independente

Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Teatro, 27 de março, a capital paranaense dá início à 32ª edição do Festival de Teatro de Curitiba. Além de oferecer diversas peças a preços acessíveis, o evento promove diferentes formatos artísticos e culturais como a mostra Fringe, com vários espetáculos gratuitos.

A experiência de se maravilhar com a magia do teatro através de espetáculos gratuitos é um dos objetivos do festival. Essa iniciativa não só facilita a chegada de novos públicos, mas também proporciona uma plataforma para que os artistas apresentem seu trabalho, que promete encantar moradores e visitantes.

Espetáculo Risas y Sonrisas na Praça Santos Andrade. (FOTO: Pedro Milano)

Todos precisamos do Teatro

De acordo com a pesquisa “Hábitos Culturais”, conduzida pelo Observatório da Fundação Itaú em parceria com o Datafolha, problemas financeiros emergem como um dos principais entraves à participação em atividades culturais presenciais.

No levantamento, a tarifa elevada dos bilhetes é mencionada por 12% dos participantes da pesquisa, enquanto 7% apontam os custos de deslocamento e 4% destacam dificuldades financeiras gerais. Neste cenário, os espetáculos gratuitos do Fringe ganham destaque como uma opção acessível para aqueles que, de outra forma, não teriam a chance de participar.

A democratização da cultura é uma pauta crucial. “O acesso à cultura é um direito fundamental, mas muitas vezes é limitado pela elitização” declara Nilo Netto, que interpreta um palhaço em um dos espetáculos da mostra Fringe.

Áudio Nilo Netto, palhaço, 42 anos

O Movimento Sem Ingresso (MSI) em Curitiba é um exemplo notável de popularização cultural. O MSI possibilita que pessoas interessadas solicitem doações de ingressos ou ocupem assentos desocupados. Segundo Anderson Ribeiro, membro do MSI, na edição de 2013 o movimento conseguiu doar mais de 2 mil ingressos além de disponibilizar a liberação de 500 pessoas para ocupar assentos vazios.

Uma outra opção é o sistema Pague Quanto Vale, que tem o objetivo de ampliar o acesso à arte, com atrações para todos os públicos e gêneros. Esta é uma ótima oportunidade para aproveitar o festival sem comprometer o orçamento. No dia 27 de março, a peça infantil “Café com Leite”, realizada na Caixa Cultural, abraçou essa iniciativa. Daniel Covolo levou a filha Manu ao espetáculo, e elogiou o sistema. “As pessoas quando assistem, acham agradável… se surpreendem”.

Para o diretor da peça , Rafael Coutinho, o Fringe nasceu para facilitar o acesso às apresentações artísticas. “É bacana, porque o festival tem essa proximidade. O intuito de deixar as portas escancaradas, colocando mostras em vários lugares populariza a arte, para o teatro ser para todos”, conta Coutinho.

Espetáculo Infantil “Café com Leite” na Caixa Cultural. (FOTO: Maria Guimarães)

Os espetáculos gratuitos do Fringe são realizados em espaços públicos, como praças e calçadões, oportunizando a todos o acesso às artes cênicas. Essa abordagem não apenas promove a inclusão social, mas também transforma espaços urbanos em locais de expressão artística e interação comunitária.

Por Maria Regina, Pedro Milano e Victor Lobo

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