ter 19 out 2021
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Praticantes de pole dance defendem inclusão do esporte nas Olimpíadas

As pole dancers Sandra e Michelli acreditam no potencial olímpico do esporte. (Foto: Luiza Guimarães)

O pole dance ganhou muitos adeptos nos últimos dois anos. Homens e mulheres estão conhecendo os benefícios para a saúde e para a autoestima que a prática traz. Esse maior reconhecimento do pole dance contribui para que pessoas do mundo inteiro desenvolvam campeonatos profissionais e, ainda, incluam nesses campeonatos os portadores de necessidades especiais.

O instrutor de pole dance Yagho Panichi, de 21 anos, está desenvolvendo o “para-pole”, um sistema que adapta o pole dance para pessoas com alguma deficiência física baseado numa avaliação técnica prévia. No projeto, o instrutor conta com a ajuda da fisioterapeuta Michele Deud e da educadora física Ketria Sronza, além da professora de educação física da PUC-PR e pole dancer, Keith Sato. Juntos, os quatro estão estudando os aspectos físicos e artísticos da modalidade em busca do reconhecimento do pole dance como esporte e da inclusão de pessoas com necessidades especiais.

Yagho afirma que esse sistema é um desafio já que muitos dos passos realizados dependem das travas nas articulações dos braços e das pernas contra o poste. No entanto, é a preparação do instrutor que deve compensar essas dificuldades do aluno e prepará-lo para competir como qualquer atleta. “O instrutor precisa estar apto para lidar com essas pessoas, com as dificuldades e com as limitações físicas que elas têm”, afirma.

O para-pole dance

O sistema pensado por Yagho é dividido em níveis de capacidade, muito parecido com o que acontece nos festivais de dança. O nível inciante compete com passos mais básicos e, conforme o atleta avança, os movimentos também vão ficando mais elaborados. Esse sistema possibilitaria a participação de pessoas com alguma deficiência motora, pois seria possível criar uma categoria competitiva apenas para esses atletas. “Eu me inspiro muito numa pole dancer australiana chamada Debbie. Ela faz movimentos muito difíceis, de coluna e pernas, tendo a amputação de um braço”, comenta o instrutor.

A pole dancer e professora de educação física Keith Sato acredita que mesmo com limitações motoras, qualquer um consegue praticar o pole dance. Existe como compensar a falta de movimentos em braços e pernas com qualidade artística e um bom trabalho nas áreas não afetadas do corpo. “Internacionalmente, já existem competições especiais de meninas amputadas que fazem o pole e dançam lindamente”, afirma a atleta. Ela explica que a modalidade faz muito bem para a saúde e pode inclusive auxiliar pessoas que tenham problemas vertebrais ou dificuldades motoras.

Além de possibilitar a maior diversidade de atletas, o desenvolvimento de um sistema de regras também ajudaria a regulamentar o pole dance como esporte, o que é o primeiro passo para torná-lo reconhecido junto ao Comitê Olímpico Internacional. “O objetivo do meu projeto é deixar o pole dance mais profissional. É tirar esse tabu de que é simplesmente uma dança para marido e o pessoal começar a vê-lo como esporte, como ele é”, diz Yagho.

No que depender do esforço dos praticantes de pole dance, logo os Jogos Olímpicos, e os Paralímpicos contarão com uma nova modalidade.

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