ter 26 out 2021
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Manifestação contra a perseguição de jornalistas reúne cerca de 100 pessoas em Curitiba

A marcha, que ao seu fim gerou uma concentração nas ruínas do São Francisco, durou pelo menos uma hora e contava com tambores e gritos de “Basta!” à perseguição a jornalistas.  (Foto: Valsui Júnior)
A marcha, que ao seu fim gerou uma concentração nas ruínas do São Francisco, durou pelo menos uma hora e contou com tambores e gritos de “Basta!” à perseguição a jornalistas
(Foto: Valsui Júnior)

Na segunda quinzena do mês de abril, o repórter do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), James Alberti, investigava casos de corrupção e crimes de pedofilia na Receita Estadual quando foi ameaçado de morte. Desde então, o jornalista teve de se retirar do estado do Paraná como medida de segurança e proteção a sua vida.

Casos como esse foram o enfoque da manifestação que ocorreu na manhã de domingo (3), no Largo da Ordem, em Curitiba. Promovido pelo Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor) e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná, o ato contou com cerca de 100 pessoas, entre jornalistas, estudantes de comunicação e professores da rede estadual de ensino.

“Violência e casos de assédio moral têm acontecido constantemente com os jornalistas. Infelizmente nem tudo chega ao conhecimento dos sindicatos ou, quando chega, já é tarde demais”, explicou Silvia Valim, dirigente cultural do Sindicato dos Jornalistas.

Valim também citou o caso de jornalistas da Gazeta do Povo que foram chamados pelas polícias Civil e Militar para depor e revelar seus contatos, contrariando o princípio de sigilo de fontes. “O que aconteceu com o James é só um caso que veio à tona”, reiterou. “O fato de ele ter de sair do estado para fugir do que ele se especializou para fazer, que é levar a informação e contar à população o que realmente está acontecendo, isso não pode acontecer”, reivindicou a dirigente cultural.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) continua investigando a emboscada feita ao jornalista James Alberti através da análise das câmeras do hotel onde estava hospedado em Londrina e redondezas (Foto: Valsui Júnior)
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) continua investigando a emboscada feita ao jornalista James Alberti através da análise das câmeras do hotel onde estava hospedado em Londrina e redondezas
(Foto: Valsui Júnior)

Interior do Paraná

Além do cenário na capital paranaense, pelo menos outros quatro casos foram indiciados pelo Sindicato de Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná. Em Umuarama, jornalistas foram proibidos de investigar denúncias contra o vereador de uma cidade da região. Já em Foz do Iguaçu, um grupo de repórteres foi ameaçado por um político da Câmara de Vereadores.

Para o radiojornalista da CBN Curitiba, Márcio Miranda, é necessário que toda a categoria se una para denunciar esses acontecimentos. “Hoje, sendo dia mundial da liberdade de imprensa, acho muito importante que haja o combate de situações como essa, junto à cobrança de uma investigação efetiva”, afirmou.

Comitê Paranaense de Proteção ao Jornalista

No dia 22 de abril, em assembleia extraordinária no Sindijor, foi instaurado o Comitê Paranaense de Proteção ao Jornalista. Além dos jornalistas profissionais do sindicato, o comitê reúne o deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Tadeu Veneri, e o dirigente do Terra de Direitos e da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Darci Frigo.

De acordo com o atual presidente do Sindijor, Gustavo Henrique Vidal, o Comitê vai reunir todas as informações de ameaças. “Nós pedimos que os jornalistas denunciem ameaças, por menor que seja. Até mesmo a demissão da empresa para que não se publique uma matéria”, disse. “Além de reunir essas informações, vamos mapear onde existem mais ameaças para se começar a tomar algumas posições”, concluiu o presidente do sindicato.

Serviço

Para mais informações sobre denúncias de casos de assédio moral ou ameaça de morte ao profissional jornalista, acesse o portal do Comitê Regional de Proteção ao Jornalista.

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