qua 05 out 2022
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Projeto paranaense cria rede de pesquisadores relacionada ao uso da água

Iniciativa do governo do Paraná pretende unir forças para combater crise hídrica no estado

Lançado no dia 20 de setembro de 2021 pelo governo do Paraná, em parceria com a iniciativa Tropical Water Research Alliance, o NAPI Águas (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) atualmente já engloba quase todas as instituições de ensino superior do Paraná. 

O projeto funciona como uma ferramenta que pretende integrar uma rede de pesquisa e conectar profissionais de diferentes locais do Paraná. Além disso, possui objetivo de focalizar a inovação como grande elemento transformador do estado na busca de avanços sociais, econômicos e humanos.

O NAPI surge num contexto em que os dados sobre a crise hídrica no Paraná preocupam especialistas: em agosto, por exemplo, os níveis dos reservatórios da região de Curitiba chegaram a 49,7%. Atualmente, a cidade precisa passar por um rodízio de água. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento ambiental do estado, o mês de abril de 2021 foi o mais seco em 23 anos em diversas cidades paranaenses, tais como Londrina, Maringá e Cascavel.

Ano de 2021 deve fechar com chuvas abaixo da média prevista para o estado. Créditos: Breno Antunes

Ação ambiental

Ao todo, já são cerca de 100 pesquisadores que aderiram ao projeto, e a tendência é que esse número cresça ao longo do tempo — especialmente entre pesquisadores de universidades federais, estaduais e privadas, mas também de institutos de pesquisa.

A intenção é agregar pesquisadores, integrar projetos e promover uma integração maior, especialmente entre os pesquisadores do Paraná, através de um sistema lançado pela Fundação Araucária, chamado IAraucária. A aplicação funciona de maneira similar ao Currículo Lattes, onde são disponibilizadas informações sobre todos os pesquisadores, como seus currículos. Existe a possibilidade de fazer buscas neste sistema em relação à critérios de seleção, para fomentar parcerias e iniciativas: neste caso, voltadas aos recursos hídricos. 

A proposta do NAPI é agregar pesquisadores das mais variadas linhas de pesquisa. Foto: Divulgação

Para Yara Moretto, professora do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenadora do NAPI Águas, o projeto parte da necessidade de conciliar a ciência com os interesses da população.

“O NAPI Águas é um projeto que visa o bem social e a solução de problemas, unindo necessidades da sociedade com aspectos técnicos relacionados à pesquisa e inovação que possam ser utilizados e fomentados pelo governo do estado, pensando no benefício comum”, disse a pesquisadora. 

Planos futuros

Neste momento, o NAPI Águas trabalha em um projeto para o desenvolvimento de iniciativa que trabalhe a importância dos cuidados com os recursos hídricos, especialmente no contexto das mudanças climáticas e de crise hídrica do Paraná.

políticas públicas estabelecidas com base no contexto do ensino e da pesquisa sempre vão gerar bons resultados.

Yara Moretto, coordenadora do NAPI Águas

A ação foi divulgada junto com o lançamento do projeto, e vai agregar várias instituições de ensino do Paraná. Além de institutos, foram feitas parcerias com a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), o Parque Tecnológico de Itaipu e o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). 

Com base na atuação do NAPI, será construído um banco de dados ambiental para o Paraná. A proposta é agregar informações que sejam disponíveis para todos os pesquisadores, bem como trabalhar com indicadores de vulnerabilidade e exposição aos efeitos das mudanças climáticas, de forma que esses resultados possam ser usados para políticas públicas sobre uso e reuso da água. 

Assim, o projeto vai reunir informações de quatro setores, a fim de trazer para a comunidade acadêmica e externa, além do poder público, informações de pesquisa com base em levantamentos temporais, com objetivo de expor onde existe mais vulnerabilidade associados às mudanças climáticas. Os resultados indicarão a melhor maneira de tomar decisões, pensando no bem estar da sociedade paranaense.

O NAPI recebeu financiamento de aproximadamente R$ 860 mil do governo do estado, via Fundação Araucária. A execução ainda aguarda os aspectos jurídicos das instituições, sendo que o planejamento conta com o começo em fevereiro de 2022. 

Para Yara, é importante que a rede se torne cada vez mais forte, e que possa fomentar ainda mais projetos: “Pensando no contexto da água, que é um recurso extremamente importante e limitado, precisamos de cada vez mais fomento e pesquisas para sua preservação. Todas as ações de pesquisa para as quais este grupo do NAPI está aberto, faz com que possamos ter excelentes oportunidades de mais projetos e mais financiamentos”.

Breno Antunes da Luz
Estudante de Jornalismo da UFPR.
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