ter 26 out 2021
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Semifinalista olímpico, nadador Henrique Rodrigues analisa desempenho em Londres

Depois da semifinal em Londres, Henrique mira o pódio pra 2016 (Foto: Satiro Sodré)

Semifinalista na prova dos 200m medley nas Olimpíadas de Londres, Henrique Rodrigues é um dos nomes mais promissores da natação brasileira. Com 21 anos de idade, o curitibano já possui no currículo títulos nacionais e duas medalhas panamericanas – ouro no revezamento 4x100m livre e bronze nos 200m medley no Pan de Guadalajara, no México, em 2011.

Em entrevista ao Jornal Comunicação, o atleta – que se prepara para disputar o Mundial de Piscina Curta, na Turquia, em dezembro – contou detalhes da experiência olímpica (a primeira da carreira), avaliou o desempenho dos companheiros e comentou seus objetivos para os Jogos do Rio, em 2016.

Jornal Comunicação – Depois da semifinal olímpica, você conseguiu o índice para os 200m medley do Mundial de Piscina Curta logo na primeira tentativa. Dá pra dizer que essa é a melhor fase da sua carreira?

Henrique Rodrigues – Vamos dizer que eu estou começando o melhor momento da carreira. Estou fechando um ciclo que foi meio atrapalhado, com mudança de residência, e só agora realmente estou me preparando. Nesse próximo ciclo olímpico vou ficar só aqui em Curitiba e as pessoas vão poder acompanhar melhor o que estou fazendo. Não vou me movimentar demais, apenas em viagens pra competições. Vai ser um período que vou conseguir ter mais foco no trabalho.

Comunicação – Em setembro, você recebeu uma placa do governo do Estado pela participação em Londres. Como foi o encontro? Qual a sensação ao ganhar uma homenagem como essa?

Rodrigues – Foi muito bacana o reconhecimento. Eu já tinha recebido uma homenagem da cidade de Curitiba e agora foi do Estado do Paraná. Não tem satisfação maior que você receber isso ai, ser homenageado em meio a tantas pessoas. É um orgulho muito grande estar recebendo isso.

Comunicação – Há quanto tempo você nada?

Rodrigues – Desde os cinco anos, mas eu comecei a competir com 11. Eu jogava futebol na época, ainda criança, e estava meio dividido. Ia três vezes por semana nadar e duas vezes jogar futebol. Aí um dia eu falei “ah não, quero só nadar”. E já tem aí mais da metade da vida na natação.

Comunicação – Quem é o seu grande ídolo na natação?

Rodrigues – O (Michael) Phelps eu conheço de campeonatos, de ter amizade, mas meu ídolo mesmo é o Gustavo Borges. Acho que, além do César Cielo, é o outro grande ídolo brasileiro, um dos primeiros medalhistas olímpicos… É o que mais me chama atenção não só pela postura dentro e fora da água, mas pelo caráter.

Comunicação – Você ficou satisfeito com o seu desempenho nas Olimpíadas?

Rodrigues – Não vou dizer que fiquei satisfeito… Eu tive muito pouco tempo de preparo. Do tempo total, que é de quatro anos, eu me preparei só seis meses pras Olimpíadas. Eu mudei de treinador três ou quatro vezes durante um ciclo, não estava realmente encaixando o trabalho. Faltando seis meses pros Jogos é que encaixei o trabalho e tentei correr atrás do prejuízo.

Comunicação – O que você achou do desempenho brasileiro nas piscinas?

Rodrigues – O Brasil caiu muito em relação à expectativa, que era terminar em 12° lugar, e acabou em 22°. São dez posições que contam muito. Os atletas tinham condições de dar resultados muito bons e, no fim, nem na final ou na semifinal chegaram.

Comunicação – O que contribuiu pra essa queda?

Rodrigues – É que, no Brasil, se compete por equipe. Tem o time de São Paulo, o time do Rio, o time daqui, mas não existe a união mesmo pra formar o time do Brasil. Enquanto existir essa mentalidade, não vamos melhorar.

Comunicação – Na Vila Olímpica, como era o contato com atletas estrangeiros?

Rodrigues – Cada país tinha um prédio, então a gente tinha uma convivência. Eu cruzava com o Michael Phelps aqui, com a Yelena Isinbayeva ali, então cada hora você via alguém ou encontrava no refeitório, conversava, trocava ideia. Pena que não deu pra conhecer o Usain Bolt, que pra mim é o melhor atleta de todos os tempos, melhor até que o Phelps.

Comunicação – Seu currículo é vasto. São diversos títulos (mais de 60 nacionais) e um recorde sulamericano. Qual dessas conquistas o marcou mais?

Rodrigues – É uma que eu não estava nem preparado pra conquistar, no Panamericano no ano passado (em Guadalajara). Foram duas medalhas, uma de bronze (200m medley) e uma de ouro (revezamento 4×100 livre), e eu estava vindo de um momento de mudança, de são Paulo para Curitiba, estava meio perdido ainda… A conquista me surpreendeu até, deu um gás muito legal pra continuar treinando e me preparar pras Olimpíadas.

Comunicação – Qualquer profissional que se dedique a atingir uma meta sofre com pressões que acabam gerando estresse e perturbações no sono, por exemplo. Você já passou por isso?

Rodrigues – Tem historias curiosas… O estresse em algumas épocas é tão grande que eu já tive casos de sonambulismo em que levantava e dizia que queria nadar. Já acordei nadando na cama e meu pai filmou inclusive. Acordei já nadando borboleta na cama, peito…

E na Olimpíada, agora, passei por estresse também. Não foi exatamente a primeira Olimpíada que eu imaginava. Eu sonhava em ir mais longe. Mas aí pesei tudo e vi que é muito selecionado. De sete bilhões de pessoas no mundo, tem só três mil ali dentro da Vila, uma elite, e eu estava no meio deles. Então, só estar ali já era fantástico.

Comunicação – Em 2016 as Olimpíadas serão no Brasil. Você, que já que tem experiência em competições internacionais, o que acha da preparação do país para sediar os Jogos?

Rodrigues – O Brasil esta se mexendo, mas o ritmo é muito lento. Agora em 2014 vamos ter a Copa do Mundo, que será um termômetro pras Olimpíadas. Pra 2016, teria que reformular toda a estrutura do país pra conseguir chegar numa Olimpíada que realmente compita com a China, com Londres.

Comunicação – E qual é o seu objetivo pessoal para 2016?

Rodrigues – Por ser em casa, o meu objetivo é ser campeão olímpico e deixar uma marca pra história, que é o auge de todo atleta.

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