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A vida na pele

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A vida na pele
(Créditos: Louyse Gerardo)

As tatuagens sempre foram um assunto polêmico. Uma pesquisa feita pela revista SuperInteressante em 2013 comprova esse fato: dos 80 mil entrevistados, a maioria dos tatuados do Brasil são jovens, com ensino superior completo e boa remuneração. Mas essa informação não fica só no quantitativo. Alguns depoimentos recolhidos ilustram algumas situações, podendo ser inusitadas, de algum tipo de realização pessoal, ou de problemas com o trabalho. E foi pensando em mudar um pouco essa visão que a fotógrafa e publicitária Louyse Gerardo criou o projeto “Life by the skin”.

Making of do documentário Life by the Skin (Créditos: Life By The Skin)
Making of do documentário Life by the Skin (Foto: Life By The Skin)

Com o foco em desmistificar as tatuagens, o projeto pretende mostrar o cotidiano dessas pessoas que possuem esses traços na pele. Iniciado por uma motivação de mudar seu rumo fotográfico quando Louyse realizava eventos e casamentos, a ideia surgiu nas primeiras fotografias de tatuagens. “No começo eu fotograva pela arte, mas foi ouvindo algumas histórias de amigos que percebi como ainda tem muito preconceito”, conta. Começando no interior do Rio de Janeiro, com amigos e indicações próximas, o Life by the Skin tomou forma.

Uma das pessoas indicadas foi Hugo Dalmon, professor de português e escritor. Hugo foi um dos primeiros a participar do projeto.  Por causa de seu gosto por literatura, todo o cenário foi com esse ambiente. “Como eu gosto de ler e escrevo, fomos para uma biblioteca fazer o ensaio”, explica. Mesmo em um ambiente mais formal como a sala de aula, o professor não deixa de lado as vontades. Para ele, cada tatuagem tem um significado. “É algo meio tribal. Não no traço, mas na ideia por trás, todas têm um sentido”, esclarece. Um dos pontos em comum entre Hugo e Louyse é a visão da arte na tatuagem. “Eu gosto de fazer parte de projetos que envolvem arte, então abracei esse projeto com ela”, salienta Hugo.

(Créditos: Louyse Gerardo)
A arte de tatuar (Foto: Louyse Gerardo)

Além das fotos, um documentário com relatos das pessoas de diversos locais do Brasil também será realizado. Entrevistas contando suas experiências com as tatuagens, em locais que muitas vezes foge do comum. Louyse começou em seu estado, no Rio de Janeiro, mas já passou por São Paulo e pela região Sul, por exemplo. Na capital paulista, ao atender alguns eventos do tema, Louyse soube de interesses internacionais em seu projeto. “Tinha gente de fora querendo participar, incluindo dois tatuadores famosos mundialmente”, conta.

Ao mostrar as vidas das pessoas, o projeto tenta quebrar com o preconceito em torno das tatuagens. São pessoas comuns, como as outras, que apenas possuem alguns traços no corpo. Mesmo durante as gravações foi possível perceber como existe um comportamento diferenciado para os tatuados. “Aconteceu até mesmo quando gravávamos um depoimento, gente encarando a tatuagem, comentando alto, para atingir”, relata Louyse.

(Créditos: Louyse Gerardo)
Documentário visa mostrar o dia-a-dia dos participantes (Foto: Louyse Gerardo)

Um novo olhar

O projeto foi iniciado em 2012, mas em 2015 teve uma pausa. Louyse atualmente viaja pela Europa, e pretende finalizar o Life by th Skin ainda este ano. Mas claro que com diversas novidades: “Aprendi muita coisa nessa viagem. Quero trazer muitas coisas novas para o projeto”, explica.

Não só o aprendizado para as questões técnicas, como as fotos e vídeos, mas também de como a sociedade europeia lida com as pessoas tatuadas. “Aqui é comum ver pessoas que atendem o público com tatuagens, piercings, cabelos coloridos. Não é visto de maneira diferente”, esclarece Louyse.

O Life by the Skin contará com uma nova viagem pelo Brasil para pegar relatos e depoimentos das pessoas. O documentário é previsto para ser lançado em 2016.

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