qui 21 out 2021
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Aluna da UFPR conquista campeonato nacional de Xadrez

"Sabia que não seria fácil", conta a campeã Camila de Souza (Foto: Claudia Aquino)
“Sabia que não seria fácil”, conta a campeã Camila de Souza
(Foto: Claudia Aquino)

A estudante Camila de Souza venceu o II Torneio Schoonenborch (SUB 1900) em Fortaleza, no Ceará. O evento foi promovido pela Federação Cearense de Xadrez (FCEX), e aconteceu entre os dias 30 de janeiro a 1 de fevereiro. Dos 40 participantes, 4 eram mulheres – com destaque para a vencedora, a catarinense Camila de Souza.

Com 20 anos, Camila está no 7º período de Letras – Português na UFPR e joga xadrez desde que aprendeu com um primo, aos seis anos. Começou a competir em campeonatos escolares quando ainda morava em São Bento do Sul – SC, e já ganhou importantes disputas, como a categoria Xadrez Relâmpago, nos Jogos Universitários Paranaenses, e a Liga Universitária Paranaense, ambos em 2014.

Em entrevista ao Jornal Comunicação, ela assume que vê no esporte uma grande oportunidade. “Por enquanto, vou continuar conciliando com a faculdade. Depois, talvez, lutar por uma vaga na equipe olímpica”, planeja.

Jornal Comunicação: Por que resolveu participar do II Torneio Schoonenborch?

Camila: Eu estava passando as férias em Fortaleza e, poucos dias antes de voltar, entrei no site da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) para ver se tinha algum torneio programado ainda para janeiro. Fui surpreendida quando vi que teria um justamente em Fortaleza, então mudei minha passagem e consegui ficar mais alguns dias para poder jogar.

JC: Como foi? Como você vê a participação das mulheres neste esporte?

C: Infelizmente, o xadrez é um território ainda predominantemente masculino. É um problema que começa na infância, em que os pais oferecem muito mais resistência à participação das filhas nos clubes e competições fora da cidade, mas, aos poucos, isso está mudando.

JC: Você possui patrocinador? Como financia suas viagens?

C: Não possuo patrocinador, mas conto com o apoio da UFPR através da bolsa atleta que recebo. Além disso, sou contratada para representar equipes em São Paulo e Santa Catarina nos Jogos Abertos.

JC: Como você consegue conciliar os treinos com os estudos?

C: Uma vez por semana eu treino pela internet com o mestre da Federação Internacional de Xadrez, Álvaro Aranha, de São Paulo. Além disso, treino todos os dias sozinha, variando muito a quantidade de tempo de acordo com as demandas da faculdade. Normalmente, passo de três a quatro horas estudando entre livros de partidas, resolução de problemas táticos e jogando partidas pela internet. Já aconteceu de um livro me chamar muito a atenção e eu passar a madrugada lendo e reproduzindo as partidas, mas, por outro lado, em tempos de fim de semestre eu mal consigo jogar partidas rápidas na internet.

JC: Qual a importância do xadrez para a sua formação acadêmica?

C:  Qualquer jogador de xadrez precisa treinar muito a sua capacidade de concentração e habilidade de resolver problemas e, principalmente, desenvolver o raciocínio lógico e reconhecimento de padrões. Por causa de tudo isso, costumo ter mais facilidade para prestar atenção em detalhes importantes durante as aulas e fazer as provas com mais precisão. Quando jogo uma partida, por exemplo, tento sempre fazer relações com outras partidas de grandes mestres que já estudei, procurando semelhanças na coordenação das peças para poder planejar com mais segurança. Quando leio um livro de literatura, estou sempre atenta às outras leituras que já fiz, tentando fazer relações de todos os tipos para ampliar a compreensão desse livro. Eu vivo fazendo aproximações entre literatura e xadrez. Costuma funcionar.

JC: Você conhece mais alguém da UFPR que jogue xadrez?

C: Sim, na verdade a UFPR tem uma equipe de xadrez muito forte. O Carlos Carvalho Jr., de Matemática, coordena a equipe e está sempre movimentando o pessoal para jogar nos torneios universitários.

JC: Você acha que a Universidade e demais instâncias atléticas incentivam a prática do xadrez?

C: A UFPR fornece uma ajuda considerável através das bolsas para os atletas, apesar delas serem menores do que as outras (pesquisa, extensão, etc.). Além disso, volta e meia vejo mesas de xadrez montadas na Reitoria, pela manhã, e sempre tem alguém jogando. Como eu disse, a prática do xadrez desenvolve habilidades facilitadoras para o aprendizado. Não é à toa que, cada vez mais, o xadrez está sendo integrado nas grades curriculares das escolas.

JC: Que ensinamentos o xadrez trouxe?

C: Desde cedo aprendi a lidar com o fato de ganhar e perder o tempo todo. Sucesso e fracasso são coisas muito próximas, uma depende da outra. E tem também a parte da confiança, adquirida aos poucos com muito trabalho. Além, é claro, dos amigos que fiz nesse tempo todo.

Time de xadrez da UFPR (Foto: Arquivo pessoal Camila)
Time de xadrez da UFPR
(Foto: Arquivo pessoal Camila)
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