sex 07 out 2022
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Animais marinhos encalham no litoral paranaense

Mamíferos, répteis e aves marinhas estão entre as espécies que chegam às praias

Por Adrielly Guterres

Em 2021 o Paraná registrou mais de 600 animais marinhos encalhados no litoral apenas no mês de setembro. Dentre as espécies mais frequentes estão os pinguins-de-magalhães, tartarugas-cabeçuda, tartarugas-verde e Puffinus (uma espécie de ave), encontrados com maior facilidade em Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná. Outros animais que estão sempre presentes na região são os lobos-marinhos, as baleias e os bobos-pequenos (ave marinha).

A migração é o deslocamento de animais em grupos durante um determinado período almejando um local ou objetivo específico. No caso do Paraná, os animais marinhos buscam a reprodução, alimentos ou águas mais quentes. Todos estes aspectos favorecem a migração dos animais para o sul e sudeste brasileiros.

Os Pinguins-de-magalhães por exemplo, geralmente vem da Patagônia ou das Ilhas Malvinas. Por ser uma distância longa, ao chegarem aqui eles se sentem exaustos e acabam morrendo ao chegar no seu destino.

A equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná, monitora animais marinhos na costa do estado. Após a localização dos animais na praia, são realizados alguns primeiros passos antes de levá-los para a reabilitação.

“O nosso principal desafio é diagnosticar qual é a doença e a causa primária que levou esse animal a vir encalhar na praia, e o próximo passo é estabelecer os principais parâmetros vitais desses animais, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura corporal”

Marcilio Altoé, veterinário responsável pela Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CRED), localizando no Centro de Estudos do Mar.

Antes do animal ser devolvido ao seu ambiente natural, são feitos vários exames semanais para ter certeza de que os parâmetros analisados voltaram ao normal. Depois que tudo estiver normalizado, ele é considerado apto para a reintegração no seu ambiente natural.

Antes de deixá-lo ir, ele também recebe uma anilha ou um microchip para fazer uma identificação, e por fim já está pronto para ser reintegrado ao seu ambiente natural.

Anilhas de identificação e marcação, colocadas geralmente em aves. Possuem códigos e tamanhos variados. Foto: LEC/UFPR

Há muitos fatores que contribuem para que os animais cheguem debilitados e mortos até o litoral, cansados, com fome e muitas vezes machucados. Os animais resgatados sem vida são levados para necropsia e somente após análises biológicas os pesquisadores conseguem apurar o que ocasionou as mortes.

Além do projeto de reabilitação, o LEC desenvolve projetos para a conservação e saúde da fauna marinha do litoral do Paraná. Segundo a coordenadora do LEC/UFPR Camila Domiit, eles atuam com foco em aves, tartarugas marinhas e mamíferos aquáticos.

Todos os atendimentos são feitos de acordo com o Protocolo de Atendimento a Encalhes de Animais Marinhos no Litoral do Paraná – PRAE (SEDEST/IAT/IBAMA), e com os protocolos nacionais da Rede Brasileira de informações e atendimento a encalhes de mamíferos aquáticos/REMAB (CMA/ICMBIO).

Catherine Plothow
Estudante do curso de Jornalismo da UFPR.
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Estudante do curso de Jornalismo da UFPR.