sáb 27 nov 2021
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Aposta brasileira ao Oscar, Deserto Particular chega hoje aos cinemas

Jornal Comunicação conversou com o diretor do filme, Aly Muritiba. Na entrevista, ele aborda desafios da produção e reconhecimento já conquistado pelo longa

Chega aos cinemas hoje Deserto Particular, de Aly Muritiba, que já pode ser considerado um orgulho ao audiovisual brasileiro. O filme foi ovacionado no Festival de Veneza e levou o prêmio do público, além de ter sido selecionado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais para representar o país no Oscar como Melhor Filme Internacional em 2022.

Em entrevista ao Jornal Comunicação, Aly Muritiba, que abordou os desafios da produção e o reconhecimento já conquistado pelo longa. Confira.

Aly, sobre o que trata a história de Deserto Particular?
Deserto Particular é a história do encontro de duas pessoas muito solitárias no sertão baiano e que percebem que a solidão é algo que pode ser superado quando nos abrimos ao outro. Conta a história de um policial militar de Curitiba que resolve viajar até a Bahia em busca da mulher com quem ele se relaciona virtualmente.

Esse caminho do protagonista de Curitiba até a Bahia é o inverso do seu. Qual a sua relação com esse personagem? 
Todos os personagens que eu crio têm bastante de mim, mas não são meu reflexo exato. O Daniel (protagonista do filme, interpretado por Antonio Sabóia) vai até a Bahia porque eu tenho essa vontade de fazer essa viagem cinematográfica há bastante tempo. É um personagem muito durão que acredita no amor, assim como eu. 

Como foi gravar o filme em locais tão diferentes? 
Fizemos um estudo para oferecer ao espectador uma atmosfera diferente entre um lugar e outro. Filmar em Curitiba já estava acostumado, já que moro aí há muito tempo. O desafio foi gravar no sertão da Bahia mesmo, que foi uma situação completamente nova para mim. Nunca tinha lidado com as situações climáticas e a luz do local, por isso o estudo foi crucial. 

O filme foi indicado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais para representar o país no Oscar como Melhor Filme Internacional em 2022. Parabéns pela conquista! Como foi para você receber essa nomeação?
Muito obrigado. Para mim foi uma honra, recebi com muita alegria. Confesso que não esperava, acho que tinham filmes que mereciam ser nomeados também. Mas acho que os membros da Academia Brasileira acreditaram muito no poder narrativo do filme e do amor que o filme exala. Eles acreditaram, assim como eu, que falar de amor e viver uma história de amor, nem que seja no cinema, é de suma importância em um momento tão complicado como o que vivemos hoje.


Aly já começou com a campanha para o Oscar em Los Angeles, na semana passada. Isso porque para tentar uma vaga na premiação, o longa precisa atrair os olhares de membros da Academia de Hollywood, responsáveis por selecionar os cinco indicados na categoria de melhor filme internacional. 


Aly, o Brasil nunca levou uma estatueta para casa. O otimismo com o Oscar aumentou após a vitória de Parasita (Bong Joon-ho)?
Não, o Oscar segue sendo um prêmio que foca na indústria americana por ser uma premiação norte-americana. Parasita foi uma exceção por ser um filme muito fora da curva de tão bom. Eu acredito sim que temos chances, e que o meu filme possa ser um dos indicados ao Oscar, porque acredito muito nele. Mas, para isso vou precisar trabalhar muito porque o Oscar não visa os filmes estrangeiros.

E como está a responsabilidade de uma possível indicação? Você se sente pressionado a ganhar uma estatueta para o país?
Não, nunca! Eu adoraria ganhar um Oscar e não tem peso nenhum nisso. Se rolar vou ficar feliz e tomar uma cerveja e, se não rolar, também.

Agora é torcer para o filme de Aly Muritiba emplacar na premiação mais importante do cinema. Confira o trailer de Deserto Particular: 

Serviço

Em Curitiba, o filme entra em cartaz nos seguintes locais.
Cineplus: 14h e 18h50
Coffeeterie Cine Passeio: 19h30
Cinesystem: 14h00

É importante consultar antecipadamente os horários das sessões nos próximos dias.

Gabriela Gorges
Estudante de Jornalismo da UFPR.
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Gabriela Gorges
Estudante de Jornalismo da UFPR.