dom 17 out 2021
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As dificuldades de permanecer sobre patins

Quem assiste a uma competição de patinação artística talvez não tenha noção das dificuldades pelas quais um atleta profissional da modalidade passa. Pelo menos é o que garante o patinador Marcel Stürmer, tricampeão pan-americano e campeão mundial em 2011. “Para competir a nível internacional, o atleta precisa fazer um trabalho de desenvolvimento muscular e aeróbico, coreográfico, de manutenção do corpo, além do treinamento técnico”, diz. A rotina cansativa é premiada com os resultados nas competições. Stürmer não titubeia ao falar sobre a consequência do esforço. “O segredo do sucesso é simples: treinar”, afirma o patinador.

Marcel Stürmer, medalhista de ouro no Pan-Americano de Guadalajara, em 2011. Foto: Divulgação/Vipcomm

Fabiana Consentino é técnica e dá aulas de patinação em Curitiba. Hoje, ela conta com 120 alunos e uma única turma de treinamento. Segundo Fabiana, as aulas de iniciação ensinam ao atleta os movimentos básicos da patinação, mas a diferença primordial entre os amadores e os profissionais é a carga horária de treinos. “A aula da escola tem duração de uma hora, duas vezes por semana; um atleta estreante em competição treina pelo menos quatro dias por semana, de três a quatro horas por dia”, conta. O treinamento puxado é acompanhado do preparo completo do patinador. “É preciso trabalhar o físico, o ballet, a psicologia, a academia e também o acompanhamento nutricional”, relata Fabiana.

Não desistir nunca!

Força de vontade é a ordem para quem pratica patinação artística, seja iniciante ou profissional. É o que diz Cleber Reidkal, professor da modalidade e um dos fundadores do Complexo Footwork de Patinação e Dança, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba. “Muita gente tem a expectativa de colocar os patins e já sair saltando, mas é preciso trabalhar em cada fase”, afirma. A escola foi criada em 2006 e é pioneira no Brasil. A maior parte dos alunos do Complexo ainda é criança. “A maioria de nossos alunos é do público feminino e tem entre cinco e nove anos”, conta Reidkal. O preconceito com a modalidade ainda é grande. Segundo Stürmer, isso acontece pela falta de informação. “Existe preconceito em tudo e na patinação não é diferente. Não é um esporte popular”, diz o patinador.

O esportista acredita que o Brasil faz o caminho inverso das grandes potências olímpicas. “Aqui, primeiro você tem que se destacar para depois conseguir apoio, condições para treinar”, afirma. Hoje, Stürmer é patrocinado por grandes nomes como a Banrisul, a patins Rye e a Universidade Luterana do Brasil. De acordo com o atleta, para se desenvolver em terras verde-amarelas, a patinação artística precisa suprir as mesmas necessidades das outras atividades físicas. “Precisamos de ídolos e referências, porque são eles que trazem atenção e novos praticantes para a modalidade”, completa Stürmer.

O cenário da patinação no estado

De acordo com o professor Cleber Reidkal, o Paraná tem investido mais na patinação artística. “A Federação Paranaense conta com três clubes filiados, algo em torno de 10 alunos. Não se compara com a Gaúcha, que tem mais de 200 atletas filiados, mas é o estado que mais está investindo na modalidade”, lembra. “Em Curitiba, existe uma iniciativa da Prefeitura de incentivo ao esporte como um todo, mas que também favorece a patinação”, conclui o treinador.

Para quem quer começar na modalidade, Fabiana Consentino dá a dica. “Alguns nascem com o talento, mas outros o desenvolvem treinando, com ajuda especializada”, afirma. Segundo a treinadora, a patinação não é excludente. “Todos deveriam tentar”, conclui Fabiana.

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