sex 22 out 2021
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Chileno Isaac Benavides fala sobre seu curta-metragem curitibano

É noite de Carnaval. Uma prostituta aguarda seu cliente em um dos motéis mais refinados da cidade, mas ele não aparece. Como já se encontrava no quarto reservado para os dois, a moça passa a desfrutar do luxo que o lugar oferece. Essa é a sinopse do curta Carnaval, produzido e dirigido em Curitiba – mais especificamente, no Motel Celebrity – pelo chileno Isaac Benavides. Durante os dias 12 e 23 de maio, a obra fará parte da mostra de curta-metragens do 62º Festival de Cannes (França). Somente no Short Film Corner foram inscritos 344 participantes; destes, sete são brasileiros.

O diretor Isaac Benavides, que se mudou para o Brasil há dois anos e meio, descreve ao Comunicação seu um ponto de vista sobre o cinema brasileiro e conta detalhes sobre Carnaval. “Meu curta não tem uma história em si, tentei apenas retratar uma ideia”, relata o diretor.

Jornal Comunicação: De onde surgiu a ideia de criar Carnaval e depois inscrevê-lo em Cannes?

Isaac Benavides: Esse é um trabalho experimental. Fiz cinema no Chile e por vários motivos sempre quis produzir um curta. Eu trabalhava com roteiros e tinha vontade de dirigir alguma coisa, então falei para uns amigos, na época, que dali um mês a gente iria fazer um curta, escrever, produzir e gravar. A ideia surgiu porque eu estava pesquisando um pouco da cultura brasileira, e retrato a visão de um estrangeiro – um olhar de fora do que, para mim, é o Brasil. E eu vejo dessa forma: um paí­s triste, que tem o carnaval como uma grante festa popular. É por ela que o paí­s passa a sensação de feliz, mas é uma sensação falsa, pois por aqui é cheio de pobreza e prostituição. Nós produzimos Carnaval em um mês, fizemos o roteiro, conseguimos alguns patrocinadores e gravamos. Ninguém era profissional, o único que fez cinema fui eu. Então, como eu sou estrangeiro no Brasil, não tenho a chance de concorrer em edital do Ministério da Cultura ou da Fundação Cultural de Curitiba, por isso a idéia de se inscrever no festival. Além disso, querí­amos aprender e Cannes aceita muito isso.

Comunicação: Em que outros projetos você já trabalhou? É a primeira vez no Festival de Cannes?

Benavides: Eu só tenho 23 anos, não tenho muitas produções e vim para o Brasil há dois anos e meio. Meu trabalho se resume a alguns roteiros de curtas e longas, trabalhos de direção na faculdade e ainda alguns com sonoplastia, no Chile. Fiz também um ví­deo de um minuto que ganhou um festival na Espanha. Atualmente trabalho na direção do longa Flores de Papoula, acho que é assim que se fala no Brasil. Esse ano a gente está trabalhando muito, estou fazendo também um documentário sobre chilenos que estão aqui no Brasil. Na verdade é sobre minha famí­lia, quero explorar primeiro meu mundo para depois explorar o resto, porque o meu mundo é o que eu conheço. Sobre o festival, essa é a primeira vez que participo, espero que não seja a única.

Comunicação: Qual é a sua visão do evento e dos curtas estrangeiros que se apresentam lá?

Benavides: O Short Film Corner, que é a categoria de curtas, é na verdade um grande mercado. Eles recebem os filmes simplesmente para vendê-los para outros festivais e canais de televisão. Geralmente os filmes enviados são voltados para o público, eles (produtores) querem fazer algo que as pessoas gostem e acabam deixando de lado tanto a história quanto o conteúdo. Pois não fazem os espectadores pensar, não buscam uma nova linguagem, novos caminhos para o cinema. Mas, Cannes é Cannes, o maior festival de cinema do mundo, e ele pode proporcionar contatos influentes, além de abrir muitas portas.

Comunicação: Você criou alguma expectativa?

Benavides: Eu não quero ganhar, quero estabelecer contatos. O festival proporciona a oportunidade de conseguir contatos, e isso conta muito no cinema. Pode ser que uma delas se torne um futuro produtor. Quero ter outras visões, conhecer outros diretores. O problema é que não temos dinheiro para ir, precisamos de patrocí­nio. Mas tudo tem seu tempo: independente de estarmos lá ou não, já ganhamos com isso. Fomos convidados por dois festivais, um na Itália e outro no México. O pessoal assistiu ao nosso curta pelo banco de dados do Short Film Corner e gostou da nossa ideia. Quero também conseguir contato para o cinema brasileiro e para o curitibano. O negócio é que não podemos fechar as portas. Eu vou buscar experiência. Se ganharmos, melhor, mas agora é esperar para ver no que vai dar.

Comunicação: E qual sua opinião sobre a produção cinematográfica em Curitiba?

Benavides: Eu tenho uma visão muito diversa do cinema brasileiro, porque não sou daqui. O cinema no Chile tem uma tendência atual de fazer filmes sem dinheiro, com poucas pessoas, mas com uma boa história. Priorizar o enredo. Eu vejo que o Brasil tenta imitar demais Hollywood e sua linha de filmagem, o que exige muito dinheiro para fazer grandes produções. Em contrapartida, gosto muito dos filmes daqui, pois o cenário é bastante independente e se diferencia um pouco do resto do paí­s. O cinema brasileiro foge muito da minha ideia de fazer algo mais parecido com documentários, mas também o mercado daqui é muito maior que o chileno, até mesmo pelo tamanho dos dois paí­ses. Não tem como comparar, a diferença é muito grande, é outra mentalidade.

Ficha Técnica
Duração: 16 minutos
Produzido em: 02/2010
Paí­s: BRASIL / CHILE
Idioma: Espanhol
Categoria: Ficção
Gênero: Drama

Diretor: Isaac Benavides
Roteirista: Isaac Benavides
Diretor de fotografia: Beatriz Ansay
Trilha sonora: Thiago Lima
Editor: Isaac Benavides
Atores: Vanessa Ramos e Isaac Benavides
Produtor: Israel Perdonsin (PO! FILMES)
Co-produção: Herbin Benavides e Herbin Benavides F.

Uma vez só, prostituta usufrui dos requintes de seu quarto em motel luxuoso
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