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dom 23 jun 2024
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“Essa é uma história que contei, mas só existe vida no corpo do leitor”

Itamar Vieira Junior lança o segundo romance, Salvar o Fogo, uma 'extensão' do premiado Torto Arado

Quatro anos após o publicar do premiado Torto Arado (2019), Itamar Vieira Junior lança Salvar o Fogo, seu segundo romance, no final de abril pela editora Todavia. O autor esteve em Curitiba nesta sexta-feira (19) para divulgar o seu novo livro, conversar e escrever dedicatórias aos leitores. 

Nascido em Salvador, em 1979, o escritor foi o primeiro membro da família a ingressar na em uma universidade, tendo se formado em Geografia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também é doutor em Estudos Étnicos e Africanos. No ano de 2019, publicou o seu primeiro romance, Torto Arado, que vendeu mais de 700 mil exemplares e já foi traduzido para mais de 15 países. Além disso, a obra recebeu os prêmios Leya, Oceanos e Jabuti. 

De acordo com autor, Salvar o Fogo é uma ‘extensão’ de Torto Arado. Isso fica evidente na narrativa, que trata de temas semelhantes, como a relação da terra com a propriedade privada, o racismo, crenças e religiosidades, o protagonismo feminino e a ausência do poder público no Brasil profundo.

Os dois romances publicados têm o destaque das mulheres negras como elemento crucial. O escritor disse ser preciso atribuir o protagonismo a essas personagens que, ao longo dos anos, sempre estiveram elaborando o mundo e a vida, mas não tiveram o devido olhar.

A escrita de Itamar é uma ponte que liga as questões civilizatórias que permeiam o passado e o futuro, e essa sensibilidade coloca as suas obras na lista dos clássicos e na prateleira da nova geração. Em Torto Arado, as irmãs Bibiana e Belonísia viviam sob um regime escravista nos anos 70, em condições precárias, com peleias na questão agrária e numa sociedade patriarcal. Apesar de ser uma ficção, a realidade atual é fiel à correlação. Basta lembrar dos baianos nas vinícolas do sul do país.

“Acho que na literatura a coisa é muito mais forte, porque um livro não existe sozinho. Escrevi e fechei lá minhas páginas. Essa é uma história que contei, mas só existe vida no corpo do leitor. As ideias e impressões estão no livro, e não são mais as minhas. A tarefa é dos leitores, que vão projetar essa história, encontrar os personagens, entender tudo que está naquele ambiente. Cada um que dará vida essa história”

Itamar Vieira Junior, autor de Salvar o Fogo, durante lançamento da obra em Curitiba

A história de Salvar o Fogo

A obra narra a história de Moisés e Luzia, dois irmãos que vivem em Tapera do Paraguaçu, povoado rural na Bahia — comunidade de agricultores, pescadores e ceramistas afro-indígenas que vive sob a tutela da igreja católica. Órfãos de mãe, desenvolvem uma ligação íntima e, juntos, encaram os fantasmas do passado que assombram a sua família e a terra onde vivem. 

Moisés é uma criança curiosa sobre a vida da mãe que não conhecera, e vê Luzia como uma imagem materna. Nessa relação, o menino se aproxima e estabelece laços, ao ponto de compartilhar seus segredos com a sua irmã. É por meio desse vínculo que ambos têm esperanças de reencontro com as suas raízes, pois descobrirão que o passado é repleto de mistérios, os quais precisarão de ajuda para que possam encontrar, juntos, caminhos para ‘salvar o fogo’ numa terra sem leis para os mais vulneráveis.

A religiosidade é o elemento central do romance, representada pela severa dualidade entre distinção do bem e do mal, numa aldeia estigmatizada pelo racismo patriarcal que atribui à Luiza a pecha de ser uma bruxa — o mal, o fogo — com supostos poderes sobrenaturais. O cristianismo romano, nesse contexto, atua na aldeia como uma estrutura moral para determinar, julgar e punir as condutas, além de ser um instrumento que apaga a história dos povos. 

A jovem Luiza de Paraguaçu é uma mulher com uma condição física, descrita como corcunda pelo autor. É lavadeira do mosteiro e beata, considera a religião sagrada e deseja o ingresso do irmão na escola dos monges, atuando como uma ‘mãe’ de Moisés. A obra, inclusive, trata de Luiza, que começa com a sua vida, relatando os percalços e abusos que sofrera. Confira.

Não tinha pensado sobre sua hora nem mesmo sobre o que faria, e o corpo despertou por um momento da apatia dos últimos dias. Seguiu os próprios instintos. Não queria aquela criança; não podia levar outra boca para uma casa sem recursos. Só não bebeu os chás porque não os conhecia. Nem fez os encantos das mais velhas e os segredos guardados nos lugares mais insondáveis do espírito das suas mulheres. Havia muito que essa vida passada era rejeitada por sua gente, que aos poucos se tornou outra, pois passou a acreditar nas palavras de forasteiros. Mas nada pôde deter o animal que crescia dentro de outro animal e ela não sabia se era por falta de conhecimento, se pelo eco das pregações do mosteiro que sepultaram a Tapera sob a permanente ameaça de castigo dos Céus ou pelos desígnios do Espírito de Deus. Enquanto caminhava sentiu que outros animais deixavam o caminho e subiam nas árvores e se agitavam nas matas e se escondiam nas tocas e entravam no rio, antes que ela pudesse alcançá-los.

Um depois do outro, seus pés tocaram a água, e seu corpo se desviou como um galho seco no sentido da correnteza. E a dor, a dor não estava apenas no seu ventre, a dor a possuía por inteiro. Se permitiu gemer enquanto os peixes tocavam sua pele com seus corpos e para não seguir em direção à baía junto à correnteza, fincou os pés na areia do leito na altura em que sua barriga ficava submersa. O movimento das águas trouxe algum alívio que logo se desfez. Mas não havia entrado no rio em busca de conforto. Ela queria se agitar no fluxo que a atravessava e passar por tudo o que precisava para se sentir viva. Foi assim que afastou as pernas, e a maré e o rio a invadiram e estavam próximos de afogá-la: as águas inundaram seu corpo e seu coração.

Quando a criança enfim nascesse, a entregaria às águas. Que o rio cuidasse de sua cria. Que a correnteza a levasse para bem longe.

Além de versão para Kindle, livro foi confeccionado em versão de capa comum e também capa dura. Foto: Eric Rodrigues/Jornal Comunicação

Ficha Técnica
SALVAR O FOGO
Editora Todavia
Paginas: 320
Lançamento: 24 de abril de 2023
Preços: R$64,70 (capa dura), R$60,30 (capa comum) e R$ 44,91 (kindle)
Capa: Elisa V. Radow
Ilustração de capa: Aline Bispo
Preparação: Márcia Copola
Revisão: Ana Alvares e Jane Pessoa

Eric Rodrigueshttps://ericrodrigues.portfolial.com
Estudante de jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
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Eric Rodrigueshttps://ericrodrigues.portfolial.com
Estudante de jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
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