seg 18 out 2021
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Evento de culinária vegana superou expectativas em Curitiba

O localacabou ficando pequeno para a quantidade de pessoas. O calor e o espaço pequeno foram uma das poucas reclamações do público. (Foto: João Victor Quartiero)
O evento superou as expectativas: atraiu mais de 2 mil pessoas ao longo do dia. (Foto: João Victor Quartiero)

A Galeria General Osório sediou, no início de março, a II Festa Vegana das Nações. O evento gastronômico, que foi organizado no Facebook, por produtores locais de comida vegana e vegetariana, teve mais de 3000 confirmados. A feira reuniu pratos típicos de diversos países, porém sem qualquer ingrediente de origem animal.

Mesmo com o espaço limitado, a Festa superou as expectativas do público e, principalmente, dos organizadores. Margarida Garcia, responsável pela barraquinha argentina, não esperava tamanho sucesso. “Trabalhamos com pequenas quantidades e acabou tudo muito rápido” diz a chef.

Vegetariana há 5 anos, Isabele Moraes, 20, adorou a temática do evento. “Sempre tive vontade de experimentar comida árabe, mas nunca tinha encontrado opções sem carne”, disse. Ela se surpreendeu com os preços, que giravam em torno de R$5. “Geralmente, um prato vegano é mais caro, mas aqui os preços estão bem acessíveis”, acrescentou.

Barraquinha Happy Vegan Cakes, vendendo comida argentina. Seu produto mais vendido foi o alfajor, produzido com leite de amendoim. (Foto: Mariana Rosa)
Barraquinha Happy Vegan Cakes, vendendo comida argentina. Seu produto mais vendido foi o alfajor, produzido com leite de amendoim. (Foto: Mariana Rosa)

O evento também chamou a atenção de pessoas que comem carne, como a estudante Carolina Sonda, 19, que ficou sabendo da feira pelo Facebook e se interessou, pois gosta de experimentar coisas novas. Para ela, o evento ajuda a acabar com a ideia de que veganos e vegetarianos comem apenas salada, “Tinha de tudo: coxinhas, espetinhos, cookies, cupcakes…”, conta.

Representantes da Sociedade Vegetariana Brasileira – SVB, também estavam presentes. Além de distribuir panfletos e vender camisetas da campanha ‘Se ama um, por que come o outro?’, conversavam com as pessoas sobre a luta pelos direitos dos animais. O coordenador da SVB Curitiba, Ricardo Laurino, comentou sobre a dificuldade de ser vegetariano no Brasil. “Você pode ser contra a ‘cultura da carne’, mas está inserido nela. Tudo é feito para quem come carne”, critica.

Quem foi à Festa também pôde conhecer os criadores do aplicativo Be Veg. Disponível na Google Play, o aplicativo mostra restaurantes veganos próximos ao usuário, oferecendo também informações sobre os locais. A ideia surgiu graças a uma pesquisa do IBOPE de 2012, dizendo que 11% (cerca de 120 mil) da população curitibana é vegetariana.

Vegano X Vegetariano

Mais que dietas, o veganismo e o vegetarianismo são estilos de vida. Seja por questões religiosas ou éticas, muitos deixam a carne de lado. Outros vão além da carne. Veja os tipos mais comuns de vegetarianismo:

  • Ovolactovegetarianismo: exclui qualquer tipo de carne da dieta, mas continuam a se alimentar de laticínios, como o leite, e ovos. É o grupo mais comum entre os vegetarianos.
  • Lactovegetarianismo: muito comum na Índia por questões religiosas, exclui a carne e o ovo da alimentação.
  • Vegetarianismo estrito: alimentação exclusivamente vegetal. Mel, gelatina e ovos, por exemplo, também são excluídos da dieta.
  • Veganismo: além da exclusão total de alimentos de origem animal, os veganos deixam de utilizar qualquer produto vindo de animais. Qualquer material (como roupas e produtos de higiene) que não seja sintético, de origem vegetal ou que seja testado em animais são deixados de lado.
O local acabou ficando pequeno para a quantidade de pessoas. O calor  e o espaço pequeno eram uma das reclamações. (Foto: João Victor Quartiero)
O local acabou ficando pequeno para a quantidade de pessoas. O calor e o espaço pequeno eram uma das reclamações. (Foto: João Victor Quartiero)

Suplementação de nutrientes

Um dos principais desafios enfrentados pelas pessoas que optam pela dieta vegana é a reposição de nutrientes. A quantidade de proteína encontrada na carne é dificilmente encontrada em outros alimentos que não são de origem animal.

Feijão, lentilha, ervilha e amêndoas podem substituir o ferro e a proteína encontrados nas carnes e derivados. Mas o grande problema da dieta vegana é a Vitamina B12. A baixa ingestão desta vitamina, encontrada majoritariamente em pratos de origem animal, pode provocar anemia e sérios danos ao sistema nervoso. Segundo a UK Vegan Society a única maneira de suprir a deficiência seria com ingestão de alimentos enriquecidos e suplementos.

A estudante Isabele Moraes teve que procurar um nutricionista depois que começou a adoecer pela falta de nutrientes “Morando sozinha é difícil me alimentar bem. Ainda mais sendo vegetariana”. Ela não come carne, mas por indicação médica voltou a comer ovos e leite “Sou ovolactovegetariana. Tenho que aprender a comer direito antes de me tornar vegana”, diz.

E se você estiver interessado por locais com comida vegetariana e vegana, o Comunicação fez uma lista com alguns restaurantes em Curitiba.

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