seg 25 out 2021
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Eventos e coletivos incentivam o debate feminista dentro da UFPR

O debate sobre feminismo está cada vez mais presente na UFPR: eventos e núcleos se mobilizam para envolver os alunos dentro do movimento. Um dos eventos mais recentes foi a 1° Semana da Mulher, organizada pelas alunas do curso de Letras na semana do dia 8 de março. A ação contou com palestras sobre gênero, história do feminismo e oficinas de desenho. Já a Frente Feminista, que une os coletivos da universidade, conta a dificuldade de discutir o tema e os planos futuros para o movimento.

Sarau organizado na Semana da Mulher para a exposição dos trabalhos e integração (Foto: Jean Carlos Gemeli)
Sarau organizado na Semana da Mulher para a exposição dos trabalhos e integração (Foto: Jean Carlos Gemeli)

Mariana Paiva, uma das organizadoras da Semana da Mulher e estudante do 5° período de Letras (Português/Inglês), conta que no curso a maioria é feminina. No entanto, ainda falta espaço para as mulheres. Por isso, e com o objetivo de reunir a política do feminismo à parte literária do curso, surgiu a 1° Semana da Mulher de Letras UFPR. “A gente lê muitas obras de homens, e existe muito machismo na universidade”, fala Paiva.

Mulheres organizadas na UFPR

A Frente Feminista da UFPR começou ainda em 2012 com a proposta de unir os coletivos organizados de mulheres dentro da universidade. Estudante do último período de Ciências Sociais e membro do movimento estudantil, Carolina Pacheco conta que as maiores vitórias foram políticas, como a própria criação da Frente. “As mulheres estarem participando do debate, e organizando panelaços para demandas próprias, já é uma grande conquista”, afirma.

A grande conquista concreta ocorreu durante a greve de 2012, com a ampliação dos direitos das mães estudantes. “Entramos em tramitação dentro do conselho e conseguimos o auxílio-creche no valor de 250 reais”, diz Pacheco.

De acordo com Carolina, o debate ainda está setorizado, mas um dos objetivos da Frente é evoluir nos processos de articulação e dar conta de todas as demandas. A prioridade é unir os Campi e ampliar a discussão para que ganhe corpo onde o debate sobre feminismo ainda não está consolidado. “É fazer com que as meninas se identifiquem com a causa, percebendo os problemas da universidade”, defende Carolina.

Desafios dentro da universidade

Para Mika Urbanek, estudante do terceiro período de Ciências Sociais e membro do coletivo feminista da UFPR,  o principal problema na universidade é a falta assistência estudantil. “Somos mais de 50% do corpo estudantil, mas a Casa Da Estudante é menor que a masculina”, diz. Segundo Urbanek, as mulheres conseguem chegar à universidade, mas ainda falta assistência para que elas permaneçam e terminem os cursos.

A Frente também tem o desafio de criar uma ouvidoria contra as violências de gênero, LGBTfobia e o racismo. “Hoje, se nós sofrermos abuso de algum professor, ou violência nos corredores, não temos institucionalmente a quem recorrer, e a universidade não computa esses dados”, explica a estudante.

Próximos passos

Para Carolina Pacheco, o que falta mesmo é vontade política na gestão universitária. “A burocracia é uma desculpa para não fazer. Enquanto a reitoria não assumir a demanda real e dar conta da permanência das mulheres na universidade, a burocracia é apenas um discurso”, diz a estudante.

Entre as próximas medidas, a Frente pretende articular o reconhecimento do nome social, que só falta passar pela aprovação do conselho, auxiliando as mulheres transgêneros que estudam na universidade. Outro ponto é a criação do espaço físico da creche, pois o vale oferecido às estudantes ainda é muito limitador e insuficiente.

No curso de Letras e com o término da 1° Semana da Mulher, Mariana Paiva diz que o evento foi de intensa descoberta. O objetivo agora é a criar um grupo de debate. “As palestras foram introdutórias, é preciso continuar os estudos de forma mais aprofundada”, conta.

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