ter 27 fev 2024
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Fronteiras da acessibilidade: erros e acertos da inclusão tecnológica

No cenário atual, a tecnologia tem se revelado uma poderosa aliada na busca por inclusão e igualdade de oportunidades. Em um mundo onde a acessibilidade é um valor essencial, inovações tecnológicas têm se destacado como ferramentas indispensáveis na quebra de barreiras em diversos aspectos da vida cotidiana. Nesta reportagem, mergulharemos em um universo multifacetado, no qual a tecnologia se manifesta como um agente de transformação nos campos da cultura, mobilidade urbana e vida digital. Descobriremos como soluções criativas e avanços tecnológicos estão abrindo portas e ampliando horizontes, oferecendo novas perspectivas e oportunidades antes inimagináveis. Ainda assim, apesar de entendermos como a tecnologia tem ajudado, ela ainda falta em determinados ambientes.

Acessibilidade e mobilidade urbana

O Brasil tem um longo caminho a percorrer para se tornar uma sociedade inclusiva para as pessoas com deficiência. Apesar de alguns progressos, ainda persistem muitas barreiras físicas, sociais e estruturais que limitam o acesso e a participação dessas pessoas em diversos âmbitos da vida social.

Uma forma de ilustrar os desafios da inclusão das pessoas com deficiência no país é analisar alguns dados estatísticos que mostram as disparidades existentes entre esse segmento e o restante da população. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, seja visual, auditiva, motora ou intelectual. Isso equivale a 23% da população total do país.

No entanto, essas pessoas enfrentam muitas dificuldades para ter acesso à educação, ao trabalho e à renda no Brasil. Por exemplo, apenas 1% das pessoas com deficiência possuem ensino superior completo, o que limita suas chances de qualificação profissional e ascensão social.

É preciso também analisar que a inclusão das pessoas com deficiência não se resume a garantir o acesso físico aos espaços e ao mercado de trabalho, mas também a proporcionar oportunidades igualitárias, respeito, dignidade e o exercício pleno dos direitos. Um dos principais obstáculos é a mobilidade urbana. As ruas das cidades brasileiras apresentam condições precárias de acessibilidade, como calçadas estreitas, falta de rampas adequadas, escadas sem corrimão, ausência de sinalização tátil e semáforos desprovidos de recursos sonoros. 

O transporte público também muitas vezes não possui rampas, elevadores ou sistemas de áudio para auxiliar as pessoas com deficiência visual, resultando em uma exclusão direta. Essa situação se agrava nas grandes cidades, onde a vida é acelerada e a infraestrutura nem sempre é adequada. As metrópoles foram projetadas e construídas sem levar em consideração as necessidades de todas as pessoas, negligenciando a acessibilidade e a inclusão.

Promover a inclusão não é apenas uma questão de justiça social, mas também um investimento em uma sociedade mais rica e diversa. Quando todas as pessoas têm a oportunidade de contribuir e participar plenamente da vida em sociedade, todos se beneficiam. Governantes, urbanistas, empresas e a sociedade como um todo devem unir esforços para repensar a forma como as cidades são projetadas, priorizando a inclusão e garantindo que a mobilidade seja acessível a todos.

Como é o dia a dia?

O dia inicia e Lucas Cadmiel, de 29 anos, aciona sua Alexa para que ela acenda as luzes e ligue suas tomadas. Sua Google Nest Mini responde aos comandos de voz para controlar funções rotineiras em casa. O apartamento inteligente foi planejado pelo próprio Lucas, e possui tecnologias de controle de voz que o auxiliam nas tarefas do dia a dia.

Aos dez anos de idade um glaucoma congênito fez com que Cadmiel perdesse completamente a visão. Hoje, 19 anos depois, a tecnologia é uma grande aliada. Formado em licenciatura em Pedagogia e pós-graduado em Educação Especial, ele é professor de braile, orientação e mobilidade e informática no Instituto Paranaense de Cegos (IPC). Sua proximidade com a produção de tecnologias o levou para mais uma graduação: Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

O destaque na área da informática, sua casa inteligente com dispositivos com comando de voz, como a Alexa e o  Google Nest Mini, e as aulas de tecnologia assistiva não são suficientes em um meio urbano não inclusivo. Após sair de casa, ele encontra, diariamente, uma barreira no caminho: a mobilidade urbana.

Enio Rodrigues da Rosa é formado em Pedagogia, mestre em Educação, especialista em Educação Especial com ênfase em Inclusão Educacional e atua como diretor do IPC. O pedagogo perdeu a visão gradualmente durante a juventude, experienciando também a visão completa e a baixa visão. Ter passado por essas etapas não faz com que ele escape da mesma dificuldade de Lucas: a locomoção no meio urbano.

Um simples deslocamento pode se tornar um desafio para pessoas com deficiências. Buracos, postes na calçada, irregularidades e até mesmo lixo jogado no chão reforçam a negligência social com os PcDs e se tornam uma barreira para a mobilidade urbana dessas pessoas. 

A falta de acessibilidade nas cidades vai muito além da ausência de tecnologias inovadoras e dispositivos automatizados. Para o professor de braile, os meios urbanos não contam nem mesmo com uma arquitetura favorável às pessoas com deficiências: “Eles não implantam nem um recurso urbano dito normal, imagina uma coisa que seja tecnológica”, aponta.

“O espaço mais público de uma cidade, que deveria ser cuidado, são as calçadas. Porque todo mundo usa a calçada, mas ela é o espaço mais negligenciado”.

Sem que as cidades cumpram o papel básico de garantir o acesso urbano a todos, a mobilidade de pessoas com deficiências fica comprometida. A esperança é projetada numa visão mais consciente por parte da sociedade sobre as necessidades dessas pessoas e o avanço de novas tecnologias que busquem reduzir as barreiras impostas pela falta de acessibilidade.

Acessibilidade nos meios digitais

Na era digital, a tecnologia tem desempenhado um papel fundamental na promoção da inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência. Os recursos online inovadores abriram novas oportunidades, permitindo que indivíduos com deficiência se envolvam plenamente na sociedade digital.

Para entender o início da acessibilidade online é necessário recorrer às décadas de 1980 e 1990, quando começaram a surgir iniciativas para abordar as necessidades das pessoas com deficiência. Organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência passaram a pressionar por mudanças e políticas que garantissem igualdade de acesso e oportunidades.

Em 1990, um marco importante foi estabelecido com a promulgação da Americans with Disabilities Act (ADA) nos Estados Unidos. Essa legislação pioneira estabeleceu diretrizes e regulamentos para garantir a acessibilidade em várias áreas, incluindo as tecnologias da informação e comunicação. Esse marco legal incentivou empresas e desenvolvedores a considerarem a inclusão e a acessibilidade em seus projetos.

A partir desse contexto, recursos como leitores de tela, teclados adaptados, comandos de voz e tecnologias de reconhecimento facial foram desenvolvidos para ajudar a superar as barreiras que limitavam o acesso e a participação dessas pessoas no mundo digital.

Entre os avanços tecnológicos mais notáveis para a acessibilidade. A Alexa, assistente virtual inteligente da Amazon, tem se destacado como uma solução positiva para pessoas com deficiência. Com capacidade de reconhecimento de voz e integração com outros dispositivos, o aparelho oferece recursos poderosos que promovem a independência e inclusão. Por comandos de voz, ela permite o acesso a informações e serviços sem a necessidade de interação visual. 

Quando o assunto é acessibilidade, contudo, é fundamental ir além do wi-fi e considerar os momentos em que a conexão não está disponível. A falta de conectividade pode limitar o acesso e a inclusão de pessoas com deficiência, tornando necessário o desenvolvimento de soluções e alternativas para garantir a acessibilidade online em todas as situações.

Para isso, Lucas Cadmiel já tem planos. Ele pretende migrar isso para o chamado protocolo ZigBee que, em resumo, é uma tecnologia de comunicação sem fio eficiente, confiável e de baixo consumo de energia, que permite que dispositivos de baixo consumo de energia se comuniquem entre si de forma automática e sem fios. Ele oferece uma solução acessível para a criação de redes inteligentes e interconectadas, tornando a automação residencial e a Internet das Coisas mais acessíveis e convenientes.

“Faltou internet para todo mundo na região da minha casa e eu não podia ligar minha tomada. Se eu estivesse com o protocolo próprio, que caso que seria o ZigBee, ele já me permite ligar mesmo que falte internet. Assim eu consigo ter o controle local”, explica o professor.

É importante destacar que a jornada em direção à acessibilidade e inclusão digital ainda está em andamento. É necessário continuar investindo em pesquisas, desenvolvimento e conscientização para garantir que pessoas com deficiência possam desfrutar plenamente dos recursos online e das oportunidades oferecidas pela era digital. Somente assim poderemos construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva, onde todos tenham igualdade de acesso e participação no mundo digital.

21 milhões de sites, 1% com acessibilidade

Uma pesquisa feita em 2022 pelo Movimento Web Para Todos mostra que menos de 1% do total de sites brasileiros testados foram aprovados em todos os critérios de acessibilidade para pessoas com deficiência. Os dados são resultado de uma pesquisa sobre a experiência de usabilidade de sites por pessoas com algum tipo de deficiência, realizada em parceria com BigDataCorp.

De acordo com o último Censo divulgado pelo IBGE (2022), cerca de 24% da população brasileira declarou ter pelo menos uma das deficiências investigadas. Isso representa aproximadamente 45 milhões de brasileiros. Em comparação com a pesquisa feita, o número ativos de sites ativos em maio do ano passado, 21 milhões, apresentou que apenas 0,46% das páginas analisadas foram bem-sucedidas em todos os testes aplicados.

Os tipos de site analisados foram blogs, educação, e-commerce, corporativos e veículos de notícias. Dois desses (educação e veículos de notícias) serão apresentados ao longo desta reportagem.

Trazendo estas informações para o âmbito regional e acadêmico, o site da Universidade Federal do Paraná (UFPR), recentemente, em 2023, incluiu o menu de acessibilidade na plataforma. O menu em si não possui a tradução em libras, que é a maneira mais procurada por PcDs. Porém, inclui fontes diferentes para disléxicos, tamanho de letra maior e outros itens.

Foto: divulgação

Para Marcelo Rei, um dos diretores do Núcleo de Concurso da UFPR, apesar da inclusão do menu, falta a inclusão da tradução em libras, não só nas matérias do site, como também em editais do vestibular.

“Já conversei com a diretoria do Núcleo de Concurso para estabelecer uma estratégia de tradução em libras, não apenas uma tradução corrida do texto em vídeo, mas também com a inserção de imagens e links, para que os surdos consigam fazer inscrições e obter mais informações com detalhes. Muitos acabam se inscrevendo errado porque o português é a segunda língua”.

Segundo Lucas Cadmiel, os recursos de acessibilidade, deveriam ser incluídos em diversos sites, são benéficos não somente aos usuários, mas também às empresas, instituições e órgãos. “O problema não são as tecnologias, são as empresas e como elas se aplicam no mercado. Diariamente são lançados sites novos, porém como não existe uma legislação que implique em ter acessibilidade. Só existe recomendação do próprio Google e não são todas as empresas que aplicam. Se fosse obrigado seria mais comum vermos”, avalia.

A adoção da acessibilidade digital também tem impacto na reputação da empresa, fortalecendo sua responsabilidade social e evidenciando o compromisso com a inclusão. Ao demonstrar esse cuidado com o público, a empresa reforça sua imagem como uma organização com valores sociais e éticos, o que pode gerar uma conexão mais positiva com os consumidores. Mas esse problema é somente das empresas?

Veículos de notícias – A informação não chega a todos

Outro dado da pesquisa Movimento Web Para Todos apontou que apenas 0,20% dos veículos de notícias analisados não apresentaram falhas nos testes. Ao todo, foram 21 milhões de sites brasileiros testados.

Dentre os veículos de notícias locais, no estado do Paraná, apenas um portal de órgão público, que também é portal de notícias, apresentou o menu de acessibilidade em libras: a Agência Estadual de Notícias (AEN).

Em entrevista à revista Mercúrio, a AEN declarou que a ferramenta utilizada existe desde o fim de 2023, e é gratuita.

“Utilizamos a VLibras, um conjunto de ferramentas gratuitas e de código aberto que traduz conteúdos digitais (texto, áudio e vídeo) em português para libras, tornando computadores, celulares e plataformas web mais acessíveis para as pessoas surdas. No Paraná a implementação aconteceu pela Celepar, que coordena os sites de todo o Governo do Estado e que também já contam com a ferramenta”, explica.

Foto: divulgação

A AEN ainda afirma que tem retorno positivo do público nas redes sociais, mas o retorno é visto na prática, como em campanhas de vacinação, matrícula escolar e outros. Apesar de o órgão trazer informações relevantes para os paranaenses, tanto na área de economia, cultura, esporte, meio ambiente, serviço, educação e saúde, existe o fator das informações serem voltadas aos bens que o Estado produz e cede à população. Basicamente, notícias de assessoria de imprensa. 

Os veículos de notícias são essenciais nesse caso, já que ao reportar determinado assunto apenas transmitem a informação necessária, sem puxar “sardinha” do estado. As editorias de sites de notícias são diversas. Alguns mais focados em esportes, outros hardnews (notícias importantes daquele dia), outros meio ambiente… E além disso, também há veículos que se posicionam politicamente a algum candidato, partido, ou ideologias de direita, esquerda ou centro.

Ao falar de tecnologia no meio digital e em sites nesta reportagem havia uma dúvida: como pessoas com deficiência auditiva e que possuem libras como primeira língua se informam? Com isso, conhecemos Mirely Santos, de 25 anos.

A jovem é surda desde criança e aprendeu libras e português na Escola Nydia Moreira Garcêz, em Paranaguá, no litoral do Paraná. Seus principais meios de comunicação são a televisão e o celular, mesmo os dois não sendo extremamente eficazes. “As notícias pela televisão não entendo muito. Vejo as imagens e entendo o que está escrito algumas vezes, mas na maioria das vezes meu marido precisa me explicar o contexto me ajuda a entender”, explica.

Já o celular acaba sendo a principal plataforma pela qual Mirely se informa, pelo fato de poder procurar conteúdos próprios para surdos: “No Facebook tem canal de notícias para surdos. Em relação à política eu não entendo muito, meu marido sempre me explica o que acontece e me mostra reportagens. Assim eu consigo entender melhor enquanto ele me explica”.

Mirely é um dos milhares de brasileiros que precisa buscar, via rede de apoio e canais específicos para deficientes, uma maneira de se manter atualizada. É importante reconhecer que os veículos de notícias desempenham um papel crucial na disseminação de informações e na formação de opiniões. Garantir que esses veículos sejam acessíveis a todos os públicos, incluindo pessoas com deficiência, é fundamental para promover a inclusão e a igualdade de oportunidades.

Inclusão dentro das atividades culturais

No Brasil, a Lei nº 13.146, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), é destinada para garantir condições de igualdade e o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais para uma pessoa com deficiência. Dentre os direitos garantidos, o capítulo IX (artigo número 42 ao 45) faz referência ao acesso à  cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer, permitindo assim a igualdade de oportunidades com as demais pessoas em atividades culturais como cinemas, teatros, monumentos e patrimônios culturais. 

O responsável por garantir o cumprimento destes artigos é o poder público, que deve não só adotar soluções para remover as barreiras para o acesso desses espaços, mas também promover a participação de pessoas com deficiência nessas atividades culturais. 

Curitiba é uma cidade muito rica em atividades e espaços culturais. Grande parte destes eventos e espaços são comandados pela Fundação Cultural de Curitiba, uma extensão da própria Prefeitura. Embora muitas das atividades contenham acessibilidade, grande parte dos espaços não permite o acesso de pessoas com deficiência, muito por conta da arquitetura dos edifícios como o Mirante Marumbi, localizado no topo do Memorial de Curitiba, que só pode ser acessado por uma escada.

Foto: Cido Marques/ Prefeitura de Curitiba

Dentro da inserção dessas acessibilidades o que acaba faltando é justamente a opinião e o olhar de uma pessoa com deficiência, para explicar suas necessidades e dificuldades, assim tornando o recurso de fato eficaz. 

O Museu Oscar Niemeyer neste sentido é um bom exemplo. Além de diversas atividades dedicadas a pessoas com deficiência, foram elaborados vários projetos voltados para a acessibilidade como o programa MON Para Todos, a sala de acomodação sensorial e oficinas educativas realizadas com tradução em libras. O espaço também conta com rampas e escadas sinalizadas e piso podotátil, e realiza diversas atividades em formato de vídeo e os disponibiliza no canal do YouTube do espaço com tradução em Libras. 

No Cinema

  No cinema, antes da chegada das tecnologias de acessibilidade, o acesso que as pessoas com deficiência tinham aconteciam somente com o auxílio de alguma pessoa, que contava e explicava o que estava acontecendo durante o longa-metragem. A independência das pessoas com deficiência dentro das salas de cinema veio com a  lei nº 14.009/15, que torna obrigatória a existência de assentos especiais, além de sinalização conforme os padrões e normas de acessibilidade, legendas, janelas de intérprete de libras e tecnologias de audiodescrição.

As legendas foram o primeiro recurso a chegar nas salas de cinema. O recurso funciona com faixas de frases que aparecem durante os filmes com as falas e ações dentro do longa de maneira escrita, assim garantindo acessibilidade para pessoas surdas. Apesar de trazer uma melhora de condições, a tecnologia ainda não quebrava todas as barreiras, visto que para muitos deficientes auditivos português é considerada a segunda língua, assim enfrentando algumas dificuldades de compreensão.

A audiodescrição, embora criada em 1980, só chegou aos cinemas brasileiros em 2005 no filme Irmãos de Fé. O recurso funciona com a descrição de cenas e ações para pessoas com deficiências visuais. 

Foto: Cleiton Borges – Secretaria Municipal de Governo e Comunicação/PMU

Apesar de a tecnologia ser essencial para levar esses recursos de tradução para dentro das salas de cinema, o trabalho humano também se faz extremamente necessário para garantir a acessibilidade. 

Cristiane Lemos é especializada em produção de legendas, tradução em libras e audiodescrição e tem sua própria empresa, a Acessa Produções, onde realiza a tradução de diversas obras audiovisuais. Dentro da empresa existem diversos passos necessários até o produto final: “Você tem que ter muito cuidado na hora da descrição. Antes isso era feito sem muita preocupação com o que o diretor da obra quis passar, o que acabou prejudicando muitos filmes porque você vê uma audiodescrição que não condiz com a mensagem proposta pelo diretor”, explica. 

Embora a implementação destes equipamentos seja garantida por lei, um levantamento feito pela Ancine em 2019 revelou que apenas 8% das salas de cinema do Brasil contam com esses recursos. 

Além disso, apesar de contribuir com a acessibilidade, essas tecnologias ainda têm um longo caminho para serem completamente eficazes dentro das necessidades das pessoas com deficiência, como explica Mirely Santos e Enio Rodrigues.

Reportagem escrita por Carolina Genez, Emerson Araujo, Jessica de Holanda, Jully Ana Mendes e Luisa Mattos

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