seg 18 out 2021
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Hare Krishna

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O cabelo raspado com uma mecha na parte de trás da cabeça é uma maneira de ser identificado e de demonstrar servidão ao mestre espiritual. Foto: Dayane Saleh

De mãos espalmadas e cabeça curvada. É assim que se entra no templo Hare Krishna de Curitiba. Olhares desconfiados na rua. A porta de alumínio range, enquanto um devoto sorri. “Hare Krishna”, ele me diz. Respondo o mesmo. Tiro os sapatos e subo a escada. Lá em cima as pessoas já cantam em coro o Maha Mantra, o mantra mais conhecido dos krishnas. “Krishna” é o amor puro, e “Hare” é a energia divina.

Mulheres de um lado e homens de outro, todos sentados chão. Cada vez que se deixa o local de culto e se retorna a ele se faz uma reverência, ficando de joelhos e encostando a cabeça no chão. Entoar o manto Hare Krishna é a maneira mais simples para se auto-realizar, segundo Chaitanya Lira Das, um dos devotos que tem mais conhecimento e instrui os demais.

A base para ser um krishna é entoar o mantra coletivamente – chamado de kirtana – e individualmente. Ao fazer isso, o seguidor se volta ao serviço de devoção, o bhakti-yoga. Dessa maneira, sua consciência e suas ações são dirigidas a Deus. As vestimentas são um modo de se demonstrar a fé e se identificar. Enquanto as mulheres usam o sári – um grande tecido de seis metros, enrolado de forma a aparentar um vestido –, os homens usam o dhoti – enrolado como uma saia.

Na maior parte do tempo durante o encontro, que é também um ritual, entoamos o Maha Mantra diversas vezes, em ritmos diferentes. Em um domingo não tão bem com os meus pensamentos, a entoação repetida do mantra maior leva a uma tranquilidade inesperada para mim. Olho para as pessoas e vejo que algumas demonstram um sorriso leve, enquanto outras cantam mais alto de olhos fechados. Eu me atenho a balançar o corpo e ao cantar suave.

A cerimônia termina com dança e contemplação das entidades. Foto: Dayane Saleh

Em certo momento todos dançamos, demonstrando devoção ao líder espiritual Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Ele foi o responsável por apresentar o movimento Krishna ao mundo ocidental, por meio da fundação da Sociedade Internacional da Consciência Krishna (ISKCON), em 1966, na cidade de Nova Iorque. Cada pessoa presente tem sua vez de colocar folhas de flores no altar e de saudar o líder.

Em seguida se dá a leitura de uma parte do Bhagavad-gita, que é o livro que norteia a religião. Chaitanya Lira Das explica a existência do carma. “É simples: tudo que se faz, recebe-se. Faz parte da física, ação e reação”, aponta, antes de explicar também sobre o livre-arbítrio. “O sujeito tem suas escolhas, faz parte delas não revisionar o carro antes de viajar, por exemplo, isso é o livre-arbítrio. O carma é quando, mesmo se o sujeito toma todas as precauções, ainda sofre um acidente”,ressalta. Ele garante que um dos problemas do ser humano é não entender que o mundo material está contido no mundo espiritual.

É por isso que somos tão ligados às coisas materiais.

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