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Intercambistas do Ciência sem Fronteiras são aconselhados a usar do “jeitinho brasileiro” para se manter

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Email de retratação enviado aos estudantes após a mensagem polêmica que aconselhava os brasileiros a usarem o “brazilian creative method of problem solving” para arcar com os custos de moradia e alimentação                           Foto: Jean Carlos Gemeli

No dia 6 de maio parte dos intercambistas do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) nos Estados Unidos recebeu um email do Institute of International Education (IIE) aconselhando usar do “jeitinho brasileiro” para se manter durante o verão.

O IEE é o órgão parceiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) nos EUA e tem a responsabilidade de aprovar os estágios e pagamentos de acomodação e alimentação para os estudantes durante o verão norte-americano, período em que os intercambistas ficam sem moradia e alimentação nas universidades.

No email, o IEE diz que está tentando resolver os problemas o mais rápido possível e acrescenta dizendo que os estudantes devem poupar o dinheiro que tem. No fim, o Instituto diz que, para se manter enquanto não há liberação de verba, os estudantes devem usar o “brazilian method of creative problem solving” (método brasileiro criativo de resolver o problema) e não dá datas para o depósito do dinheiro. Para esclarecer as dúvidas dos estudantes sobre o email enviado pelo IIE aos intercambistas do Ciências Sem Fronteiras, o Jornal Comunicação conversou com alguns participantes do programa e teve acesso aos emails enviados aos estudantes.

Segundo a estudante de Design na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Júlia Alcântara, o IEE está demorando na revisão dos contratos de estágio e, por isso, há demora na liberação do dinheiro para os alunos. A estudante, intercambista na Universidade de Savannah, nos Estados Unidos, explica o que motivou o aumento da rigorosidade nas revisões. “Houve casos de brasileiros que falsificaram contratos de estágio para ficar mais tempo nos EUA”, afirma. “Eles estão analisando minuciosamente cada contratação para ter certeza de que não há fraude”.

De acordo com um estudante de Engenharia Civil da UFPR que não quis se identificar, os alunos do Ciências sem Fronteiras ficaram indignados com o email do IIE. “Logo depois, o IIE enviou outro email pedindo desculpas e pedindo para desconsiderar o email anterior. Eles iam fazer tudo o que fosse possível para tentar alojar todo mundo sem grande dor de cabeça”, conta.

O dinheiro mantido pelo IIE refere-se apenas ao pagamento de alimentação e acomodação dos intercambistas. Especulações sobre a falta de dinheiro para passagens de volta ao Brasil surgiram.

Repercussão no Brasil

A TV Globo divulgou, no telejornal Bom Dia Brasil do dia 11 de maio, uma reportagem afirmando que o Ciência sem Fronteiras não estava repassando o dinheiro das bolsas para os alunos. A intercambista Amanda Oliveira apareceu como um dos estudantes que voltaram ao Brasil devido aos problemas dessa liberação na verba.

Em seu perfil no Facebook, Amanda protestou contra a matéria e desmentiu as informações que foram vinculados em seu nome. A estudante de Medicina afirmou que, durante os nove meses que passou nos Estados Unidos, houve atraso apenas na última parcela da bolsa, e o motivo de ter voltado para o Brasil não foi a falta de dinheiro, e sim a início das aulas da Universidade Federal do Tocantins . A Rede Globo pediu desculpas e afirmou ter cometido erro na apuração da reportagem.

Júlia afirma que a Capes está encaminhando o dinheiro para os alunos. “Dentre 200 intercambistas, não conheço ninguém que esteja com problemas quanto a passagem”, conta. “Todos receberam o dinheiro da Capes para voltar ao Brasil”.

O Jornal Comunicação entrou em contato com a Capes e o IEE, mas não obteve resposta.

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