dom 24 out 2021
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Luciana Genro participa de debate na UFPR

“Consequências de Junho nas Eleições” foi o tema do debate que reuniu pouco mais de 400 pessoas no auditório do Setor de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR, na última quinta-feira (6). No palco, a ex-presidenciável Luciana Genro e o cientista político Emerson Cervi discutiram as manifestações de junho de 2013 e as implicações nas eleições de 2014. Com mediação do Professor do Departamento de Comunicação (Decom), Elson Faxina, o evento foi promovido pela agência experimental de Relações Públicas da instituição, a Prattica, em parceira com o Setor de Artes, Comunicação e Design da UFPR.

Público jovem ouviu e aplaudiu o discurso da ex-presidenciável, muito parecido com o da sua campanha (Foto: Prattica UFPR
Público jovem ouviu e aplaudiu o discurso da ex-presidenciável, muito parecido com o da campanha (Foto: Prattica UFPR)

O crescimento da direita

A discussão iniciou com Emerson Cervi traçando um perfil da direita atual. Ele mostrou que o número de congressistas que não se encaixam ideologicamente na esquerda ou no centro crescem desde as eleições de 2006. Para ele, não houve uma grande influência das manifestações como um movimento reacionário nas eleições. “2014 é uma continuidade de 2010”, defendeu.

A ex-presidenciável Luciana Genro indicou que o crescimento da direita pode ter relação com o Mensalão, escândalo de corrupção que estourou em 2006, envolvendo integrantes do governo Lula. Para ela, o caso rompeu a relação que o Partido dos Trabalhadores (PT) tinha com a população. “Foi a partir daí que [nós do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)] começamos a semear uma alternativa”, afirmou.

O cientista político expôs o perfil socioprofissional dos deputados direitistas eleitos. Em geral, possuem curso superior, são advogados ou  ligados à igreja. “Os eleitos têm muito mais bens que os não eleitos. Há uma clara tendência em eleger os mais endinheirados”, destacou. Ele também criticou a forma de financiamento das campanhas. “O problema é justamente a falta de um valor-limite para as doações”, frisou.

Junho e as eleições

Para Cervi, Junho teve pouca representatividade na eleição do Congresso mais conservador. “Isso tem a ver menos com as ‘Jornadas’ e mais com as ‘regras do jogo’”, argumentou. Ele disse acreditar que sejam eleitos mais deputados conservadores nas próximas eleições. Ainda assim, o cientista político vê Junho como um evento benéfico. “Aquele movimento de massa serviu para mostrar que existe representação além das instituições”, explanou.

Para Genro, as manifestações de Junho foram um movimento de negação ao que as pessoas veem na política. Para ela, a maioria das pautas defendidas foram progressistas. “Junho não foi em vão. As eleições e os votos que o PSOL recebeu foram um reflexo disso”, defendeu.

Em um discurso semelhante ao dos debates, Luciana Genro defendeu pautas da esquerda como a legalização da maconha e a descriminalização do aborto. A ex-presidenciável também criticou o PT, ao qual foi filiada até 2005, quando foi expulsa por divergências ideológicas. “O PT foi eleito com o discurso de ‘governar para todos’. Mas não existe isso. Tem uma minoria que precisa ser contrariada”, sustentou.

Auditório lotado e status de celebridade

O auditório do Setor de Ciências Sociais Aplicadas estava lotado, com um público de universitários, militantes e simpatizantes da ex-candidata, que a todo momento, era aplaudida. Estudante de Música da UFPR, Anderson Toni afirmou que o debate soou como um incentivo aos militantes. “Ter a Luciana aqui é um evento e tanto. Ela traz uma representatividade maior para o partido”, disse. Segundo a organização do evento, o debate foi pensado como uma continuação da mesa-redonda que discutiu a relação dos movimentos sociais com a mídia e que teve como grande estrela o Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL).

Professor do Departamento de Comunicação, Elson Faxina mediou o debate e disse acreditar em um bom momento na UFPR, referindo-se ao fato da instituição ter debates como esse. Já Cervi, afirmou que a universidade é um retrato enviesado da sociedade. “Forças de fora (da instituição) para dentro provocam eventos como esse”.

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